Boa leitura!

domingo, 1 de junho de 2014

ESTÓRIAS PICANTES

     Há muitas passagens interessantes, que ouvimos alhures, que precisam ser repassadas, para que não sejam esquecidas na voragem dos tempos, sendo necessário que os aprendizes de agora, passem-nas para frente, para outras pessoas, que também repetirão às gerações vindouras.
     Vou começar com uma estória, que não é nossa e sim do Exército Americano, em plena Segunda Grande Guerra Mundial (1939-45). Sabemos que o Exército do Tio Sam invadiu o norte da África, para combater os inimigos nazi-fascistas, (Hitler e Mussolini), e isso aconteceu com a ajuda do Brasil, autorizando o trampolim para a África na base de Natal, no Rio Grande do Norte.
     Não me lembro se foi no Egito ou no Sudão, população de cultura árabe ou muçulmana, quando um coronel americano ficou furioso com a seguinte cena em pleno deserto:

Uma mulher grávida, com um menino nos braços, com feixes de lenha na cabeça, três filhos pequenos agarrados à sua saia, caminhava pelo deserto, tendo à frente o seu marido montado num belo corcel. O coronel, num gesto brusco, fez apear o chefe daquela pobre família, com voz de prisão e, com palavras incisivas, advertiu-o de sua atitude desprezível, vergonhosa, ele a cavalo e sua mulher exausta, grávida, carregando uma criança, com feixes de lenha na cabeça e filhos menores agarrados a sua saia...
Nesse momento, a mulher tomada de ira, debaixo de um calor abrasador, ameaçou agredir o coronel, proferindo as seguintes palavras, traduzidas por um assessor árabe: O senhor não tem nada com a nossa vida, cuide da sua. Deixe-o em paz para nossa caminhada. Quero o meu marido bem descansado em casa esta noite.

     O Mal. Floriano Peixoto foi nosso segundo Presidente da República, sucedendo ao Mal. Deodoro da Fonseca, que, doente e atribulado pelas lutas políticas, renunciou, passando o governo ao seu vice-presidente, em 1891.
     O novo Presidente, pela Constituição, seria obrigado a convocar novas eleições, mas não o fez. Continuou governando o Brasil, com mão de ferro e muitos almirantes e generais que reclamaram, foram despojados de suas funções e reformados.
     Na Revolta da Armada, em 1893, no Rio de Janeiro, os Alms. Saldanha da Gama e Custódio de Melo aliaram-se aos Federalistas do Rio Grande do Sul, comandados por Gumercindo Saraiva. A intenção, entre outras, era a restauração da Monarquia.
     O Presidente de São Paulo era Bernardino de Campos, que, ajudou Floriano Peixoto a consolidar a novel República, ordenando à Força Pública, que fechasse todos os portos do litoral paulista, impedindo o desembarque de navios de guerra da Marinha e também guarnecesse a fronteira do Paraná, ameaçada de invasão pelos rebeldes do sul. Depois da retirada dos federalistas gaúchos, o nosso 2º. Batalhão de Caçadores também tomou parte no cerco da Lapa, próximo a Curitiba, de lá voltando vitorioso com o título de “Dois de Ouro”.

     Vamos deixar a história de lado e penetrar em duas estórias de Floriano:


     No posto de Major, Floriano comandava um Batalhão de Caçadores, sediado numa cidade do interior de Santa Catarina.
     Além de suas funções normais como Comandante, o que mais o irritava eram as constantes aparições de mães, queixando de soldados do Batalhão, que “teriam feito mal” às suas filhas. Eram dezenas de mães aflitas, que jogavam ao nobre major a solução de seus problemas.
     Floriano, depois de consultar seus oficiais, deliberou reunir no quartel todas as mães queixosas, que, pressurosas, atenderam ao convite e dezenas delas reuniram-se na ante-sala do Comando. Calmamente o major ouvia queixas e mais queixas do grande mal, praticado pelos seus subordinados. Depois de algum tempo sentenciou: Senhoras mães, segurem as suas cabras em suas casas, que eu segurarei os meus bodes no quartel. E a reunião foi terminada.



     Algum tempo depois, no mesmo quartel do interior de Santa Catarina, o Maj. Floriano recebeu a visita de uma mocinha, queixando do soldado tal, que dias antes, num domingo à noite, numa praça deserta, os dois de folga, quando aconteceu a tragédia, pois tinha sofrido o grande mal, cometido pelo seu namorado; inconformada, ela pediu uma solução enérgica do Comandante, talvez obrigando o soldado a casar.
     Floriano ouviu com muita serenidade, resolvendo, tomar por termo as declarações da queixosa. Perguntas, respostas, mais perguntas e respostas, chegou ao fim a declaração acusatória da grande “vítima”.
     Foi lido todo o termo declaratório, chegando a vez das assinaturas, da mocinha e do Comandante.
     Na época, as canetas eram diferentes, dotadas de pena e esta tinha que ser molhada e, quando ela ia assinar, o major mudava a posição do tinteiro; repetiram-se as cenas várias vezes e sempre o tinteiro mudava de posição, pelas mãos do Major.
     Aí a moça reclamou: “Como é que o senhor manda assinar e tira o tinteiro da caneta?” Calmo e fleugmático, Floriano respondeu:

    - Porque a senhorita também não fez o mesmo naquela noite de domingo no parque deserto?...

     É atribuída a Floriano a seguinte frase:

     "Para quem Deus não deu filhos, o diabo deu sobrinhos".

domingo, 4 de maio de 2014

O Centenário da Aviação Militar Paulista

Entrega da Salva de Prata ao Grupamento Aéreo - "João Negrão"
Do lado esquerdo está D. Juraci, filha do heróico piloto do Hidroavião JAHÚ 


No dia 30 de abril pp, a Câmara Municipal de São Paulo prestou uma homenagem ao Grupamento Aéreo, ofertando-lhe uma salva de prata.
Nessa oportunidade, foi o lançamento o livro de minha autoria: O Centenário da Aviação Militar Paulista.
A solenidade foi presidida pelo Cel. Camilo, ilustre vereador paulistano.


Salva de Prata


Oferta do livro ao Cel. Camilo



       Autografando o livro ao Cel. Gamberoni - Comandante do Grupamento Aéreo


O livro em apreço estará à venda nos seguintes postos: 


- Sociedade Veteranos de 32 -MMDC (ao lado do quartel do Corpo de Bombeiros na Praça da Sé);
- Capelania Militar da PM (R. Jorge Miranda, 264);
- Serviço de Subsistência da PM (R. João Teodoro, 413);
- Clube dos Oficiais da Reserva (R. Tabatinguera, 278);
- Associação das Pensionistas da Caixa Beneficente (R. Rodrigo de Barros, 97).





sábado, 12 de abril de 2014

CURIOSIDADES

O OCEANO COMO TÚMULO


Em 1931, Vasco Cinquini morreu tragicamente ao pilotar um avião na Bahia de Santos. Seu corpo e o aparelho repousam no fundo do oceano.

É bom lembrarmos que Vasco Cinquini foi um dos heróis, tripulante do Hidroavião Jahú (glória nacional) no voo histórico da Itália ao Brasil em 1927.


                                                                      - / - 

Os Tenentes Machado Bitencourt e Gomes Ribeiro, pilotos da Aviação Militar Constitucionalista, em 1932, morreram heroicamente no bombardeio de um avião de guerra da Ditadura durante a Revolução, que barrava o Porto de Santos, impedindo o desembarque de farto material bélico comprado nos Estados Unidos. 

Como Vasco Cinquini também o aparelho e os seus pilotos jazem no fundo do mar na Baia de Santos perto do Farol da Moela.

                                                                   -/ - 

Mudando de assunto, faço uma pergunta aos meus amigos: é possível um Segundo Tenente na Reserva subir na carreira e ascender ao posto de Coronel?!

Eu conheço dois casos! Para algum amigo curioso, contarei essa história reservadamente.....

sábado, 5 de abril de 2014

TRÊS COMANDANTES DO MEU TEMPO

A Academia da Polícia Militar do Barro Branco teve várias denominações: 1910 – Curso Complementar Literário e Científico, indicação da Missão Militar Francesa; 1913 – Corpo Escola, compreendendo Curso Geral para Inferiores e Curso Complementar para Alferes e Tenentes, também organizado pela Missão Militar Francesa; em 1920 mudou a denominação para Batalhão Escola; 1924 – O Batalhão Escola é agora o Centro de Instrução Militar (CIM); 1950 – passa à denominação de Centro de Formação e Aperfeiçoamento (CFA); 1970 – Com a fusão da Força Pública e Guarda Civil recebe outro batismo, é agora Academia de Polícia Militar; 1978 – até os dias de hoje é Academia de Polícia Militar do Barro Branco. 
Neste contexto histórico, queremos citar três eméritos comandantes do nosso notável estabelecimento de ensino:


CORONEL JOSÉ FRANCISCO DOS SANTOS

Comandou o Centro de Instrução Militar (CIM) por vários anos, na época Getuliana dos Interventores Federais nos Estados. Era obrigatória a presença do Interventor na festa do Espadim (24/5) e na festa da Espada, no dia 15/12, tradição que continua até hoje. Os Interventores mudavam, mas o Cel. José Francisco dos Santos não, sempre firme no comando. Por 10 anos, ou mais, ele discursava, saudando o Interventor e os Cadetes em maio e o Interventor e os Aspirantes em dezembro. Pragmático, os seus discursos eram um caminho a seguir, continham ótimos conselhos e exemplos dignificantes. Mas... os anos se passaram e o Cel. José Francisco dos Santos, contra a sua vontade, foi passado para a Reserva. Retirou-se da sua querida Força Pública e do seu amado CIM, na época, já localizado no Barro Branco. Mais e mais anos decorreram, os seus cabelos branquearam, suas pernas enfraqueceram e sua mente era povoada de sonhos e saudades.

Aos 85 anos adoeceu, baixou ao hospital várias vezes, mas há sempre uma última vez. Na véspera da sua morte, na Cruz Azul, delirou, e é certo que seu pensamento vagou pelas epopéias de 22, de 24, de 30 na Batalha de Itararé, no Túnel da Mantiqueira em 32.

Quantas visões e sons desconexos, pela madrugada afora, em sua mente agonizante! No pesadelo ou sonho dos heróis, também teria voado para os campos do Paraná, na Foz do Iguaçu, com os Legalistas de São Paulo, defendendo a União, contra os revoltosos de Isidoro Dias Lopes, de Miguel Costa e de Luiz Carlos Prestes. No seu delírio, continuou o voo pelas terras de Mato Grosso, Goiás, todo o nordeste até Minas Gerais. De Minas, a Coluna retornou quase que pelo mesmo roteiro da ida e se exilou na Bolívia em 1927, acossada pelos homens da lei.

O Cel. José Francisco dos Santos agoniza e sonha ainda mais – teria lido a Retirada dos Dez mil de Xenofonte, as Guerras de Hamilcar e Aníbal, os Generais de Cartago e se convence que, nos 3 anos de guerrilha, a nossa epopéia é bem maior, é mais épica, são 30 mil quilômetros de agruras, fome, sede, as intempéries do tempo e a luta pelo interior do Brasil... Muito nevoeiro aqui no Barro Branco, minha filha, estou com frio... 

De inopino, já madrugada, ele se levanta, assume a postura espartana e pede a sua filha o seu fardamento e o boné. Atônita e preocupada, ela improvisa, entregando-lhe um pijama, à guisa de farda e um chapéu substituindo o quepe. O velho soldado se veste, põe o ”boné”, empertiga-se todo e se perfila:

- Estou bem minha filha? O meu uniforme está correto?
- Sim papai.
- Hoje, 24 de maio, o Interventor já está chegando... vou receber sua Excelência...

O velho guerreiro vacila, se inclina, cai, tenta levantar-se, não consegue e... morre!
Este derradeiro diálogo foi me contado pela filha do nosso herói. 


CORONEL HARRISON DE SOUZA FERRAZ

Não menos edificante é a história do Cel. Harrison de Souza Ferraz, o “Paulista de Cabrobó”. Muito jovem, vindo do nordeste, Harrison aportou em terras da Paulicéia, em meio a tiros e canhonaços, em plena Revolução de 1924, chefiada, como já vimos, pelo Gen. Isidoro Dias Lopes do Exército e pelo Maj. Miguel Costa, Fiscal e exímio Cavalariano do nosso Regimento.

Empolgado pela luta, alistou-se nas fileiras da Força Pública, sob o comando do Cel. Pedro Dias de Campos, defensor da legalidade. Foi o primeiro marco da sua caminhada na tropa de Piratininga, que um escritor a descreveu como o Pequeno Exército Paulista.

Após a retirada de São Paulo, as tropas legalistas perseguiram os revoltosos até Foz do Iguaçu, no Paraná, onde também chegou uma pequena Coluna, comandada pelo Cap. Luiz Carlos Prestes, vinda do Rio Grande do Sul.

A perseguição à Coluna Revolucionária, comandada por Miguel Costa (erradamente chamada Coluna Prestes), só terminou em 1927, quando os rebeldes se exilaram na Bolívia.

Em 1930, o Ten. Harrison, comandando um pelotão, participou da Batalha de Itararé, contra as tropas de Getúlio Vargas, que invadiriam São Paulo, a caminho do Catete, mas essa Batalha de Itararé, que seria a maior batalha no Brasil, não aconteceu, é mais um paradoxo da história.

Em 1932, vemos o Ten. Harrison, sob a Bandeira das 13 listras, defendendo o ideal dos Paulistas, nas escarpas da Mantiqueira e da Serra do Mar. Em 1935 defendeu São Paulo na Intentona Comunista de Prestes e em 1938 na Ação Integralista de Plínio Salgado. 

Harrison galgou todos os postos da hierarquia militar por merecimento, e no entremeio de suas atividades castrenses dedicou-se à literatura, publicando mais de uma dezena de livros, enaltecendo sempre o seu idealismo pela Pátria, por São Paulo, a sua terra de adoção e a sua querida Força Pública. Foi membro do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo, da Academia de Letras, Academia de História e tantas outras entidades culturais e, mercê de sua inteligência, cultura geral e profissional, o Governador Carvalho Pinto o nomeou Comandante Geral. O soldado raso de 1924 é agora, em 1960, o Cel. Comandante Geral da Milícia Paulista. Como descrevi sobre o Cel. José Francisco dos Santos, também a história de Harrison, no fim da vida, foi emocionante, edificante, sentimento e emoção! 

Passaram os anos, ele, agora na Reserva, envelhece e fica gravemente enfermo. Seu filho Inhaúma convenceu sua mãe, dona Haidê, a transferir a residência para o Rio de Janeiro, esquecendo que a cidade maravilhosa para o Cel. Harrison era São Paulo. 

Em 1983, fui ao Rio de Janeiro e visitei a família, queria conversar com o coronel, levar a minha homenagem ao grande amigo, ao grande mestre, de quem recebi aulas maravilhosas da nossa história; estava em estado de coma, também delirava, pronunciando sons desconexos, eram os pesadelos, os sonhos dos heróis. Dona Haidê, dedicada esposa, muito triste, contou-me que, nos últimos dias, nos estertores de seus sofrimentos pedia:

- Haidê, me leva pra São Paulo...
- Haidê, me leva pra São Paulo...
- Me leva pra Praça da Sé, Haidê. Me leva pra Praça da Sé Haidê.

Três dias depois, já em São Paulo, recebi um telefonema de dona Haidê – Harrison morreu... fiz uma oração e um pedido de paz para a alma do grande comandante, do grande guerreiro. 


CORONEL HELIODORO TENÓRIO DA ROCHA MARQUES

Durante minha vivência na PM, iniciada em 1939, desde que assentei praça no antigo CIM da Força Pública, até os dias de hoje, neste nosso último Quartel, e lá se vão muitos anos, encontrei gentes de alto quilate, homens de invulgar conduta moral, verdadeiros mestres, exemplos edificantes de inteligência, cultura, honradez, civismo e outras tantas virtudes, que marcaram muito a minha vida.

Já tive o privilégio de nomear muito deles e, hoje estou escrevendo sobre um instrutor de raras qualidades e excelsas virtudes, que, em suas aulas, inflamava a consciência de todos os cadetes com a seguinte expressão:

Os senhores, Militares da nossa Centenária
Corporação, pertencem à classe Nobre da Nação

Essa frase até hoje ecoa em minha mente, e em meu coração, ressoando também nas mentes e corações de todos os que tiveram a honra de ter, o saudoso e nobre Cel. Heliodoro Tenório da Rocha Marques, como condutor de homens, mestre emérito e inconfundível, norteando-nos no sacrossanto dever em defender a Pátria, naqueles tempos envolvida na 2ª. Grande Guerra, contra o nazi-nipo-facismo. 

A biografia do Cel. Heliodoro é exuberante! Naturalidade pernambucana, paulista de coração, brasileiro acima de tudo, nascido em 1904, no município de Pedra. Sem perspectiva em seus pagos, mudou-se para São Paulo, alistando-se como soldado da Força Pública em 1921 com apenas 16 anos de idade.

Galgou todas as promoções de praça, matriculou-se no Curso Especial Militar, sendo declarado Aspirante em 1924.

Participou da Revolução de 1924, sendo promovido a 2º. tenente em julho, a 1º. tenente em novembro desse ano, ambas por ato de bravura. Em agosto de 1925 já ostentava os galões de capitão, aos 21 anos de idade. No ano seguinte, comandando uma Companhia do 2º. BC, o “Dois de Ouro”, lutou no Paraná ao lado das tropas legalistas contra os revolucionários da Coluna Miguel Costa-Prestes.

Em 1930, capitão do 3º. Batalhão de Caçadores, defendeu Itararé, Senjés e Morungava, contra as tropas getulistas comandadas pelo Gen. Miguel Costa. Em 1931 participou da Abrilada, o 1º. protesto contra a Ditadura Vargas, sendo preso com dezenas de oficiais e praças. Como castigo, foram todos transferidos para Delegacias de Polícia do interior.

A Revolução Constitucionalista de 1932 é o ponto alto do seu patriotismo. Sua atuação é febril na luta de São Paulo, defendendo os postulados da Democracia, exigindo a Lei Magna, a Constituição Brasileira. Em abril desse ano é ferido pela explosão de uma bomba, matando o Cel. Júlio Marcondes Salgado, Comandante Geral da Força Pública e seu assistente, o Maj. Marcelino. Na frente sul, comandou o Batalhão “14 de Julho”, composto por jovens universitários, nos duros combates de Buri e Capão Bonito.

Terminada a Revolução foi preso, processado pelo Governo Ditatorial e, quando ouvido a termo, afrontou os seus interrogadores, confirmando sua participação na execução da luta, afirmando que lamentava a derrota de São Paulo e que, se pudesse, faria tudo novamente.

Afastado das fileiras da Força Pública, escreveu um livro de parceria com o Cap. Odilon Aquino de Oliveira, o clássico “São Paulo contra a Ditadura”, obra prima sobre a Revolução, que teve várias edições apreendidas pela polícia política de Getúlio. Os dois oficiais foram reformados administrativamente e só voltaram à ativa com a anistia em maio de 1934.

Em 1938 foi promovido a major e classificado no CIM, como Diretor de Ensino até 1944, transmitindo as várias gerações lições magníficas da carreira militar e cidadania. Em 1945, promovido a tenente coronel, por merecimento, nomeado comandante do 6º. BC em Santos. Dois anos depois voltou ao CIM, comandando as Escolas de Oficiais, Sargentos e Cabos. Em 1953 no posto de coronel assumiu o Cargo de Chefe do Estado Maior da Corporação, passando para a Reserva em 1960.

Passam os anos, os heróis também adoecem, envelhecem e morrem. Seu dedicado filho, o Cel. Paulo Tenório, escudeiro fiel, vigiava sempre os seus passos.

Às vésperas da grande viagem, os pesadelos, que são os sonhos dos bravos, rodeavam o herói agonizando, que balbuciava frases confusas, todas elas girando em torno da sua vivência guerreira, nos campos de Goiás, Mato Grosso, de Itararé, Morungava, Catiguá... as trincheiras de Buri, da Mantiqueira, do Túnel...fechou os olhos aos noventa anos.

domingo, 9 de março de 2014

PADRE CALAZANS NOS CONTOU

          Num bairro pobre de Paris, um Padre recebeu ordem de seu Bispo para construir uma igreja. Bairro proletário, habitado em grande parte por materialistas e comunistas. Era época de Stalin, o ditador da União Soviética.
           Missão impossível... mas a ordem tinha que ser cumprida!. Dias e noites barbarizavam a mente do pobre sacerdote até que, numa madrugada, ele em oração suplicando a Deus uma luz nas trevas, eis que uma pedra cai em seu colo, sem antes estraçalhar a vidraça de seu quarto. Assustado a princípio,  passados alguns minutos sua mente e alma se iluminaram e, caindo de joelhos, em prantos, agradeceu a Deus a Sua mensagem, pois aquela pedra seria a primeira a ser empregada na construção do novo Templo.
         Em seus sermões em galpões improvisados, pequenas famílias se empolgaram com essa mensagem divina e a notícia milagrosa se espalhou aos quatro ventos e uma multidão se converteu.
         O formigueiro humano então se formou, homens, mulheres, velhos e crianças na ajuda à santa missão, aquela ordem episcopal.
              Corroído pelo remorso, aquele homem rude, autor da pedrada, procurou o padre, confessou seu pecado e, em lágrimas ofereceu seu trabalho, tornando-se um cristão, mais um pedreiro de Deus. Em pouco tempo os sinos repicavam saudando a nova Casa do Senhor.


                                     


              Dois amigos se encontraram em Jerusalém, às vésperas da Semana Santa e a conversa entre eles, naturalmente, se concentrava em torno de Jesus Cristo, Sua vida, a Via Sacra, o Golgota, a crucificação e outros assuntos.
          Um deles, católico fervoroso e outro, um famoso engenheiro incrédulo, duvidoso entre a materialidade e a espiritualidade da vida. Este contou ao amigo que tinha vasculhado todo o terreno pisado por Cristo e, com aparelhos sofisticados sondou e revolveu toda a terra da caminhada de Jesus, de Belém a Jerusalém, não encontrando prova alguma de Sua existência divina.
          O amigo piedoso ainda tentou argumentar mas ele não se convenceu. Despediram-se, era véspera da Sexta Feira da Paixão.
           Tomado de grande espanto o homem piedoso ficou estático com a cena que se deparava a sua frente:... suando em bicas, “flagelado” pelos centuriões romanos, estava lá o engenheiro, simulando Cristo, carregando a Cruz nas ruas estreitas à Caminho do Calvário.
         Finda a Via Crucis, o engenheiro banhado em lágrimas, esfalfado e desfalecido abraçou o amigo confessando: as palavras vãs de ontem nada valem, o que vale é ter Jesus em meu coração.



                                                   

                             Quantas Divisões tem o Papa?

                                                                        Na organização de um Exército,
uma Divisão tem o efetivo
 de aproximadamente 
15.000 combatentes.
           

           Era o dia 5 de março de 1953. Entusiasmados, assistíamos a mais uma conferência do agora Monsenhor Benedito Calazans, na época considerado o maior orador sacro da igreja católica de São Paulo. Diga-se de passagem que Calazans tinha sido nosso professor de Ética na antiga Escola de Oficiais da Força Pública.
           Já terminando a bela conferência, o padre Godinho, seu amigo (Godinho era Deputado Estadual e Calazans  Senador da República, ambos pela UDN) lhe dá a notícia da morte de Stalin, que havia assumido o poder da União Soviética, sucessor de Lenine, o Chefe da Revolução Bolchevista de 1917.
           O Senador emudece, seu olhar vago, palidez em seu rosto, segundos de meditação. A situação deveras traumática... Stalin, o chefe do comunismo, o homem de aço, o matador de milhões de russos brancos, o construtor do muro de Berlim, o responsável pela Guerra fria... estava morto!
           Voltando do êxtase, Calazans nos olha fixamente, domina a plateia e nos conta que, no início da Segunda Grande Guerra Mundial (1939-45), em uma entrevista fora ressaltada por um jornalista a posição do Vaticano, ferrenhamente contrário aos ditames do comunismo ateu. Stalin, extravasando todo seu ódio respondeu:

                                 Quantas divisões tem o Papa?!

            Altaneiro, numa postura espartana, o Senador Calazans vibra e nos fala, terminando sua conferência: a estas horas Stalin está sabendo quantas divisões tem o Papa!.


                    Calazans faleceu aos 95 anos, todos eles dedicados à Pátria e a Cristo.

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

A REPÚBLICA DO MARECHAL DEODORO

A 13 de maio de 1888, a Princesa Isabel, a Redentora, com a Lei Áurea, abalou os alicerces do Império e o trono de seu augusto pai, D. Pedro II. Precisamente um ano e meio após, a 15 de novembro de 1889, o Marechal Manoel Deodoro da Fonseca proclamou a República, obediente a uma ala do Exército, e às pressões dos Partidos Republicanos de várias Províncias e dos fazendeiros, que ficaram sem o braço escravo.

Adoentado, recolhido ao seu lar, o Mal. Deodoro foi convencido a comparecer em praça pública, orientado por oficiais do credo positivista e, a cavalo, descoberto, bradou: Viva a República, assumindo de imediato a chefia do Governo Provisório.

Em 1891, amparado pela Constituição, foi eleito Presidente da República, vencendo a eleição, competindo com o Senador Prudente de Morais.

Falemos um pouco de sua vida: nasceu em Alagoas, atual Deodoro, em 1827, no Estado de Alagoas. Pertencia a uma família ilustre. Eram 10 irmãos; os 8 homens escolheram a carreira militar e 3 deles morreram na Guerra do Paraguai (1865-70). Seu irmão mais velho Hermes Ernesto da Fonseca foi pai de Hermes da Fonseca, Presidente da República de 1910 a 1914.

Deodoro, em 1843, já era Cadete do Exército. Como Tenente, participou da repressão à Revolução Praieira em Pernambuco, em 1848. Em 1859, como Major foi transferido para Mato Grosso e, em 1864 foi incorporado à Brigada Expedicionária do Rio da Prata, assistindo à queda de Montevidéu. Em 1865 participou ativamente na Guerra do Paraguai, tomando parte nas memoráveis batalhas sob o comando de Caxias. Em 1873 foi promovido a Brigadeiro (equivalente hoje ao posto de General de Brigada). Em 1883, já Marechal do Exército, foi comandante das Armas da Província do Rio Grande do Sul, assumindo em 1885 o Governo daquela Província gaúcha. Em 1887 conseguiu apaziguar centenas de Oficiais do Exército, na Questão Militar, conseguindo do Imperador o cancelamento de suas punições. Como Presidente do Clube Militar, solicitou à Princesa Isabel que dispensasse o Exército da tarefa de perseguir escravos fugidos, pois achava uma função indígna para os militares, sendo atendido. Em dezembro de 1888 assumiu o Comando das Armas de Mato Grosso, sendo transferido para o Rio de Janeiro no ano seguinte. 

Apesar de ser amigo do Imperador D. Pedro II, gozava de grande prestígio junto à Tropa e acabou colocado à frente do Movimento Militar que derrubou a Monarquia. Como chefe do Governo Provisório, entrou em conflito com as lideranças civis, resistindo à convocação da Assembleia Constituinte.

Sua eleição à Presidência, em 1891, foi garantida graças à pressão dos militares contra Senadores e Deputados Federais. No intuito de reforçar o poder do Executivo, Deodoro fechou o Congresso em 3 de novembro, decretando também o estado de sítio, com a promessa de realizar novas eleições e promover uma revisão na Constituição.

Depois de muitas brigas políticas com os saudosistas do Império, a Marinha revoltada, sofrendo a crítica incontrolada da sociedade por ter fechado o Congresso Nacional e decretado estado de sítio, Deodoro, desgostoso, doente e desiludido, renunciou à Presidência da República, com a seguinte frase: “Acabo de assinar o Decreto de Alforria do último escravo no Brasil”.

Assumiu então a Presidência o Mal. Floriano Peixoto que, com a mão de ferro, consolidou a República, depois de luta sangrenta contra a Marinha dos Alms. Custódio José de Melo e Saldanha da Gama e também contra os Federalistas do Rio Grande do Sul.

segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

UM SALTO EM PRÓL DA CRUZ AZUL

Na Revolução de 1924, no combate dos revolucionários para a conquista do Morro do Cambuci, defendido pelo legalista Coronel Pedro Dias de Campos, houve muitas mortes e feridos e, para socorrê-los, elementos da Cruz Vermelha brasileira. Logo que encerraram os seus trabalhos, abandonaram o sítio, depois de localizarem detidamente o Posto de Comando do Coronel, que segundos depois foi intensamente bombardeados.

O grande comandante, já desconfiado antes, agora teve a certeza de que a Cruz Vermelha espionava para os revoltosos de Miguel Costa e Cabanas.

Ferido levemente, ele observou a sua frente uma senhora e sua filhinha, esta vestida de azul. Naquele momento, Pedro Dias de Campos fez um juramento: neste morro construirei um hospital para as famílias dos meus soldados, que se chamará CRUZ AZUL, inspirado na cor do vestido da menina órfã. Construirei também uma escola para os filhos dos meus combatentes.

O sonho de Pedro Dias foi concretizado o Hospital da Cruz e o nosso esplêndido Colégio da Polícia Militar.

Finda a Revolução, o Coronel Pedro Dias de Campos lançou mão de todos os recursos para concretização do seu sonho. Eventos sociais, como reuniões dançantes, jogos, quermesses, rifas, demonstrações de esgrimas, etc, arrecadavam fundos para as duas meritórias obras. Até um Jazz Band foi criado para, tocando Fox ou Fox Trote, alucinantes músicas da época, pelo interior afora, para a nobre missão.

Era a “Belle Epoque”, do vestido godê, da palheta, dos bondes de 100 réis, das varandas e dos Coronéis.

Tudo...tudo era lucro. A mão de obra era tirada dos quartéis, todos os Batalhões selecionando os seus carpinteiros, pedreiros, eletricistas, treinando os muares para as caçambas, etc.

Mas o Comandante Pedro Dias de Campos, com toda a sua criatividade, organizou, em fins de 1925 uma festa no Campo de Marte que deu o que falar. Na festa, a aviadora francesa Janette Caillé executaria um salto de pára-quedas como parte das atividades.

O preço da entrada era 5 mil réis e todo campo ficou lotado para ver os audaciosos malabarismos da aviadora, inéditos em São Paulo. Entre os presentes estavam o Presidente do Estado, Dr. Washington Luiz, todo o seu Secretariado e um enorme público, mas, na última hora, a aviadora adoeceu e mandou avisar o Coronel Pedro Dias que não poderia saltar.

Diante do imprevisto e não podendo desapontar o público, o genial comandante reuniu todos os aviadores, oficiais da Força Pública, solicitando um voluntário para saltar.

Os 15 aviadores empalideceram, quedaram-se mudos, não apareceu nenhum voluntário, então Coronel “escolheu” um voluntário, apontando o Tenente Antonio Pereira Lima.

Sem poder contestar, o tenente, em poucos minutos, sentiu os outros aviadores, “mui amigos”, colocarem os pára-quedas nas suas costas e amarrarem os tirantes. Aliviados, seus colegas davam-lhe tapinhas nas costas dizendo: “não tenha medo Pereira Lima, não é nada, é fácil”. 

Muito nervoso, Pereira Lima não percebia a tremedeira dos outros, que tinham medo que o coronel mudasse de idéia e escolhesse um deles para a arriscada missão.

Rapidamente, o improvisado pára-quedista foi jogado dentro do avião, pilotado pelo instrutor americano Horton Hoover. Quando o avião já tinha ganho altura suficiente, o piloto fez sinal para o salto. O tenente meio tonto andou pela asa do avião e ia saltar, mas aí... cadê a coragem. Agarrou-se com toda força numa barra de ferro que ligava os dois planos de asa e gritou ao americano: “daqui não saio, daqui ninguém me tira”.

Vendo que o tenente não tinha coragem realmente de saltar, o experiente instrutor executou um “looping”, projetando-o para fora do avião. Por uns instantes o pára-quedista perdeu a noção das coisas, desmaiou, até que uma grande sacudida e uma dor muito forte em seus membros o acordaram. Seus colegas, no desespero de se livrarem da missão, haviam colocado, erradamente, uma tira de couro, que, na abertura do pára-quedas prensou sua genitália.

A dor se tornou insuportável, fazendo-o perder os sentidos; todo desajeitado, com as pernas abertas, caiu sobre um automóvel de chapa branca, a sorte é que a capota era de lona e amorteceu a queda.

Foi o tenente Pereira Lima carregado em triunfo pelos seus colegas, até as autoridades que o saudaram como herói, ganhando muitos abraços e cumprimentos. Quando achava que o pesadelo tinha terminado, o coronel Pedro Dias olhou feio e disse:

“Tenente, o senhor saltou de pernas abertas”! Deveria saltar na posição de sentido! Ah! E tem outra coisa, o senhor vai pagar o conserto da capota do meu carro, OUVIU?!

sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

DISCURSO DE PARANINFO

É uma grande honra para um veterano, já no outono ou no inverno da vida, receber esta homenagem, ser Paraninfo dos formandos do Curso de Aperfeiçoamento de Sargentos da Gloriosa Policia Militar de São Paulo.

Acreditem dignas Autoridades, acreditem Senhoras e Senhores, acreditem meus queridos Afilhados, que este esplêndido galardão, generosamente a mim conferido, alegrará, e muito, os dias de minha velhice. É para mim um orgulho, encantamento honra e glória este momento, paraninfar os 400 2.ºs Sargentos, diplomados no Curso de Aperfeiçoamento, dignos operadores do Sistema de Segurança Pública do Estado. É como receber uma joia rara de grande valor, uma relíquia que guardarei ad eternum no escaninho do meu coração.

Dignos Sargentos, os senhores pertencem à classe nobre Bandeirante. Sim!!! Os senhores envergam a farda heróica e gloriosa da maior e melhor Polícia Militar do Mundo! É a Tropa Paulista que o Brigadeiro Rafael Tobias de Aguiar plantou, em 1831, no sagrado chão de Piratininga.

Neste momento, aflora em minha mente a recordação de antigos Sargentos, meus instrutores quando eu, recruta nos meus 18 anos, no Quartel do 7.º BC, em Sorocaba, iniciava minha carreira.

Valorosos mestres, com os quais aprendi, além da arte da guerra, os sábios ensinamentos, conselhos paternais e éticos que me ajudaram a plasmar o meu caráter, ensinando-me os primeiros passos na antiga e saudosa Força Pública.

Confesso que eu nunca esqueci desses bons amigos do passado: Sargentos Ulisses, Deoclecio, Ribeiro, Stanislao Custódio e tantos outros que habitam a minha memória e a minha saudade.

Permitam-me meus caros afilhados que façamos um passeio rápido pela nossa história. De um modo geral, todas as promoções nos quadros da Corporação, tanto na época imperial ou republicana, eram feitas por ato de bravura ou ato do Comando, até que chegou em 1906 a 1.ª Missão Militar Francesa (1906-1914) a 2ª Missão (1919-1924).

Os franceses ordenaram o nosso ensino e a nossa cultura, criando a Escola do Soldado, Escola do Cabo, Escola do Sargento e Escola do Oficial, regulamentando todos os Cursos, aprimorando instrução, dotando a Força Pública de armamentos modernos, Táticas e Estratégicas nos moldes dos Exércitos Europeus. Éramos então conhecidos como o PEQUENO EXÉRCITO PAULISTA.

Permitam-me dignas autoridades, senhoras e senhores, meus caros formandos que continuemos esse passeio histórico que tem a poesia de Guilherme de Almeida e a musicalidade do Major De Gobi, sublimados em nossa bela canção. Comecemos pela Guarda Municipal Permanente de Feijó e Tobias que, em 1836 participou da Guerra dos Farrapos, defendendo o Império Brasileiro contra a República de Piratini, perecendo quase todo o seu efetivo, os Cento e Trinta de Trinta e Um, na dura refrega.

Vejamos outras Guerras e Revoluções:

1842 – Revolução Liberal de Sorocaba
1865/70 – Guerra do Paraguai – Corpo Policial Permanente;
1893 – Revolta da Armada- Força Pública;
1897 – Guerra de Canudos;
1922 – Os 18 do Forte de Copacabana (início do Tenentismo);
1924 – Revolução de São Paulo – (continuação do Tenentismo) – Isidoro Dias Lopes e Miguel Costa;
1926 – Coluna Miguel Costa/Prestes (continuação do Tenentismo);
1930 – Revolução de Getulio Vargas (vitória do Tenentismo) – Francisco Morato;
1932 – A Revolução Constitucionalista de 32, o ponto alto da historiologia de São Paulo – General Julio Marcondes Salgado;
1935 – Revolução Comunista de Luis Carlos Prestes;
1938 – Revolução Integralista de Plínio Salgado;
1943 – 2.ª Grande Guerra;
1964 – Revolução Redentora – Vale do Ribeira – Cap. Alberto Mendes Júnior.

Inspirados nesse exemplo guerreiro do passado, tiraremos lições exuberantes para combater a guerrilha dos nossos dias. Recordemos de algumas guerrilhas em nossa terra:

Do Sargento Mor Antonio Dias Cardoso, o rei das emboscadas no século XVII contra os holandeses na Bahia, nos Montes das Tabocas e nos Guararapes;

A de Antonio Conselheiro em Canudos;

Do Monge José Maria na Guerra do Contestado;

A guerrilha do Vale do Ribeira e

A guerrilha do Araguaia.

Vivemos em São Paulo e também em outros Estados da Federação essa perversa guerrilha, onde o inimigo nos vê e nós não o vemos. Por este motivo perdemos no ano passado e neste 2013 mais de 200 Policiais Militares, heróis mártires que cumpriram aquele juramento à Bandeira Nacional... defender as Leis e as Instituições com o sacrifício da própria vida.

Meus caros formandos, sobre os vossos ombros pesarão grandes responsabilidades. O momento é grave mas confiemos na clarevidência do nosso Comandante Geral Cel. Benedito Roberto Meira, confiemos no seu Estado Maior e em nosso Serviço de Inteligência. Tenho absoluta certeza e descobriremos os caminhos das pedras

Rememorando o Sargento Mor Antonio Dias Cardoso, faremos também as nossas emboscadas, valendo-nos dos nossos conhecimentos táticos e de aparelhos eletrônicos de última geração. Desentocaremos os maus brasileiros, os vendilhões da Pátria.
Senhoras e senhores, nesta casa de Deus, nesta festiva e linda manhã de novembro, vamos merecer as bênçãos do divino Criador, pedindo proteger a nossa Pátria, nosso Estado e a nossa gloriosa Polícia Militar. Este paraninfo também pede que Deus abençoe os senhores, meus queridos afilhados, abençoe também suas queridas famílias e suas carreiras em nossa Tropa de Piratininga.

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

MEDALHA MARECHAL CASTELLO BRANCO

Surpresa agradável tive quando recebi uma correspondência da Associação Brasileira das Forças Internacionais de Paz da ONU:

     

Confesso a minha alegria, da minha honra em ostentar em meu peito a medalha de uma figura ímpar da nossa história, Marechal Humberto Alencar Castello Branco, herói da nossa querida Força Expedicionária Brasileira - FEB, homem de letras que, num momento difícil de nossa história, com sua firmeza no comando e retidão de caráter, com acendrado amor ao país nos conduziu para o caminho do bem, da democracia, libertando-nos dos maus políticos, os vendilhões da pátria.

Como o nosso 1º BPM/M, que leva o nome do insígne Marechal Castello Branco comemorava 48º aniversário, a festa foi dupla, presidida pelo coronel Ribeiro digno comandante do CPA/M.

O Esporte Clube Banespa situado à Av. Santo Amaro foi o local das duas magníficas datas.









domingo, 17 de novembro de 2013

CENTO E TRINTA DE TRINTA E UM

Sob as Arcadas vem um a um,
os cento e trinta de trinta e um


Em epígrafe estão os dois últimos versos da Canção da PM, letra do príncipe dos poetas brasileiros, Guilherme de Almeida e música do Maj. Alcides Jácomo Degobi.
Como sabemos, o primeiro nome da nossa Corporação foi Guarda Municipal Permanente, criada a 15 de dezembro, com o efetivo de 130 homens, sendo 100 de Infantaria e 30 de Cavalaria, criada pelo Coronel de Milícia Tobias de Aguiar, Presidente da Província de São Paulo, no ano de 1831.
De um modo geral, conhecemos a história da segurança em São Paulo a partir dessa data, sublimada nas dezoito estrelas de nosso Brasão, mas aqui, prezado leitor, vai a nossa pergunta: Como se fazia, antes de 1831 (o Brasil já tinha 331 anos), a defesa da Lei e da Justiça, enfim quem garantia a segurança pública e a integridade territorial da nossa Capitania, depois Província de São Paulo ou de São Vicente, este o primeiro batismo da terra bandeirante?
Até 1548, a metrópole ignorava a nova descoberta, dando mais importância aos negócios com a Índia, mas preocupada com a segurança da terra, determinou: Cada Capitania fica obrigada a ter, para sua defesa, peças de artilharia, arcabuzes, pólvora, arco de flechas, lanças, espingardas e espadas. 
Com as ameaças de invasão de ingleses, franceses e espanhóis, e mais tarde holandeses, que namoravam as nossas riquezas, a Corte Portuguesa determinou que a nova Colônia tivesse, para sua defesa, a exemplo do que havia em Portugal, Tropas de 1.ª Linha (recebiam soldo), as de 2.ª Linha, as Milícias e 3.ª Linha, as Ordenanças, estas não recebiam soldo, se fardavam e armavam por conta própria.
Todas as Capitanias Hereditárias, depois Províncias, possuíam essas tropas e muito contribuíram para a defesa interna e a segurança externa, lutando contra os castelhanos da Argentina e Paraguai, cujo sonho era formar o Vice-Reinado do Prata, compreendendo geograficamente essas duas nações e mais Santa Catarina, Rio Grande do Sul e a Cisplatina. O Forte de Iguatemi, sul de Mato Grosso, também frustrou outro sonho, pois os paraguaios ameaçavam invadir nosso território, atraídos pelo ouro das Minas Gerais.
Essas tropas garantiram para a Mãe Pátria a posse e o domínio da América Portuguesa, o milagre Brasil, enquanto a América Espanhola se fragmentou em 20 países.
A luta, a guerra, durante séculos, só terminou quando a Província da Cisplatina se tornou a Nação Uruguaia, em 1827. Felizmente, nos dias de hoje, as guerras continuam somente no futebol.