Em 1931 e 32, vários Estados
reclamavam a volta da Constituição, a Carta Magna Brasileira, usurpada desde de
outubro de 1930, pelo ditador Getúlio Vargas. Os políticos dos Estados: MG, RS
e SP exigiam para o Brasil o império da Lei, da Ordem e da Justiça.
"9 de Julho" foi o marco da redenção!
Irmanados o povo, a 2ª Região Militar e a Força Pública, São Paulo partiu,
heroicamente, para a luta, mas, infelizmente, por questões nebulosas até hoje
inexplicáveis, Minas e Rio não cumpriram o sagrado acordo, e o que é mais
grave, aderiram a Getúlio e suas forças invadiram o chão paulista.
Itararé, em 32 era uma cidade aberta, à espera
dos "amigos do Sul", foi facilmente tomada, como também Faxina (hoje
Itapeva), mas Buri foi a trincheira que,
por três meses de luta, estancou as poderosas forças do ditador.
Deixemos de lado a guerra e fixemos na emoção,
situando Buri como o meu "caminho da roça", pois, minhas duas tias e
uma irmã foram professoras na terra dos buritis. Uma das tias,
Francelina Franco enviuvou muito cedo, com uma ninhada de filhos, criou-os,
como mãe amorosa, a custa de sacrifícios e de seus parcos vencimentos de mestra
do ensino estadual.Nos trinta anos de magistério, educou centenas
ou milhares de burienses que, orgulhosamente, tributaram a minha queria e
saudosa tia França reverenciando o seu nome na Escola de 1º e 2º
Profª. Francelina Franco.
Outra tia, professora Maria Antonieta Pereira,
lecionou anos e anos no Grupo Escolar da cidade e, por pouco não morreu na
tragédia do nhoque de Buri, pois atrasou para o almoço fatídico.
Expliquemos: um homem do sítio comprou um quilo de um veneno, talvez formicida,
para acabar com as formigas de sua gleba. Naquela época o slogan era
"Ou o Brasil acaba com a saúva ou a saúva acaba com o Brasil".
Inocentemente esquece o pacote num balcão de uma
venda, cujo dono, pensando em ser farinha de trigo, despejou-o no compartimento
correspondente. Acontece que a esposa do vendeiro era dona de uma pensão, na
qual várias professoras se alimentavam. O almoço a ser servido era nhoque (os
jornais da época publicaram: gnochi de Buri). E o elemento principal
naturalmente, o trigo, foi tirado da venda.
Quatro professoras se adiantaram para o almoço,
comeram o nhoque e caíram mortas! Minha irmã Eli de Oliveira Mello deu apenas
um bocadinho e esteve entre a vida e a morte por meses e, felizmente depois de
muitos tratamentos e com a graça de Deus, ela sobreviveu. A minha tia Profª. Maria Antonieta, sem muita
fome chegou depois, desmaiando frente aos corpos de suas quatro colegas e
amigas, também da dona da pensão e sua filha, estas duas as primeiras vítimas
fatais. Para completar a triste cena, o dono da venda acusado como responsável
pela tragédia, suicidou-se na prisão.
Chega de tristeza!, falemos de Ruy, filho da tia
França, que testemunhou, em 1930 e 32, a gauchada fuzilando o gado, requisitado
de pequenos fazendeiros da região, para o regalo do churrasco, alteando a voz
como bravata "Somos gaúchos de Sta. Maria da Boca do Monte, chê!".
Falou-me o próprio primo Ruy do trem blindado chegando, de mansinho, na estação
da Sorocabana, bombardeando, metralhando, fuzilando as tropas inimigas.Eu, menino em 1930 e 32 carreguei, por muito
tempo, um trauma que foram as duas derrotas paulistas. Júlio Prestes de
Albuquerque, uma paulista na Presidência no Brasil!!!, depois de 20 anos, pois
Rodrigues Alves bandeirante de Guaratinguetá, presidiu o Brasil 1906-10.
Getúlio Vargas jogou o meu sonho para as
calendas e até hoje, depois de 102 anos a curul presidencial é vedada a um
filho de Piratininga, o Estado líder da Federação. Até quando???9 de julho de 1932! Meu coração se aperta e se
aquebranta e lágrimas me embaçam os olhos.
32 é um estado de espírito! Muita emoção senti,
no dia 16 de junho pp, numa festa da saudade, da nostalgia, o palco, a praça 9
de julho dada cidade. A população toda, homens, mulheres e a bela juventude da
terra, reverenciando os heróis de 32 que morreram pelo ideal de amor ao Brasil
e a sua Carta Magna.Parabéns ao prefeito e as autoridades presentes
que, rememorando São Paulo na esplêndida festa, enfatizando os que tombaram
pela sacrossanta causa constitucionalista, entre os quais, o jovem cadete de
cavalaria da então Força Pública, Ruytemberg Rocha perpetrado em bronze,
maravilhosa estátua naquela praça histórica.

Amigos, vamos amenizar todos esses
escritos! Vamos contar a história de um jovem aviador, tenente do Paraná, é um feito romântico e belo, mas também
termina em tragédia!
João Busse, capitão da Milícia do
Paraná, veio a São Paulo, em 1920, matriculando-se na Escola de Aviação da
Força Pública, no Campo de Marte e já no ano seguinte ostentava no peito o
brevê de piloto aviador. Com essa conquista, quis mostrar que não fora em vão a
confiança do governo e de seu povo a ele depositada, arquitetando, então,
voltar à terra das Araucárias, pilotando o avião, sobrevoando a capital, para
que todos pudessem admirar o grande pássaro conduzido por ele, o primeiro
paranaense a conquistar o diploma de aviador.
Portando, então, orgulho, a asa no peito e o seu
entusiasmo, parte de Campinas num Caudron 120 HP, dando início ao
extraordinário voo, aguardado com ansiedade pelo governo e povo paranaenses. No
dia 24 de maio de 1921, pousando em Itapetininga na qual uma compacta multidão
o aplaudiu. Em meio a esta estava Anésia Pinheiro Machado, uma adolescente
cursando a Faculdade de Farmácia, apaixonando-se pelo Caudron. Recebeu a
orientação de João Busse para procurar a Escola da Força Pública para obtenção
do brevê. Anésia Pinheiro Machado tornou-se mais tarde a aviadora mais famosa
do Brasil, aperfeiçoando-se nos EUA, pilotando grandes aviões de carreira.

De Itapetininga, Busse levantou
voo com destino a Faxina (Itapeva) e, sobrevoando a cidade de Buri, encantou-se
com o seu povo que o saudava freneticamente, baixou o voo e distraidamente
teria batido na torre da igreja, sendo precipitada ao solo. Outra versão é que
teria acontecido uma pane no motor, que o obrigou a aterrissar num campo
improvisado, chocando-se com um cupinzeiro o que lhe causou a fratura no
crânio, morrendo dias depois na Sta. Casa de Itapetininga.Curitiba, engalanada e festiva
para receber o grande herói, cobriu-se de luto, o povo chorando pela morte do
valoroso filho, um dos primeiros mártires da Aviação Militar do Brasil.
Terminando esses fatos uns heróicos, outros
românticos, também trágicos, quero agradecer e homenagear o Sr. José Roque Dias, pela grandiosidade das
festividades em Buri, já que ele, com sua operosidade e fidalguia, comandando o
Núcleo de Correspondência MMDC-"Baionetas de Buri", colaborando com o
Cel. Mário Fonseca Ventura, exponenciando os dois a perenidade da história da Clarinada
Constitucionalista de 1932, na qual foi imolado o jovem cadete da Cavalaria da
Tropa Bandeirante.