Boa leitura!

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

TEN. JOSÉ NESTOR DOS SANTOS - O ÚLTIMO PARAQUEDISTA


Estivemos há poucos dias em Osasco, na bela residência do Tenente José Nestor dos Santos, convidados que fomos para seu aniversário.

A casa estava cheia, o herói paraquedismo paulista rodeado de sua bonita família, esposa, filhos, netos, genros, noras e seus inúmeros amigos.

Após o rico almoço, vários oradores se fizeram ouvir inclusive sua bisneta que arrancou aplausos de todos nós e a emoção do nosso homenageado, bravo oficial da PM de São Paulo, remanescente da grande epopeia no episódio trágico do avião President, da Pan American Air Aways.


sexta-feira, 20 de setembro de 2013

O LUAR DE VILA SÔNIA

A casa de detenção na década de 40 estava situada na Av. Tiradentes, em frente ao primeiro Batalhão, conhecido como o Quartel da Luz e nos dias atuais, a Rota.
Ela conserva ainda da sua antiga estrutura os contornos do portão,  por onde passavam várias gerações de criminosos.
Parede e meia situava-se o velho quartel do Centro de Instrução Militar - CIM,  com a sua escola de oficiais,  alojando o pré militar e o Curso de Oficiais Combatentes - COC eram repetidas as fugas e tentativas dos detentos do presídio e, numa delas,  houve um erro de cálculo,  os fugitivos, no fim do túnel, adentrando à sala dos nossos oficiais e  instrutores.
Desesperados trocaram seus uniformes de presidiários por fardamento dos oficiais. Eram capitães e tenentes, envergando o caqui, com seus bonés, galões e talabartes. Com muita cautela, dirigiram para o portão de saída para o jardim da Luz, recebendo do sentinela o "Apresentar Arma", a continência devida.
Num relance, o sentinela notou que todos estes 'oficiais' estavam descalços, o que motivou o toque do alarme quando toda a guarda militar conseguiu capturá-los escondidos que estavam no jardim da Luz.
O prezado leitor perguntará: O que tem a ver esta fuga com o título acima: O luar de Vila Sônia?
Aconteceu que, ao escoltarmos os fugitivos, recambiando-os para o presidio da Av. Tiradentes, conhecemos o detento Paulo Miranda, famoso cantor de romântica canções,  com o seu disco, O luar de Vila Sônia, grande sucesso na época.
A canção era linda, romântica, melancólica de um amor perdido e a beleza do luar de Vila Sônia.
Essa estória eu contei há algum tempo a oficiais da Academia da Polícia Militar do Barro Branco, sucessora do meu velho e saudoso CIM e o resultado foi a reportagem abaixo, extraída do livro comemorativo do centenário da maravilhosa Escola de Comandantes. 



domingo, 15 de setembro de 2013

O CUPIM PATRIÓTICO

Terminada a 1.ª Grande Guerra Mundial (1914-18), a tecnologia aeronáutica teve um avanço notável, transformando o avião, usado em 1914 apenas como meio de observação, no fim do conflito, numa poderosa arma de guerra. Os Exércitos possuíam, então, a 5.ª Arma, contando seus aviões com grande autonomia de voo e poder de fogo, com suas metralhadoras sincronizadas e bombas.

Toda essa gama de conhecimentos aeronáuticos não podia ficar inerte ou à espera de um novo conflito e foi então que, se incrementaram, na Europa e Estados Unidos, a temporada dos confrontos, as disputas aéreas, dos reides de velocidade e distância, a ligação das capitais dos países, transposição de mares e voos transoceânicos.

A década 1920-30 foi exuberante em competições aéreas, onde surgiram De Pinedo, Gago Coutinho Sacadura Cabral, Lindenberg, Ribeiro de Barros, João Negrão, Del Prete, Saint Exupéry e tantos outros, que inscreveram seus nomes na história.

O Brasil não podia ficar alheio a essas disputas. Já escrevemos sobre a epopeia do Jahú em 1927, no célebre voo de Gênova, na Itália, até às águas da represa Santo Amaro, em São Paulo. Agora vamos relatar o voo do Rio de Janeiro a Buenos Aires, em 1920, realizado pelo aviador Edu Chaves, que tinha sido o 1.º instrutor da Aviação Militar da Força Pública em 1914.

A ligação das capitais Rio de Janeiro - Buenos Aires era o sonho fascinante de muitos aviadores europeus e sul-americanos.

O Comandante Amadeu Saraiva, em seu livro sobre o piloto Edu Chaves nos conta que, quando ele propôs realizá-la, muitos já haviam fracassados, face às grandes dificuldades que esse reide apresentava, tornando-o mais atraente, fazendo maior a glória daquele que conseguisse transpor os 2250 kms que separam as duas capitais. A coincidência foi a chegada da notícia de que um piloto argentino, de nome Hearne, ia efetuar o reide num avião Bristol, de 300 HP, que havia sido posto à sua disposição pelo Exército da vizinha nação.

Edu Chaves preparou então o seu Caudron e aceitou o repto mas não teve sorte, pois sofreu um acidente ao partir de São Paulo para o Rio, ponto de partida para a disputa, tendo que esperar a reparação do avião, afim de tentar novamente.

De todos os lados começaram a chegar apelos para que se pusesse à sua disposição outro avião, afim de lhe dar mais uma chance. Enquanto isso da Argentina chegavam notícias sobre a partida de Hearne, que feriam os brios nacionais e então os apelos se redobraram ao Governo de São Paulo. E quando este resolveu ceder um avião Curtiss de 150 HP, tipo Oriolle, pertencente à Escola de Aviação da Força Pública, pareceu ser demasiado tarde.

No dia 19 de dezembro, o piloto argentino e seu mecânico largaram de Buenos Aires, com destino a Libres, fronteira com o Brasil. Dali, com absoluta regularidade, o Bristol voou a Cacequi, em seguida a Passo Fundo. Brasil e Argentina acompanhavam, ansiosamente, o desenvolvimento do reide.

O destemido aviador platense viajava completamente seguro de si e tudo fazia prever seu próximo triunfo. 

A Argentina exultou, enquanto os brasileiros, olhos postos em Hearne, não perdiam as esperanças e confiavam no piloto brasileiro.

A partida do argentino, de Ponta Grossa com destino a São Paulo, foi no dia 24. Não fazia ele navegação, voava por contato visual, acompanhando a estrada de ferro, a regular altitude e a proeza entrava já na sua fase final. Vinha firme e aproximava-se da capital paulista quando, nas proximidades de Sorocaba, encontrando nevoeiro, resolveu pousar num campo, nos arredores da cidade.

Foi nesse mesmo dia, quando tudo aconselhava a esperar, que o nosso patrício alçou o voo, no campo do Guapira, rumo ao Rio de Janeiro, a fim de dar início à disputa.

No dia seguinte, 25 de dezembro, no mesmo tempo que Edu Chaves iniciava o voo do Rio de Janeiro, em Sorocaba, Hearne movimentava o seu Bristol na direção da capital paulista. Correu pela pista improvisada, ganhava velocidade aos solavancos mas desgovernou-se, batendo de rijo num “cupim patriótico”, capotando espetacularmente.

Edu Chaves recebeu a notícia do acidente quando, em São Paulo, reabastecia o aparelho para prosseguir viagem e, inteirado de que o argentino nada sofreu, compreendeu que a sorte agora estava ao seu lado, sua oportunidade chegara e soube aproveitá-la.

Colocou o Curtiss em posição contra o vento, o aparelho deslizou pela pista, ganhando altura em direção à Argentina.

Uma regularidade e precisão admiráveis dividiram o percurso em 5 etapas, uma por dia:

Dia 25 de dezembro – Rio de Janeiro - São Paulo - partiu às 05h45 e chegou às 08h15.

Dia 26 de dezembro – São Paulo - Guaratuba - partiu às 12h00 e chegou às 14h30. 

Dia 27 de dezembro – Guaratuba - Porto Alegre - partiu às 10h45 e chegou às 15h20.

Dia 28 de dezembro – Porto Alegre - Montevidéo - partiu às 09h45 e chegou às 14h30.

Dia 29 de dezembro – Montevidéo - Buenos Aires - partiu às 10h00 e chegou às 13h00.

Onde descia, Edu Chaves era alvo de extraordinárias manifestações; o país inteiro acompanhava, orgulhoso, as rotações daquele frágil motor de 150 HP, com muito mais ansiedade, talvez, que o próprio piloto.

Nesse dia 29 de dezembro, num pulo sobre o mar Del Plata, o nosso herói chegava a Buenos Aires, completando o reide e sagrando-se vencedor da 1.ª ligação aérea Rio de Janeiro - Buenos Aires, cobrindo o percurso, voando a média de 470 kms por dia, a uma velocidade de 138 kms por hora.

O Brasil todo vibrou com a notícia, foi um delírio. Em consequência desse grande feito, que exaltou a nossa Pátria na América e no mundo, o Presidente do Estado, Dr. Washington Luis, deu-lhe de presente, o Curtiss da Força Pública e mais outro prêmio de 30 contos de réis.

O antigo campo do Guapira hoje, em homenagem ao grande aviador, é o Parque Edu Chaves.



terça-feira, 9 de julho de 2013

EPOPEIA PAULISTA DE 1932


De dia e de noite os Paulistas defendem o Brasil nos 4 pontos Cardeais mesmo  com sacrifício da própria vida.




Para o Brasil façam-se grandes coisas.

Os paulistas tem o Brasil no seu brasão, na sua Bandeira e no seu coração. Perguntamos: Porque o Brasil não entendeu São Paulo em 1932? Por que acusaram o nosso Estado de separatista?  Porque acusaram São Paulo de querer o retorno da política dos fazendeiros? Coitado dos fazendeiros paulistas, empobrecido desde a queda da Bolsa de Nova Iorque em 1929.
A história nos conta que os bandeirantes paulistas chutaram as Tordesilhas para as bandas do Oceano Pacífico, triplicando a nossa extensão territorial, grandeza geográfica da nossa Pátria, também contribuindo, e muito, para a nossa grandeza econômica.
Temos o orgulho da Revolução Constitucionalista de 1932, assim como os Gaúchos se orgulham da Guerra dos Farrapos e os Nordestinos orgulhosos da Confederação do Equador. Nunca fomos separatistas.
Tudo passou, os ressentimentos acabaram porque, antes de tudo e acima de tudo amamos o Brasil.
     
      



terça-feira, 2 de julho de 2013

UM PASSEIO PELA HISTÓRIA


O mês de maio, mês das flores, das mães, das noivas e também o mês de Martins, Miragaia, Dráusio e Camargo, os heróis de 32. Para fortalecer a data de 23 de maio, o Governador Laudo Natel, em boa hora, instituiu o DIA DA JUVENTUDE, homenageando neles toda a mocidade da Pátria Brasileira, na sigla MMDC.Vamos fazer um passeio pela nossa História; paremos nos anos conturbados por revoluções e guerra, que envolveram nossa Corporação, na primeira metade do século XX:
1922: marcou o 1.º centenário da nossa Independência, não foi só de festas. Quando os ventos soprados da Europa levaram para todos os quadrantes da Terra, a terrível gripe espanhola, que matou mais que a própria 1.ª Grande Guerra (1914-18), chegava também até nós, do Velho Continente, a mensagem de novas idéias, de novos caminhos, que marcaram a evolução de toda a Humanidade. Os velhos conceitos deveriam cair, dando lugar aos protestos de homens e mulheres, a maioria jovens idealistas e revolucionários.
Todas as manifestações do saber humano tinham que se modificar e evoluírem. As letras, a música, a pintura, a escultura, e tantas outras artes tinham que esquecer os padrões clássicos e enveredar por novas metas, novas trilhas.
Em nossa Paulicéia, nesse ano que marcou o Grito do Ipiranga, aconteceu a Semana da Arte Moderna, movimento renovador, capitaneado por Mário de Andrade, Osvaldo de Andrade, Menotti Del Picchia, Cândido Portinari, Lasar Segal, Anita Malfati, Tarsila do Amaral, e tantos outros intelectuais e artistas.
A política não faltaria nesse caldeirão efervescente, contaminando também as Forças Armadas, nascendo, então, dentro dos Quartéis, um movimento rebelde que a História convencionou chamar de TENENTISMO, sintetizando, em filosofia política, o ideal de jovens oficiais ou oficiais de mentalidade jovem, que fez explodir, a 5 de julho de 1922, na então capital Federal, Rio de Janeiro, um movimento revolucionário contra o Governo de Epitácio Pessoa, que passou a História, como Os 18 do Forte de Copacabana.
1924: no mesmo dias 5 de julho, irrompeu em São Paulo, outro movimento revolucionário, chefiado pelo Gen. Izidoro Dias Lopes e pelo Maj. Miguel Costa, este Fiscal do nosso Regimento de Cavalaria, que desfraldaram a mesma Bandeira do Tenentismo.
1925 a 1927: a Revolução continuou, os Legalistas perseguindo a Divisão Revolucionária, agora comandada pelo nosso Gen. Miguel Costa, tendo como Subcomandante Luiz Carlos Prestes. Percorreu essa Divisão mais de 30 mil kms, de penosas marchas pelos longínquos rincões da Pátria, na divulgação dos objetivos lançados em São Paulo, sempre perseguida, sempre acossada pelas forças que defendiam a Legalidade. Essa marcha é a maior registrada na história mundial, suplantando a Retirada dos 10 mil de Xenofonte e as de Hamilcar e Aníbal, heróis de Cartago.
1930: Revolução Outubrista de Getúlio Vargas, que marcou o fim da 1.ª República, a vitória do Tenentismo e o início do Governo Getulista:
· De 1930 a 1934 – Ditadura
· De 1934 a 1937 – Democracia
· De 1937 a 1945 – Ditadura/Estado Novo
· De 1950 a 1954 – Democracia – 24 de agosto morte de Getúlio Vargas.
Durante esse longo período, Getúlio enfrentou:
· Em 1932 - Revolução Constitucionalista em São Paulo
· Em 1935 - Intentona Comunista chefiada por Luiz Carlos Prestes
· Em 1938 - Ação Integralista de Plínio Salgado
· Em 1942 a 1945 - 2.ª Grande Guerra Mundial (1939-45).
Situemo-nos agora, na Epopeia Paulista de 32, jovens que sensibilizaram todas as consciências livres, marcando o calendário cívico da sigla MMDC. Rememoremos..."No dia seguinte 23 de maio de 1932, o entusiasmo chegou ao auge. Pedro de Toledo reconquistou sua autoridade e nomeou todo o Secretariado de São Paulo, contrariando ordens de Getúlio. Foi um delírio do povo bandeirante que aclamou o Governador Pedro de Toledo, não mais interventor. Dando vazão a essa grande conquista, o povo dirigiu-se ao centro de São Paulo e ao passar pela Praça da República foi metralhado por simpatizantes da Ditadura. Consumou-se então a tragédia”.
Morreram Euclides MIRAGAIA, Mário MARTINS de Miranda, DRÁUSIO Amadeu Martins e Antonio CAMARGO de Andrade...”
Como escreveu o poeta Guilherme de Almeida: “Morreram cedo para viver sempre”.
Terminemos este passeio histórico, exaltando a figura heróica do nosso mártir Cap. Alberto Mendes Junior, morto pelo guerrilheiro Lamarca, no Vale do Ribeira, em 1970. Mendes Junior cumpriu aquele juramento sagrado à Bandeira... cuja Honra, Integridade e Instituições defenderei com o sacrifício da própria vida!

domingo, 23 de junho de 2013

CURIOSIDADES

Criada a Polícia Militar de São Paulo, em 15 de dezembro de 1831, com o nome de Guarda Municipal Permanente foi o seu primeiro Comandante o Alferes José Gomes de Almeida, comissionado no posto de capitão.
Os 30 soldados de Cavalaria foram comandados pelo capitão Pedro Alves de Siqueira, também comissionado. Ambos eram veteranos das lutas do Sul, Campanha da Cisplatina.



O primeiro Quartel dos Permanentes foi numa ala do convento Nossa Senhora do Carmo, onde se situa hoje a Secretaria da Fazenda, esquina da Av. Rangel Pestana e Rua do Carmo.



Dentre as organizações militares do país, talvez a pioneira no serviço de psicologia, organizado e reconhecido pelo seu teor científico, foi a nossa PM.  Os testes de nível mental e de personalidade foram aplicados na seleção de ingresso, em 1949 por oficiais diplomados no Instituto de seleção e orientação profissional (Fundação GV) e na Sorbonne, em Paris.



O primeiro oficial da corporação a se formar em Direito foi o capitão Manoel Batista Cepelos, também o primeiro a ocupar o honroso cargo de promotor público em algumas cidades do Estado de SP e RJ.
Das fileiras da Força Pública no começo do séc. passado, para ingressar no Ministério Público, depois de se formar pela Faculdade do Largo de São Francisco.
O nosso primeiro batalhão da luta conta os Federalistas de Gumercindo Saraiva em 1893-94, ajudando a defender a  jovem República. Lutando na Guerra de Canudos em 1897 contra os fanáticos de Antônio Conselheiro.
Batista Cepelos foi um primoroso poeta, descrevendo inúmeras obras,  destacando-se "Os Bandeirantes", poemas que descreve, com graça e propriedade as tradições e costumes da pequena cidade, dialogando com o Rio Tietê e antevendo com um profeta o grande progresso de São Paulo.

domingo, 9 de junho de 2013

EVANGELINA

Nos idos de 1943, o Ten. Cel. Sebastião do Amaral, Comandante do Regimento de Cavalaria da Força Pública, e o Diretor da Sociedade Hípica Paulista combinaram a realização de um concurso hípico entre as duas Entidades, culminando com a apresentação de um Carroussel, com o objetivo de angariar fundos para a compra de um avião ambulância, que seria doado à Força Aérea Brasileira, para o seu emprego em auxílio dos bravos expedicionários do Brasil, que lutavam nos campos da Itália, na Segunda Grande Guerra Mundial (1939-45), defendendo as nações democráticas contra o nipo-nazi-facismo.
Integravam o Carroussel doze oficiais diplomados pelo Curso de Alta Equitação do Regimento.
O Carroussel foi um sucesso, o ponto alto da festa, espetáculo grandioso e de rara beleza, sobre impressionar a fina platéia da sociedade paulistana, emocionou-a! E não era para menos, porque o movimento uniforme e cadenciado dos soberbos animais – zainos e alazões – pôs em evidência o alto adestramento, numa demonstração soberba. Dóceis e obedientes, eles estavam como que inteirados da grandeza do motivo que deu azo àquela magnífica realização, doar à Aeronáutica o avião ambulância, batizado com o nome de Evangelina.
Evangelina Wright Paes de Barros Oliveira foi das primeiras vítimas do Brasil na Segunda Grande Guerra, encontrando a morte em consequência do torpedeamento de um navio da nossa Marinha Mercante, no qual viajava com seu esposo (nossa Marinha perdeu dezenas de navios no Atlântico, afundados por submarinos alemães, vitimando centenas de vidas).
Trágica lua de mel! Quando criança, Evangelina sempre habitou as terras elevadas da fantasia. Unindo seu destino ao homem dos seus sonhos, ela sublimou a mágica alegoria da felicidade.

“O oceano que absorveu o seu corpo seja bendito”.

Agora, Evangelina, permita-nos que falemos do seu avô, o inglês Edmundo Wright que, no último quartel do século XIX, adotou o Brasil como Pátria, São Paulo como morada e o Corpo de Cavalaria como destino.
Qual mãe generosa, a Tropa Paulista abriu-lhe os braços e o fez seu soldado, defensor da Lei e da Ordem.
Em 1895, Edmundo Wright, comandou o Corpo de Lanceiros, hoje, Regimento “9 de Julho”. Quando, já aposentado e integrado na família paulistana, gozando o repouso dos homens impolutos, deflagra a Primeira Grande Guerra (1914-18), eis que o bravo guerreiro interrompe o seu descanso e ruma à Pátria de origem para defendê-la, lutando pelo sagrado postulado da Democracia. Na dura refrega, à frente dos lanceiros ingleses, é varrido pela metralhadora inimiga. Nos estertores da agonia é certo que ele voou, na sua agonia, à bela São Paulo, para beijar a esposa e filhos brasileiros.

“Bendito o solo da França que acolheu o seu corpo”.

Como são misteriosos os desígnios de Deus! Avô e neta, heróis de duas Guerras, mártires de dois mundos.

segunda-feira, 27 de maio de 2013