Boa leitura!

sábado, 14 de julho de 2012

Adhemar de Barros

Em 1938, o Dr. Adhemar de Barros foi nomeado Interventor Federal, em São Paulo (26-04-38 a 05-07-41), por Getúlio Vargas. Inteligente e operoso, viajava sempre pelo interior do estado, como dizia: "Ver minha gente, prosear ao pé do fogo, sentir a alma do povo, enfim tomar conhecimentos dos problemas de cada município, trocar ideias com os líderes políticos, pois seu objetivo era firmar-se na carreira política.
Populista por excelência foi prefeito da capital paulista, elegendo-se por duas vezes, governador do estado (14-03-47 a 31-01-51 e 31-01-63 a 02-07-66).
Seu populismo cresceu, era admirado no Brasil inteiro e seria forte candidato, em 1950, à Presidência da República, não fosse uma barganha política, com outro populista, Getúlio Vargas, exilado em São Borja, no RS, trazido ao Catete, com apoio adhemarista e nos braços do povo.
Voltemos ao ano de 1938, quando uma comitiva chegou a uma pequena cidade, Campo Largo de Sorocaba, hoje Araçoiaba da Serra, terra natal do Cel. Pedro Dias de Campos - "monstro sagrado" da história bandeirante.
Na comitiva, o Interventor Adhemar de Barros, secretários de seu governo e muito políticos. Assustados, os habitantes acorreram ao Largo da Matriz, onde lá já estavam o prefeito e os notáveis da cidade, pressurosos em recepcionarem tão importantes autoridades.
Adhemar tinha sempre a tiracolo um informante, espécie de ventríloquo, que lhe falava discretamente o nome e a função de cada cidadão que se aproximasse. Um destes, cinquentão, nascido lá pelas bandas do Rio Bonito, acercando-se, tirou o chapéu, em reverência, quando ouviu uma voz impostada, fanhosa e eloquente:

- Raul de Oliveira Melo, meu caro coletor estadual, dá cá uma abraço!

Nesse instante, Raul, meu augusto e saudoso pai, foi flechado, se tornando fanático pelo grande político. Em todas as disputas eleitorais, papai era sempre o seu intrépido cabo eleitoral. Os anos se passam e, na vertiginosa luta política do grande paulista, ele se engalanava na vitória e sofria nas derrotas.
Em 1958, adoeceu gravemente, mas não esquecia de seu grande ídolo, acompanhando diariamente seus lances políticos. Foi estarrecedor para mim ouvir do médico: "Seu pai tem apenas quinze dias de vida"...
Pensei comigo: Vou lhe dar uma alegria. Fui à prefeitura, na época no Ibirapuera, historiei ao Dr. Adhemar, os vinte anos do seu fiel e fanático eleitor, solicitando se possível uma visita a papai.
Adhemar atendeu ao meu pedido e no trajeto para casa lembrou de Campo Largo, em 38, se desculpando da visita rápida, pois tinha mais compromissos.
O reencontro foi magistral! À entrada do quarto, ouviu-se aquela voz alegre e forte do prefeito:
- Raul de Oliveira Melo dá cá uma abraço, como vai de saúde? Como vai Bofete, a terra do petróleo?
Adhemar esqueceu dos compromissos, conversaram por mais de uma hora. Papai resplandecia de felicidade.
É possível que, em algum lugar da Eternidade, numa conversa ao pé do fogo, estejam Adhemar e seus amigos, sendo absolutamente certo a presença de meu saudoso pai.
Obrigado Adhemar.

sexta-feira, 6 de julho de 2012

ITAPETININGA


          Estivemos, no começo de junho, em Itapetininga, a terra de Julio e Fernando Prestes, a Atenas do sul paulista, para assistirmos ao lançamento do livro ITAPETININGA, HERÓIS FEITOS E INSTITUIÇÕES, de autoria de vários e ilustres escritores da encantadora cidade.

                 Vamos nomeá-los:

                   Jefferson Biajone – Descorreu, com sua maestria, sobre Francisco Fabiano Alves, o herói de tantas revoluções; descorreu também sobre Durvalino de Toledo, o cabo blindado de 32; sobre Juliana Fabiano Alves, aguerrida enfermeira constitucionalista. Não esqueceu Biajone das Instituições  DER, a casa de bravos, do tiro de guerra 02-076, Escola de Civismo e Cidadania, da Guarda Municipal, Tradição e Segurança e do Núcleo de Correspondência Paulista-Itapetininga! "As Armas”, que lembra o roteiro de brasilidade de São Paulo na memorável Revoluçaõ Constitucionalista de 1932. Deu ênfase ao sobrado n.º 12 da Rua General Carneiro e dos Batalhões da antiga Força Pública, sentinelas da Ordem e da Lei.

            Dirceu de Campos – Enalteceu a figura de Victorio Nalesso, o jovem da Chapadinha, combatente na Itália, sofrendo os rigores do inverno, participando de sangrentos combates, como o de Monte Castelo e na conquista de Montese, elevando o nome do Brasil no concerto das Nações livres. “Será que eu voltarei”? Era o seu pensamento,  em meio ao gelo e lama do inferno da guerra, que voava para Itapetininga e o seu bairro, onde tinha aquela comida quente, o cafezinho na hora, vendo o pai, a mãe, os irmãos, as vacas e os seus cachorros...”


                  Edmundo José Vasques Nogueira – Comoventes são os escritos de Edmundo, discorrendo sobre a vida de seu pai, o paladino da verdade, o empresário vitorioso,  eminente jornalista, homem eclético, o cristão semeador de ideais nobres, que deram frutos abençoados por Deus. Edmundo não esqueceu de Joaquim Passos Nogueira, que pegou pela mão seu filho tímido e, enfrentando o “Estadão” e a figura ímpar de Júlio Mesquita Filho, aí começando a brilhante carreira de jornalista daquele menino pobre de Pirapitinguí. Seu livro “Heroismo Desconhecido” sobre a Revolução de 1924 foi “Best Seller” na terra de Venâncio Aires.


                 Afranio Franco de Oliveira Mello – Meu primo e meu amigo, você mexeu com o coração da gente. Sublimou a devoção a Antenor, seu augusto pai, herói nos combates do Rio das Almas, ferido em combate defendendo São Paulo. Seus escritos, meu caro primo, nos conta as múltiplas funções de Antenor, não esquecendo de Euvaldo de Oliveira Mello, meu saudoso irmão que, em 32, ajudou a defender São Paulo nos entreveros de Cunha e São Luis do Paraitinga. Emoção maior foi o encontro de Antenor com a filha do meu inesquecível Tio Sinhô, a Amélia, carinhosa mãe de Agnaldo, de Anita e Afranio, meus queridos primos.


                 Parabéns a vocês jovens escritores. Parabéns a Itapetininga, a terra dos nossos  sonhos.

domingo, 24 de junho de 2012

Baionetas de Buri

     Em 1931 e 32, vários Estados reclamavam a volta da Constituição, a Carta Magna Brasileira, usurpada desde de outubro de 1930, pelo ditador Getúlio Vargas. Os políticos dos Estados: MG, RS e SP exigiam para o Brasil o império da Lei, da Ordem e da Justiça.
     "9 de Julho" foi o marco da redenção! Irmanados o povo, a 2ª Região Militar e a Força Pública, São Paulo partiu, heroicamente, para a luta, mas, infelizmente, por questões nebulosas até hoje inexplicáveis, Minas e Rio não cumpriram o sagrado acordo, e o que é mais grave, aderiram a Getúlio e suas forças invadiram o chão paulista.
     Itararé, em 32 era uma cidade aberta, à espera dos "amigos do Sul", foi facilmente tomada, como também Faxina (hoje Itapeva), mas Buri foi a trincheira que, por três meses de luta, estancou as poderosas forças do ditador.
     Deixemos de lado a guerra e fixemos na emoção, situando Buri como o meu "caminho da roça", pois, minhas duas tias e uma irmã foram professoras na terra dos buritis. Uma das tias, Francelina Franco enviuvou muito cedo, com uma ninhada de filhos, criou-os, como mãe amorosa, a custa de sacrifícios e de seus parcos vencimentos de mestra do ensino estadual.Nos trinta anos de magistério, educou centenas ou milhares de burienses que, orgulhosamente, tributaram a minha queria e saudosa tia França reverenciando o seu nome na Escola de 1º e 2º Profª. Francelina Franco.
     Outra tia, professora Maria Antonieta Pereira, lecionou anos e anos no Grupo Escolar da cidade e, por pouco não morreu na tragédia do nhoque de Buri, pois atrasou para o almoço fatídico. Expliquemos: um homem do sítio comprou um quilo de um veneno, talvez formicida, para acabar com as formigas de sua gleba. Naquela época o slogan era "Ou o Brasil acaba com a saúva ou a saúva acaba com o Brasil".
     Inocentemente esquece o pacote num balcão de uma venda, cujo dono, pensando em ser farinha de trigo, despejou-o no compartimento correspondente. Acontece que a esposa do vendeiro era dona de uma pensão, na qual várias professoras se alimentavam. O almoço a ser servido era nhoque (os jornais da época publicaram: gnochi de Buri). E o elemento principal naturalmente, o trigo, foi tirado da venda.
     Quatro professoras se adiantaram para o almoço, comeram o nhoque e caíram mortas! Minha irmã Eli de Oliveira Mello deu apenas um bocadinho e esteve entre a vida e a morte por meses e, felizmente depois de muitos tratamentos e com a graça de Deus, ela sobreviveu. A minha tia Profª. Maria Antonieta, sem muita fome chegou depois, desmaiando frente aos corpos de suas quatro colegas e amigas, também da dona da pensão e sua filha, estas duas as primeiras vítimas fatais. Para completar a triste cena, o dono da venda acusado como responsável pela tragédia, suicidou-se na prisão.
     Chega de tristeza!, falemos de Ruy, filho da tia França, que testemunhou, em 1930 e 32, a gauchada fuzilando o gado, requisitado de pequenos fazendeiros da região, para o regalo do churrasco, alteando a voz como bravata "Somos gaúchos de Sta. Maria da Boca do Monte, chê!". Falou-me o próprio primo Ruy do trem blindado chegando, de mansinho, na estação da Sorocabana, bombardeando, metralhando, fuzilando as tropas inimigas.Eu, menino em 1930 e 32 carreguei, por muito tempo, um trauma que foram as duas derrotas paulistas. Júlio Prestes de Albuquerque, uma paulista na Presidência no Brasil!!!, depois de 20 anos, pois Rodrigues Alves bandeirante de Guaratinguetá, presidiu o Brasil 1906-10. 
     Getúlio Vargas jogou o meu sonho para as calendas e até hoje, depois de 102 anos a curul presidencial é vedada a um filho de Piratininga, o Estado líder da Federação. Até quando???9 de julho de 1932! Meu coração se aperta e se aquebranta e lágrimas me embaçam os olhos.
     32 é um estado de espírito! Muita emoção senti, no dia 16 de junho pp, numa festa da saudade, da nostalgia, o palco, a praça 9 de julho dada cidade. A população toda, homens, mulheres e a bela juventude da terra, reverenciando os heróis de 32 que morreram pelo ideal de amor ao Brasil e a sua Carta Magna.Parabéns ao prefeito e as autoridades presentes que, rememorando São Paulo na esplêndida festa, enfatizando os que tombaram pela sacrossanta causa constitucionalista, entre os quais, o jovem cadete de cavalaria da então Força Pública, Ruytemberg Rocha perpetrado em bronze, maravilhosa estátua naquela praça histórica.





     Amigos, vamos amenizar todos esses escritos! Vamos contar a história de um jovem aviador, tenente do Paraná,  é um feito romântico e belo, mas também termina em tragédia!
     João Busse, capitão da Milícia do Paraná, veio a São Paulo, em 1920, matriculando-se na Escola de Aviação da Força Pública, no Campo de Marte e já no ano seguinte ostentava no peito o brevê de piloto aviador. Com essa conquista, quis mostrar que não fora em vão a confiança do governo e de seu povo a ele depositada, arquitetando, então, voltar à terra das Araucárias, pilotando o avião, sobrevoando a capital, para que todos pudessem admirar o grande pássaro conduzido por ele, o primeiro paranaense a conquistar o diploma de aviador.
     Portando, então, orgulho, a asa no peito e o seu entusiasmo, parte de Campinas num Caudron 120 HP, dando início ao extraordinário voo, aguardado com ansiedade pelo governo e povo paranaenses. No dia 24 de maio de 1921, pousando em Itapetininga na qual uma compacta multidão o aplaudiu. Em meio a esta estava Anésia Pinheiro Machado, uma adolescente cursando a Faculdade de Farmácia, apaixonando-se pelo Caudron. Recebeu a orientação de João Busse para procurar a Escola da Força Pública para obtenção do brevê. Anésia Pinheiro Machado tornou-se mais tarde a aviadora mais famosa do Brasil, aperfeiçoando-se nos EUA, pilotando grandes aviões de carreira. 




     De Itapetininga, Busse levantou voo com destino a Faxina (Itapeva) e, sobrevoando a cidade de Buri, encantou-se com o seu povo que o saudava freneticamente, baixou o voo e distraidamente teria batido na torre da igreja, sendo precipitada ao solo. Outra versão é que teria acontecido uma pane no motor, que o obrigou a aterrissar num campo improvisado, chocando-se com um cupinzeiro o que lhe causou a fratura no crânio, morrendo dias depois na Sta. Casa de Itapetininga.Curitiba, engalanada e festiva para receber o grande herói, cobriu-se de luto, o povo chorando pela morte do valoroso filho, um dos primeiros mártires da Aviação Militar do Brasil.
     Terminando esses fatos uns heróicos, outros românticos, também trágicos, quero agradecer e homenagear o Sr. José Roque Dias, pela grandiosidade das festividades em Buri, já que ele, com sua operosidade e fidalguia, comandando o Núcleo de Correspondência MMDC-"Baionetas de Buri", colaborando com o Cel. Mário Fonseca Ventura, exponenciando os dois a perenidade da história da Clarinada Constitucionalista de 1932, na qual foi imolado o jovem cadete da Cavalaria da Tropa Bandeirante.

domingo, 20 de maio de 2012

CAPITÃO HELIO LOURENÇO CAMILLI




CAPITÃO HELIO LOURENÇO CAMILLI




“Nós, muitas vezes, não entendemos os
  desígnios  de Deus, mas bendito seja Deus”.



Estivemos, há poucos dias, no sepultamento do nosso amigo Helio Lourenço Camilli, no Campo Santo da Quarta Parada, onde carros do Corpo de Bombeiros, dezenas de veículos oficiais e outras tantas viaturas particulares atravancavam todo o pátio daquele chão sagrado, em meio a ondas e ondas de homens, mulheres e jovens, que se acotovelavam para chegar ao ilustre varão, agora no sono eterno, para a despedida, o último adeus.                 
Dois jovens coroneis, Hudson e Helson, expoentes da nossa Polícia Militar, velavam o amigo de todas as horas. Cumprimentei-os com as minhas sentidas condolências, ressaltando a dedicação e amor de ambos, ao querido pai, em toda a vida, nas horas tristes e alegres, principalmente nesses últimos meses, até que o jequitibá tombasse e fechasse os olhos para sempre, combalido de tantas emoções e sofrimentos. É certo que, escoltado pelos anjos e arcanjos, o Capitão Helio já habita a Casa do Pai, repousando numa de suas galáxias.            
Sentei-me ao lado do ilustre morto e, por algum tempo, pensando na beleza da vida e na beleza da morte, reflexões voaram à minha mente e numa delas, em delicada e velada censura, falei ao amigo: Helio, não era a sua vez da promoção à Eternidade, você é cristão, católico praticante, você merece mas era minha essa promoção aos meus 92 janeiros. Você, apressado, não cumpriu o combinado e voou para o andar de cima (plágio nesta expressão). Helio, com todo o respeito que você sempre mereceu, vou falar baixinho ao seu ouvido, numa linguagem nossa, franca e castrense, você me deu cangalha!
Ainda jovem, vindo da bela cidade de Jaú, o  destino de Helio Lourenço Camilli foi a Guarda Civil de São Paulo, para qual  dedicou toda a sua mocidade, abnegação ao serviço árduo, ajudando a proteger a gente bandeirante, enfrentando as intempéries do tempo e as frias madrugadas da Pauliceia Desvairada.          
Apaixonado pelas motocicletas, formou e comandou o pelotão de 50 “Harlley Davidson”, empregando-as na segurança das ruas, antecipando as pujantes motos da Rocam de hoje. Numa fase heróica, como Classe Distinta, Helio foi nomeado Auxiliar de alta autoridade federal, que presidia o escritório de pesquisas atômicas na capital.                          
Dedicou-se o nosso amigo Helio, em suas horas de folga, a prestar seus excelentes serviços à Associação Desportiva da Guarda Civil, a qual com a fusão das duas Corporações- GC e FP- se tornou um dos melhores Clubes da capital paulista. Durante décadas foi Diretor de Relações Públicas, Social e de Cultura, sendo responsável pelas maravilhosas festas, inúmeras competições de modalidades esportivas, formaturas, noites havaianas, italianas e árabes, também forrós, presidindo, com muita elegância, noites de sambas, valsas, boleros e tangos, não deixando também de presidir outras tantas manifestações de alegria, como concursos de beleza e desfiles de modas, que marcaram época na história da ADPM de seu tempo.                          
Na Polícia Militar, a partir de março de 1970, foi classificado no Quartel General, servindo exemplarmente como Secretário de vários Comandantes Gerais, dos quais recebeu inúmeros elogios, conquistando suas amizades.           
Bendita fusão das duas Corporações, das quais a PM herdou suas virtudes. Graças a essa fusão, quantos amigos conquistamos, excelentes amigos, entre as quais a figura impoluta de Helio Lourenço Camilli. Não fosse ela, certamente nós não estaríamos aqui, neste templo cristão do Centurião Santo Expedito, para essa sagrada missa pela alma de Helio Camilli, o valente e virtuoso Capitão.                        
Na Associação dos Oficiais da Reserva e Reformado, Helio foi Diretor de Relações Públicas em vários mandatos, empregando todos os seus conhecimentos trazidos da ADPM, inundando de luz romance e poesia, com sua figura carismática, o Solar da Tabatinguera, o nosso último Quartel. Foi também Diretor do Clube da Ativa, na Diretoria presidida pelo saudoso Cel. Delfim Cerqueira Neves.                       
Helio Lourenço era um seresteiro, um poeta, um romântico! Cultor das músicas do seu tempo ou melhor, do nosso tempo, cantava-as, dedilhando no seu violão, do qual era mestre, as inesquecíveis composições de Orlando Silva, Francisco Alves, Silvio Caldas, Nelson Gonçalves, Gastão Formenti, Vicente Celestino, Carlos Gardel e tantos outros, não esquecendo as canções sertanejas que valorizaram seu repertório.                      
Bom amigo Helio você foi um iluminado nessa vida! Grande empresário, homem de visão, pragmático, inteligente e culto, você, num passe de mágica, transformou um modesto projeto de amigos na maior Cooperativa do planeta.
Seus filhos e netos, enfim, todos da família sentirão muita  sua ausência, tenho certeza que rezarão sempre para o conforto de sua alma. Seus incontáveis amigos também. Descanse em paz virtuoso Capitão!


                                                     

domingo, 1 de abril de 2012

Curiosidades

- De 24 para 25 de dezembro de 1924, o 2º Batalhão, então em operações de guerra no Estado do Paraná, tomou parte no combate de "Rocinha". Seus elementos receberam nesse dia, como alimentação, unicamente uma colher de açúcar (manhã) e uma caneca de café (à noite). Depois, somente no dia 25, às 2 horas da tarde,é que lhes foi distribuído o almoço, composto de feijão e carne seca - Que Natal...

- O Cel. João Negrão, como tenente, integrou a primeira equipe de aviadores brasileiros que atravessou o Atlântico Sul, hidroavião "Jahu", em 1927;

- A nossa Polícia Militar é detentora do recorde de cinco vitórias na corrida de São Silvestre;

- A Caixa Beneficente foi a primeira organização a praticar a previdência social no Brasil;

- A Escola de Educação Física da Polícia Militar é a terceira na América do Sul (depois do Chile e Argentina) e a pioneira no Brasil;

- O Pelotão de Escolta da Polícia Militar, conhecido como a Escolta do Governador, além de suas funções normais, participa também de competições esportivas, como corridas e motocross. Uma curiosidade dessas competições é a chamada Curva do Sargento no autódromo de Interlagos, nome decorrente de uma queda que ali sofreu, em 1952, o Sargento Paulo Sebastião, integrante do Pelotão de Escolta, durante a prova das 24 horas de motocicletas.


À MARGEM

Estas duas palavras foram, em fins do século passado, o terror dos oficiais da nossa Polícia Militar. Mesmo depois de proclamada a República, os direitos do oficial eram poucos e mesmo assim, burlados pela expressão tenebrosa... À Margem.
Ficar o oficial à margem era a perda total de todas as regalias, pois ficaria sem vencimentos e sem uniforme. Excluído!!! À guisa de consolação, o Governo mandava pagar-lhe três meses de vencimentos.
A aplicação da medida era simples. Ao organizar a Lei Orçamentária para cada ano, o Poder Executivo estava já de posse dos nomes dos oficiais que, poe qualquer motivo, haviam caído em desgraça. Diminuía, então, uns tantos postos na Lei de organização, atingindo, portanto, aqueles coitados que não eram da "panelinha", sujeitos às reviravoltas da política ou ao capricho dos poderosos do momento.
Um dos artigos do Regulamento de 1887, estabelecia: "O Presidente da Província poderá demitir o comandante, fiscal, cirurgião e outros oficiais do Corpo Policial Permanente, quando entender que assim o exige o bem do serviço público."
Em 1892, a Lei nº. 97-A trouxe alguma proteção ao nosso oficial, pois estabelecia que aqueles que tivessem mais de cinco anos de serviço, só perderiam seus postos por sentença condenatória a mais de um ano, ou por mau comportamento provado em Conselho de Disciplina. Esse dispositivo foi revogado em 1896 restabelecido no ano seguinte (Lei nº. 437) e confirmado pela Lei nº. 916-B, de dois de agosto de 1904.
O Oficial que ficava, pois, à margem, além de perder os vencimentos e os uniformes, também não podia entrar nos quartéis, havendo casos de o oficial apresentar-se para o serviço e ser surpreendido pela alarmante notícia. Passava então, pelo vexame de ter que se vestir à paisana e sair do quartel sob os olhares da tropa que o via despojado de todos os privilégios. Ia para a rua da amargura!
Esse À Margem vigorou até 1900 e, já na fixação para 1901, as leis protegiam, como até os dias de hoje, a carreira do oficial e sua estabilidade.

sábado, 24 de março de 2012

O caráter Paulista

Derrotado o movimento liberal - Revolução de 1842 - o padre Feijó, já muito doente, foi detido por Caxias em Sorocaba.

Rafael Tobias de Aguiar viu-se abandonado das forças rebeldes, que desapareceram como por encanto. Deu-se em Sorocaba o mesmo que aconteceu em Itu, Capivari, Porto Feliz e Itapetininga. Ao passo que desapareciam os revolucionários, chegavam os influentes do partido legalista, que até então se achavam foragidos. Pretendeu ainda Rafael Tobias de Aguiar reunir a tropa dispersa na Fábrica de Ferro Ipanema, mas não teve outro recurso, senão a fuga, quando soube que Caxias se aproximava e já havia destacado força para efetuar sua prisão.

Alguns dias permaneceu na vizinhança de Sorocaba e depois, em marchas forçadas, resolveu procurar a Província do Rio Grande do Sul. A marcha não podia, porém, ser como ele desejava, porquanto era de perto seguido pela escolta enviada para prendê-lo, guiada por pessoas conhecedoras da zona, e que, como sói acontecer em tais ocasiões, se apresentaram para auxiliar o inimigo de ontem.

Com grande dificuldade conseguiu chegar a Itapetininga, onde se demorou, julgando estar livre de seus perseguidores, entretanto, avisado de que sua presença ali se havia divulgado, deixou a cidade em direção da Fazenda Bom Retiro, de propriedade de Joaquim José de Oliveira, que na ocasião se encontrava ausente. Sua esposa porém, recebeu o ilustre foragido, dispensando-lhe fidalga hospitalidade.

Alta noite, os escravos vieram prevenir a esposa de Joaquim José de Oliveira que a fazenda estava cercada por soldados. Imediatamente a distinta dama paulista ordenou ao capataz, de nome Agostinho, que se encarregasse de proteger e impedir, por todos os meios, a prisão do ilustre hóspede.

Agostinho, depois de verificar que todos os pastos ao redor da fazenda estavam cercados por tropas de Caxias, escondeu-se com Rafael Tobias no engenho de cana, debaixo de uma queda d'água que alimentava a moenda.

Nesse ponto haviam crescido plantas aquáticas que caíam em festões emaranhados, tão densas que serviram para ocultar Agostinho e o ilustre político.

Diversas vezes os soldados imperiais passaram junto ao engenho, esquadrinhando todo o terreno, subindo aos telhados, aos forros e só se retirando depois de horas e horas de busca inútil.

Um fato deve ser aqui consignado: Joaquim José de Oliveira um dos ricos proprietários daquela zona possuía mais de 200 escravos, que sabiam que ali se achava oculto um homem, entretanto não denunciaram sua presença apesar das inquirições ameaçadoras dos homens da escolta.

Quando o dono da fazenda voltou e teve conhecimento do que sua esposa praticara, aplaudiu o seu procedimento. O curioso era que Joaquim José de Oliveira pertencia à corrente política contrária a Rafael Tobias de Aguiar, adversário portanto do chefe foragido. Eis um traço do caráter paulista.

Retirando-se a escolta, foi Tobias conduzido por vaqueanos da fazenda para lugares bem seguros, até que depois de passados muitos dias e muitas dificuldades, seguiu marcha à procura das fronteiras do Sul, atravessando extensas regiões que hoje constituem o território do Estado do Paraná, na época a 5ª Comarca de São Paulo.

Vencendo numerosos obstáculos, meses depois, Rafael Tobias atravessava os campos de Vacaria, quando foi aprisionado por Caxias que, depois de ter pacificado São Paulo e Minas, havia seguido no comando das forças legais que combatiam os rebeldes gaúchos.

Neste interessante relato, extraído do livro de Aureliano Leite, merecem ser sublinhados dois trechos que não podemos esquecer. O primeiro mostra a toda luz o cavalheirismo dos paulistas desse tempo. Tobias escondeu-se na fazenda de um seu adversário, ali encontrando fidalga hospitalidade.

O segundo trecho destaca Tobias como um valente, pois ele não fugiu por fugir, para escapar a um perigo.

Empreendeu uma retirada, já que a luta estava perdida em São Paulo, para ligar-se aos revolucionários do Rio Grande do Sul. O grande paulista tinha intenção de voltar para continuar a luta do partido Liberal.

quarta-feira, 7 de março de 2012

Brigadeiro Rafael Tobias de Aguiar - criador da Polícia Militar



O Brigadeiro Rafael Tobias de Aguiar, além de político e militar, era também rico fazendeiro em Sorocaba. A ele se deve a criação daqueles vistosos cavalos, pelagem de duas cores, conhecidos como pampas.
Quando de sua retirada para o Rio Grande do Sul, no remate doloroso da Revolução Liberal de Sorocaba, em 1842, presenteou certo fazendeiro gaúcho de Cruz Alta com alguns desses cavalos, que se reproduziram e espalharam até o Rio do Prata, formando uma raça cavalar que tomou o nome do criador sorocabano - Raça Tobiana.


A retirada do chefe revoltoso ficou registrada no ponteado das violas dos cantadores:

"O nosso Rafael Tobias,
Querendo se escapá
Passou por Campo Largo
De chilena e cherripá
Tobias quando fugiu
Na hora de incerteza,
Abraçou os seus filhinhos
E casou com a Marquesa"

Da união do Brigadeiro Tobias com a Marquesa de Santos nasceram:

- Rafael Tobias de Aguiar
- João Tobias de Aguiar e Castro
- Antônio Francisco de Aguiar e Castro
- Brasílio de Aguiar e Castro
- Gertrudes de Aguiar e Castro e
- Heitor de Aguiar e Castro.

Maria Domitila de Castro Canto e Melo - a Marquesa de Santos - tem seu túmulo no cemitério da Consolação ao lado da Capela Central.

"Servir São Paulo é, sobretudo, antes de tudo e acima de tudo, servir ao Brasil!' Este era o lema do Brigadeiro Tobias que, ao morrer, a 7 de outubro de 1857, a bordo do vapor Piratininga, quando, na qualidade de parlamentar, se dirigia à Corte Imperial, despedindo-se de seus entes queridos, assim se expressou:

"Meus filhos, continuem por mim a
não poupar sacrifícios por São Paulo".

Seus restos mortais jazem na Igreja da Ordem 3ª, ao lado da Faculdade de Direito Largo São Francisco.

domingo, 12 de fevereiro de 2012

Cel. João Áureo Campanhã

Minha turma de Aspirante à Oficial foi a primeira a se formar na atual Academia de Polícia Militar do Barro Branco, em 1944. Os primeiros anos, foram no Centro de Instrução Militar (CIM), situado na Avenida Tiradentes, esquina com a Rua Ribeiro de Lima, vetusto e acanhado prédio ao lado da antiga Casa de Detenção de São Paulo, depois Banespa, Caixa Econômica e hoje Banco do Brasil.
Éramos 38 formandos no começo da lida, e hoje somos apenas 4, entre estes, o meu amigo Cel. João Áureo Campanhã, pois, muitos de nossos colegas, ficaram à beira do caminho, seguiram outros destinos e a grande maioria já ultrapassou o Portal da Eternidade, como dizem Boldrim e
Datena: "Apressados esses amigos subiram ao andar de cima".
É bom ressaltar que três maravilhosos colegas morreram tragicamente: 
Benedito Neto: paulista de São Simão que, numa ocorrência policial, caiu fulminado com uma bala no crânio;
Waldir Alves de Siqueira, capixaba de Cachoeiro do Itapemirim, morto covardemente por um bandido, cinco tiros à queima roupa; e
José da Silva Bueno, paulistano da Pompeia, pescador de alto-mar, desapareceu misteriosamente do barco. Eram cinco horas, Bueno, timoneiro, passou a direção a um companheiro indo para o descanso, antes porém, prometeu fazer um cafezinho para todos. As xícaras permaneceram no tombadilho e horas e horas se passaram... Alarme geral, os pescadores levantaram suas redes, bombeiros em ação, helicópteros nos céus, vasculhando o mar e mais horas e horas se passaram, horas de agonia. Nada, nada na região dos Alcatrazes.
O que teria acontecido? Um ET o teria abduzido para Marte ou outro planeta? Ao lavar as xícaras no tombadilho do barco, teria caído ao mar e devorado por tubarões? As correntes marítimas teriam levado Bueno para longe, talvez para África? Ou uma sereia apaixonada o teria raptado, carregando-o para as profundezas dos mares?
Minha escrita agora é sobre o João Áureo Campanhã e com ele dois episódios, duas estórias que orgulham e enobrecem a figura humana.
Dezembro de 1944!!!, aquele açodamento para sabermos quais os três primeiros classificados da turma, uma vez que esses eleitos receberiam, além de elogios, honrarias e prêmios.
Solenemente, nosso Capitão Otávio Gomes de Oliveira (militar de excelsas virtudes), em frente à Cia, fez a leitura dos premiados, ressaltando os pontos de cada um:
1º) Aspirante a Oficial João Áureo Campanhã;
2º) Aspirante a Oficial Ari José Mercadante; e
3º) Aspirante a Oficial Urbano Lopes Fonseca.
Com aquela nobreza de espírito, escravo de sua consciência, João Áureo Campanhã informou ao Capitão Otávio que havia um engano nessa classificação, pois, pelos seus cálculos, somadas todas as anotações durante o Curso, o primeiro lugar não lhe caberia.
Suspense!!! A Secretaria, a toque de caixa, revendo toda a documentação dos três jovens aspirantes, chegou à conclusão que, de fato, Campanhã estava certo, certíssimo.
É necessário que se diga que o nosso amigo Campanhã era minucioso em seus apontamentos, amigo dos detalhes, anotando tudo, tudo, as notas de exames, sabatinas, chamadas orais, pontos ganhos, pontos perdidos...essa figura altaneira assombrou seus superiores e colegas pela grandeza de sua alma, abdicando do primeiro lugar. Enfaticamente ele declarou: Meu lugar é o terceiro e não o primeiro.
Não bastasse esse fato existe, ainda mais um outro, que é uma aula de civismo, coragem e altruísmo. Vejamos:
Os anos passaram, estamos agora em 1967, Governador do Estado Dr. Laudo Natel, sendo seu Secretário de Estado da Casa Militar, o nosso valente Coronel João Áureo Campanhã.
Atendendo aos apelos de todas as Associações de Classe da Polícia Militar, Campanhã prometeu lutar pelas nossas reivindicações, sendo o fiel da balança de nossos problemas, principalmente o aumento de vencimentos, já que governos anteriores não nos tinham atendido, esquecendo do alto valor da tropa bandeirante, obreira da segurança da sociedade paulista.
O nosso pedido era justo, queríamos apenas a reposição da inflação, na época em torno de 32%.
Laudo Natel negou. O brioso Coronel Campanhã, num gesto temeroso mas digno, pediu demissão da alta investidura de Chefe da Casa Militar. Apelos surgiram de todos os lados, aconselhando-o a renuncia de seu ato, mas todos eles não surtiram efeito, pois sua decisão era inabalável, irrevogável.
O Comandante Geral da Força Pública, o Coronel João Batista de Oliveira Figueireido, o "órfão de pai vivo", considerou grave falta disciplinar e Campanhã foi preso por 25 dias, recolhido ao Quartel do 5º Batalhão de Taubaté. Diga-se, de passagem, que o Governador Laudo Natel visitou seu amigo em Taubaté por duas vezes.
Meus amigos, estamos diante de dois fatos que revelam o valor do homem, o Homem de H maiúsculo, pleno de virtudes, homem simples do interior paulista (Jaboticabal), exemplo de coragem, escravo de ideais nobres.
Campanhã, um abraço de seu amigo e admirador, coronel Edilberto.


quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Os balões e os mangrulhos na Guerra do Paraguai

No livro "A História da Força Aérea Brasileira" do Ten. Brig. do Ar Nelson Freire Lavanere Wanderley, há uma referência ao balão usado por Caxias, na Guerra do Paraguai:
"Ele foi o primeiro emprego militar da Aeronáutica na América do Sul e a semente daquilo, que muito anos mais tarde, veio transformar-se na Força Aérea Brasileira".

Na Guerra de Sesseção dos EUA, na mesma época da Guerra do Paraguai (1865-70),  o norte contra o sul, resultando a abolição dos escravos, as hostis guerreiras usaram o balão para a observação das posições inimigas.

Na Guerra do Paraguai, nossas tropas lutando em várias planícies, não tinham vistas sob o campo inimigo, posição de suas trincheiras e a movimentação de tropas de Solano Lopes. Rusticamente, usavam os mangrulhos, formato de torres de madeira, de aproximadamente de 15 metros de altura, como medida preventiva aos ataques.


Gravura um mangrulho no acampamento de Caxias de Tuyu – Cuê , próximo de Humaitá. (Fonte: História do Exército Brasileiro...(Rio de Janeiro: EME,1972.v.2,p.644).

O grande Caxias, então, conseguiu a compra de dois balões da potência do norte, equipados de aparelhos para fabricar hidrogênio, contratando dois balonistas americanos, os irmãos James e Ezra Allen para instrutores dos nossos oficiais do Exército em operações de Guerra.


Os pilotos brasileiros foram os capitães Francisco César da Silva Amaral, Cursino Amarante, Jacó Niemeyer e Antônio Sena Madureira.


Alegoria sobre a 1a ascensão de um balão, em 25 set.1867 em Tuiu - Cuê, na obra História da Força Aérea Brasileira. (1975,2ed,p.23) do Tenente Brigadeiro do Ar Nelson Freire Lavanére – Wanderley, atual Patrono do CAN. 

Depois de meses em operações com os balões que alcançando a altura de 140m, os nossos pilotos tornaram realidade os reconhecimentos das tropas inimigas, possibilitando as vitórias sobre o Humaitá, Curupaiti e outros combates.

Duque de Caxias foi, então, o precursor da Aeronáutica Militar Brasileira.




Fonte: ahimtb.org.br/caxiasaerost.htm


quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Cel. Odilon Aquino de Oliveira




Todos sabemos que a antiga Força Pública foi muito guerreira, estando sempre presente em todos os momentos críticos da Nação, em guerras, revoluções, convulsões sociais ou políticas, etc, etc. Citemos as guerras de Canudos, Farrapos, Paraguai, 2ª Guerra Mundial, Revolução de Sorocaba, Protocolos, Armada, Chibata, as de 22, 24, 26, 30 e 32. Não esqueçamos da Greve de 1917 e da Guerrilha contra Lamarca, que revelou nosso herói-mártir Alberto Mendes Jr.

O apogeu do militarismo foi a contratação da Missão Militar Francesa, que deixou a Corporação conhecida como o Pequeno Exército Paulista, com a sua Infantaria, Cavalaria, Aviação Militar e Artilharia em pé de guerra.

Esse aparato marcial também se justificava, devido a conflitos políticos, o Governo Federal ameaçando e intervindo em alguns Estados da Federação. Ameaça a São Paulo se desvaneceu frente à fortaleza da nossa heróica Forca Pública.

Finda a 2ª Guerra Mundial, em 1945, continuou a Força Pública com tropas aquarteladas, a maior parte do tempo, preocupada com os exercícios militares - maneabilidade, construção de trincheiras, manuseio de material bélico em ofensiva ou defensiva, marchas diurnas e noturnas, sobrevivência na selva, golpes de mão de vai e vem, etc, etc -, a grande maioria de oficiais contaminados com a cultura guerreira.

Em boa hora, o cel. Odilon Aquino de Oliveira, na Chefia do Estado Maior, mudou a roupagem da querida Força Pública em 1947 tornando-a guerrilheira em vez de guerreira, para o enfrentamento aos conflitos urbanos e no campo. Criou as Companhias de Trânsito, de Policiamento, de Choque, os alicerces dos Batalhões da capital e do interior, não esquecendo do Regimento de Cavalaria, não mais dando a carga aos inimigos, e sim, ao passo, ao trote ou a galope a serviço da segurança da sociedade paulista.

O Cel. Odilon enfrentou campanhas surdas, carreando para si muitos "inimigos guerreiros", mas... o tempo passou, a cultura mudou e hoje temos 100 mil homens integrados para a defesa e segurança do Estado e de seu povo. No entanto continuou obediente ao Governo Federal, como Reserva do Exército Brasileiro, sentinela da Pátria.

Cel. Odilon Aquino de Oliveira, o senhor foi o divisor de águas. Na década de 40 tentou, no governo de Adhemar de Barros, a fusão com a Guarda Civil. Não conseguiu, mas a semente lançada criou raízes e a planta desabrochou, em abril de 1970, unindo as duas Corporações.

O Cel. Odilon Aquino de Oliveira foi aluno da Missão Militar Francesa, foi herói de tantas Revoluções, agigantando-se na Revolução Constitucionalista de 32, enfrentando Getúlio Vargas nas trincheiras.

Escreveu com o cel. Heliodoro Tenório da Rocha Marques o livro: "São Paulo contra a Ditadura", o que lhes valeu a expulsão das fileiras da tropa Bandeirante. Anos mais tarde, obtiveram na Justiça o retorno à querida Força Pública. Odilon terminou a carreira nas altas funções de Juiz e Presidente do Tribunal de Justiça Militar.