Boa leitura!

quarta-feira, 6 de abril de 2016

OFICIAIS DA FUMAÇA E OFICIAIS 501

            Já escrevi várias vezes que a política, na década de 20, foi muito conturbada em nosso país. Começou com o Tenentismo na Revolução de 1922, conhecida como os “18 do Forte de Copacabana”.   
           O Tenentismo continuou na Revolução de São Paulo, em 1924, tornando-se mais intenso quando a Coluna Revolucionária, em 1925, comandada pelo Gen. Miguel Costa, percorreu 30.000 Kms, pelo interior do Brasil, pregando um novo idealismo, até agosto de 1927, quando os remanescentes rebeldes se exilaram na Bolívia.
            Por algum tempo houve uma certa estabilidade política, quando, em março de 1930, foi eleito Presidente da República o Dr. Júlio Prestes de Albuquerque, paulista de Itapetininga, para o quatriênio 1930/34.
           Mas (em tudo na vida existe um “mas”) ressurgiu o Tenentismo, vigoroso e vingativo que, em apenas 21 dias venceu, na revolução de 1930, os Legalistas de Washington Luis, anulando a posse de Júlio Prestes e colocando, na Curul Presidencial, o Dr. Getúlio Vargas, que governou o Brasil por 20 anos.
      Um dos esteios da revolução vitoriosa de Vargas foi Miguel Costa, que não acompanhou o novo Chefe da Nação, ao Rio de Janeiro, preferindo ficar em São Paulo, comandando uma Brigada da 2.a Região Militar, assumindo também o cargo de Secretário da Segurança Pública e, a 28 de abril de 1931, acumulando mais uma nobre função, o Comando Geral da Força Pública.
          Nesse dia, reuniu-se no páteo do quartel do então 1.o BC (hoje 1.o BPM/M “Tobias de Aguiar”, a Rota) uma centena de Oficiais, a grande maioria Tenentes, contrários a João Alberto Lins de Barros, nomeado Interventor Federal em São Paulo, pelo ditador Getúlio Vargas.
         Esse fato histórico é conhecido como ABRILADA, o primeiro grito revolucionário, que apaixonaria, até o “Julho da Clarinada”, como uma bola de neve, os líderes e a opinião pública de São Paulo, inconformados com o Tenente Interventor.
       Houve, na época, uma cisão dentro da Força Pública: oficiais simpáticos à Miguel Costa e oficiais fiéis ao Presidente derrotado Julio Prestes.
        Miguel Costa, herói todo poderoso, premiou os seus fiéis revolucionários com uma chuva de promoções, como dizemos hoje “O Trem da Alegria”. Homens valentes de sua confiança envergavam, após outubro de 1930, o galão e o talabarte de oficial. A princípio eram tratados como inferiores e tiveram o batismo de Oficiais da Fumaça, uma conotação um tanto pejorativa.
         Com o tempo, os ressentimentos mútuos foram se diluindo, ensejando a fundação, em 17 de outubro de 1931, da Liga de Esportes da Força Pública, raiz da vibrante e combativa AOPM, que chamamos carinhosamente de O Clube da Ativa.
         Um detalhe lamentável foi a Liga de Esportes não aceitar oficiais reformados, como associados, propiciando o surgimento de figuras exponenciais, como o Ten. Cel. Azarias Silva, Maj. Faria e Souza, Cap. Antônio Pietscher, Cap. João Guedes da Cunha, Cap. Manoel Cravo (lutou em Canudos) e o Ten. José Caboclo, heróis de tantas revoluções, que se reuniram nos bancos do Jardim da Luz, onde redigiram uma ATA, em 25 de março de 1935, elegendo o Maj. Médico Arlindo Carvalho Pinto, o primeiro Presidente da novel Entidade.
          Nasceu então a nossa querida Associação dos Oficiais da Reserva e Reformados da Polícia Militar, que já completou 81 anos  de existência, lutando com desassombro pelas suas gentes e defendendo os nobres ideais da Tropa do Brigadeiro Tobias de Aguiar.

 OFICIAIS 501

         Título estranho esse que, para explicá-lo, temos que nos lembrar do Dr. Adhemar Pereira de Barros, que governou São Paulo por três vezes, a primeira como Interventor e outras duas como Governador e, diga-se de passagem que,  em 1950, poderia ter sido eleito Presidente da República, pois o cavalo estava arriado e arretado mas ele não montou... coisas da vida política.
        Em 1947 foi promulgada, por ele, uma Lei que promovia a 2.º Tenente os 1.º Sargentos da Força Pública, ao passarem à inatividade, extensiva ao posto correspondente na Guarda Civil.
           Um número apreciável, desses novos tenentes, não conseguiu associar-se ao Clube dos Oficiais da Força Pública, porque eram Oficiais 501, um preconceito injustificável, não eram acadêmicos, repetindo aquela atitude lamentável da Diretoria da Liga de Esportes, em 1931.
           Também houve expoentes como os Majores Raul, Ezequiel, Vaz, Figueiredo, Cabral e tantos outros saudosos amigos, que reagiram e fundaram o Clube dos Tenentes, cuja maior obra foi a construção da Colônia de Férias de Itanhaém, hoje pertencente ao Solar da Tabatinguera.
        A fusão da Força Pública, com a Guarda Civil, em 1970 propiciou ao Clube dos Tenentes unir-se à Associação dos Inativos da Guarda Civil, formando o Círculo dos Oficiais da Polícia Militar, o qual, em 1973, fundiu com o CORPM, o nosso Clube dos Oficiais da Reserva e Reformados da Polícia Militar, hoje a nossa notável AORRPM.
       Por um lapso, a Lei 501 esqueceu dos sub-tenentes, forçando uma nova Lei, promulgada às pressas, com uma redação falha, propiciando aos tenentes, já promovidos pela 501, a oportunidade de mais uma promoção.
           Como na época estava em vigor na Corporação mais duas promoções – Revolução Constitucionalista de 32 e a Lei de Guerra -, aconteceu um fato que foge à lógica, os sub-tenentes promovidos a Capitão e aqueles Primeiros Sargentos promovidos a Major.


sábado, 27 de fevereiro de 2016

TRÊS ESTÓRIAS

A fábula de La Fontaine, A Cigarra e a Formiga. É lógico que todos os leitores sabem da estória, principalmente do seu fundo moral, que enaltece o trabalho e desdenha a ociosidade.
Mas esta estória, da Cigarra e da Formiga, será contada às avessas, menosprezando, chutando o conteúdo moral, o ensinamento ou a mensagem:


“A Formiga trabalhou, trabalhou, trabalhou nas três estações do ano, armazenando na sua “casinha” todos os alimentos para passar o inverno rigoroso. Estava feliz, confortável, arrumando todas as coisa do lar, quando um luxuoso Mercedes Benz estacionou em frente, buzinando, fazendo um verdadeiro escarcéu. A motorista era a Cigarra, toda enfeitada, maquiada, vestida de veludo e um casaco de vison, com anéis de ouro e brilhantes, colares de diamante, de pérolas, etc. O carrão tinha aquecimento interno, televisão, adega, geladeira bem sortida, enfim todo o conforto possível.
A Cigarra buzinou mais vezes e acordando a comadre Formiga falou:
- Comadre Formiga, eu vim ver você para me despedir,  porque eu estou noiva e vou a Paris para me casar com um príncipe muito rico. Tudo isto, que a comadre está vendo foi presente dele.
A Formiga olhou o reluzente Mercedes Benz, todo aquele aparato, a Cigarra bonita, esplendorosa, encapotada, esbanjando todo o conforto de uma princesa.  Não se conformou, e desabafou:
Comadre Cigarra! 
Você falou que vai a Paris para casar com um príncipe, não é? Então comadre, se você encontrar lá um senhor que se chama La Fontaine, mande ele pra P.Q.P., viu?...


SEGUNDO CONTO

Não é piada, é um fato simples que aconteceu na Academia do Barro Branco, numa aula prática de Tática de Infantaria, e eu estava lá.
A Força Pública era muito belicosa. A ordem que tinha o Comando era a instrução militar muito severa, pois a Corporação tinha sido convocada para a guerra em 1943, para a defesa das Nações Unidas. A nossa vibração era extremada, lutar na Itália, derrotar o nazi-fascismo, libertar a França, morrer defendendo a honra a Pátria; arroubos da juventude! Que saudades...
No campo, a simulação era perfeita, trincheiras, Pelotões para o ataque, Artilharia a postos, a Cavalaria pronta para a carga, fuzilaria, rajadas de metralhadoras (festim). Em meio àquela confusão toda, um cadete, aturdido, desorientado, desgarrado de seu Pelotão, em meio às explosões de bombas, suando às bicas, sangrando (arranhões de espinhos), fardamento aos farrapos, eis que chega, a galope, o major Diretor de Ensino da Academia, comandante do ataque ao “inimigo” que esbravejou:

- Cadete, onde está o seu Pelotão?
- Cadete viva a situação de guerra. Cadete viva a situação.
E o cadete nada, inerte, não falava, não reagia, assustado  com a “guerra”, ainda mais com a figura espartana do Comandante.

-CADETE VIVA A SITUAÇÃO !!! 
-VIVA A SITUAÇÃO CADETE!!!
Aí, o cadete, ainda confuso mas eufórico, enche o peito e grita:
- VIVA SEU MAJOR! VIVA SEU MAJOR! VIVA SEU MAJOR!


A PONTE

Um fazendeiro muito rico, já velho,  pai de dois filhos, dividiu suas terras equitativamente. Cada filho herdou a sua gleba, com suas benfeitorias, suas aguadas, seus rebanhos, suas cabeças de gado, tudo, tudo,  tudo como o falecido pai desejou, harmoniosamente.
Mas um deles, genioso, achou que alguns pormenores não estavam certos e aí começaram discussões entre eles. O irmão de boa índole atendia às reclamações, às vezes com perdas, para honrar a memória do pai, mas o outro, de índole má, queria mais e mais. 
Resolveu então, o bom irmão, para não agravar a situação, mandar fazer um muro, nas divisas, isolando as duas glebas. Pensava que, com o muro alto não haveria mais contatos, mais confusões, mais dissabores com o ingrato irmão.
Procurou um pedreiro para a construção do muro. Apresentou-se um homem, nos seus 30 anos, cabelos e barbas compridos, olhar sereno, a fala como a candura dos anjos e o acordo foi feito.
O bom irmão viajou por uma semana e, quando voltou, a obra já estava pronta mas não era o muro, era uma ponte. Quando ia chamar a atenção do pedreiro, que não cumprira o acordo, eis que, o irmão a passos largos, irradiando felicidade, atravessou a ponte dizendo: meu irmão, pensei que você ia se separar de mim, mas você mandou fazer a ponte para que eu viesse abraçá-lo e pedir perdão pelas minhas malvadezas. A reconciliação foi divina!
O pedreiro a tudo assistia com um sorriso nos lábios. Os dois irmãos pediram que continuasse com eles, pois as duas fazendas precisavam de um bom pedreiro mas Ele declinou dos convites, dizendo: eu vou continuar a caminhada neste mundo, pois há muitas pontes para eu construir...


terça-feira, 5 de janeiro de 2016

O TRIBUNO IBRAHIM NOBRE

          Vinte e três de maio de 1932! Os brasileiros de São Paulo exigiam uma Constituição, pois, desde Outubro de 1930, com a queda da 1.ª República, o nosso Congresso havia emudecido, sob o guante do ditador Getúlio Vargas.
          Nesse dia, no meio da multidão, inflamada e enfurecida, na Praça da República, 4 estudantes morreram, em holocausto ao idealismo pela Constituinte: MARTINS, MIRAGAIA, DRAUSIO E CAMARGO formaram a sigla MMDC (o 5° herói, ALVARENGA morreu meses depois), a mola propulsora da Revolução Constitucionalista, que explodiria a 9 de julho.
          IBRAHIM NOBRE, o grande tribuno da Revolução, anos mais tarde, na inauguração do Banco do Estado (Banespa), desiludido, envergonhado pelos desvios de antigos companheiros, combatentes da arrancada bandeirante, que tinham aderido ao ditador, assomando à sacada do último andar do maravilhoso edifício, em meio ao mundo oficial presente, e a pedido do Governador Dr. Adhemar de Barros, proferiu de improviso, as seguintes palavras:

“CLAMAI SILÊNCIO!
OLHAI A BELEZA QUE DAQUI SE AVISTA
A TERRA, QUEM SABE AINDA É SÃO PAULO
MAS O POVO NÃO É MAIS PAULISTA.”

            Os restos mortais do grande tribuno repousam no Ibirapuera, ao lado dos heróis que morreram cedo para viver sempre, como escreveu o poeta.
            Sua estátua é um hino de brasilidade, ele, naquela postura firme, exaltando os homens de São Paulo a combaterem os inimigos da Lei e da Constituinte  da Pátria.
             Há poucas semanas, a memória de IBRAHIM NOBRE foi manchada, seriamente ofendida, pois em torno de seu vulto varonil, mil homens e cem mulheres, completamente nus, se exibiam, num quadro melancólico e aviltante, num culto da vulgaridade. Mil homens e cem mulheres amontoados, desgarrados do curral dos Deuses (Fernando Pessoa) conspurcando a memória paulista. São palavras do príncipe dos poetas paulistas Paulo Bonfim: os moços que morreram nos idos de 32 e repousam no Mausoléu de Ibirapuera, “contemplando” o quadro daqueles corpos nus, em frente da última trincheira, certamente reclamarão: “Mas  foi por essa liberdade que morremos?” E o eco repetindo as palavras de Ibrahim Nobre:

“Minha Terra, Minha Terra, Minha Pobre Terra!”



domingo, 6 de dezembro de 2015

O CONSELHO DO GOVERNADOR

          Conta-se que certo Governador recebeu, em seu Palácio, um parente, que pretendia seguir a carreira política. Trouxe do interior uma carta de apresentação do Presidente do Partido, recomendando, ao Chefe do Governo, que o indicasse candidato a Vereador na Capital, nas próximas eleições.
         Acolheu o moço carinhosamente, perguntou de seu pai, primo e amigo, também de sua mãe e conversaram durante horas sobre diversos assuntos, até que, lendo aquela missiva, encarou o rapaz e, num tom muito sério esclareceu não ter condições de entrar na carreira política, por uma questão grave, seu pai era um bêbado, sem-vergonha e ladrão e sua mãe não tinha boa conduta moral, constando ter vários amantes, e foi por aí afora, com sua linguagem amarga contra a família de seu primo.
         O rapaz, brioso, não aguentou tantos desaforos, avançando furiosamente contra o Governador, tentando esbofeteá-lo, mas os ajudantes de ordem, prevenidos carregaram-no para uma sala ao lado.
         Passadas algumas horas, foi trazido ao gabinete, assustando-se quando o Governador o abraçou efusivamente, dizendo-lhe: “Meu querido sobrinho, você não pode ser político, porque nós temos que ouvir todas essas imprecações, todo esse desaforos, acusando-nos uma hora de ladrão, outro de homem traído (corno), ou o que é pior, de gay. Meu menino me perdoe, sua mãe é uma santa, seu pai é honesto, conduta ilibada, é um varão de alta linhagem. Volte para sua terra, recomende-me aos seus pais, meus caríssimos primos e escute o meu conselho: Escolha uma outra destinação, outro objetivo e conte comigo, farei tudo para ajudá-lo, agora, para política você não serve”.



quinta-feira, 26 de novembro de 2015

ROCAM


No último dia 24 de Agosto a Câmara Municipal e Associação Comercial de São Paulo comemoraram o Dia Internacional do Motociclista. Para tanto, numa cerimônia ocorrida na própria Câmara, foi homenageado o Coronel PM Pedro Rezende de Oliveira Mello como digno representante dessa classe notável de pessoas mundo afora.
O Coronel Mello em 1990, como comandante da escolta de Batedores do Palácio do Governo de São Paulo, iniciou uma cruzada no sentido de levar para o policiamento ostensivo, a motocicleta como veículo de patrulhamento, assim como era empregada em inúmeros países do mundo.
Após três anos de várias tentativas com o apoio de seu comandante Coronel Vianna, conseguiu apresentar seu projeto com o tipo de motocicletas e motociclistas em questão ao Exmo. Sr. Governador de Estado, que de imediato aprovou a ideia e deu aval para a criação desta especialidade.
Nesta época, eclodiu em São Paulo, enorme atividade de roubo a bancos, dificilíssimo de combater pelo trânsito caótico da capital, fator este que exigiria veículo de perseguição que não sofresse os congestionamentos do trânsito e a moto é o veículo ideal para circulação neste caso.
O Coronel Mello iniciou esse trabalho com a seleção por aptidão vocacional do efetivo que comporia a ROCAM nome escolhido pelo comando da PM para este órgão.
Enquanto se instalava o processo de aquisição de 100 motocicletas e 10 viaturas de apoio, foi dado o início ao mais intensivo curso teórico policial e prático motociclístico em várias modalidades como patrulhamento, escolta, esportivo de motovelocidade, moto cross e trial, para habilitar seus condutores com as técnicas mais modernas de pilotagem, para melhor desempenho e segurança dos mesmos. Isto foi possível porque o Coronel Mello competia em todas estas modalidades. Este curso, o mais longo efetuado na Polícia Militar, durou três meses. Foi tão perfeito que por quase um ano não houve acidentes com estes PMs.
Esta formação foi fundamental para que décadas depois a Corporação, no Estado inteiro, tenha recebido este serviço, sendo hoje a segunda maior frota do policiamento e que provavelmente assuma em algum tempo, pelo seu custo-benefício e sucesso na atividade-fim, venha se tornar, a base do rádio patrulhamento em São Paulo e até em outros estados.
Por isso o Coronel Mello foi agraciado com o Marco Mundial da Paz e com o diploma referente a data pela Câmara Municipal e Associação Comercial.
Como se percebe o mundo da motocicleta, ainda pouco explorado em diversas atividades profissionais, pode trazer ótimos resultados para a sociedade. Só resta imaginar quantas vidas salvas e meliantes encarcerados a ROCAM providenciou, o que, de certa forma, justifica este maravilhoso reconhecimento da sociedade.


NOTA: Esta transcrição me emociona! Parabéns meu querido filho, você sempre carreou, para seu pai, momentos de alegrias e incontido orgulho.

domingo, 8 de novembro de 2015

SANTO EXPEDITO. BENDITO SEJA!

Em plena Segunda Grande Guerra Mundial, foi criada a Capelania Militar da antiga Força Pública, pioneira no Brasil, sendo nomeado primeiro Capelão o padre Paulo Aurissol Cavalheiro Freire, ostentando, orgulhosamente, no ombro, sobre a batina preta, o galão de 2º. Tenente.

Pensou, o Tenente Aurissol, o que fazer? Era urgente ter um templo, uma igreja, uma capela, um espaço material para consolidar a grandeza da obra espiritual.

De pronto, apresentaram-se ao Capelão um Engenheiro e um Arquiteto, este o então Tenente Nelson Brotto e aquele, o Doutor Ignácio de Anhaia Mello, que imediatamente lançaram a pedra fundamental da sonhada igreja, que seria batizada de “Santo Expedito”, homenageando o Centurião Romano, Comandante da Cavalaria Expedita dos Exércitos de Julio César.

Ao Tenente Nelson Brotto coube a execução da obra, mas não havia verba para tal. O que fez então o nosso arquiteto Brotto? Conseguiu de seus colegas do Instituto de Engenharia, centena deles, a doação de todas as sobras de material de suas construções (tijolos, telhas, madeirames, material elétrico, tubulações, enfim tudo o que interessava para a construção do templo).

A mão de obra conseguiu com o Diretor da Casa de Detenção, na época situada na Avenida Tiradentes. Todas as manhãs, pessoalmente, o Tenente Brotto “escoltava”, sozinho, uma vintena de detentos, capacitados em todas as modalidades de construção. No fim da tarde era a volta para o corretivo penal, sempre acompanhado pelo nosso tenente, que granjeou amizade e a admiração dos presos. Nesse exercício diário, por meses a fio, talvez anos, muitos presidiários se regeneraram e adotaram Cristo em seus corações.

Imponente, aí está a nossa Capelania Santo Expedito, obra do Dr. Anhaia Mello, já falecido há muitos anos, o padre Aurissol também. O Tenente Brotto faleceu recentemente, sendo absolutamente certo que todos eles estão na Eternidade, na bemaventurança de Deus.
Na missa de 7ª. Dia de meu amigo Coronel Brotto, meu irmão, meu colega da Academia de Policia Militar do Barro Branco, lembrei que ele era uma referência, figura emblemática em nossa querida Corporação. Homem inteligente, com invejável cultura geral e profissional, eclético por excelência. Seu coração era bondoso com os homens e com os animais.
Discípulo de São Francisco de Assis, recolhia, das ruas, cachorros, gatos e outros animais famintos e doentes, levava-os para a sua casa para alimentá-los e curar suas feridas. Tinha uma paixão especial para com os cavalos, repetindo sempre, em todos os livros que escreveu, e foram muitos, que todos os animais são suspiros de Deus mas, o cavalo é o seu devaneio.


Padre Aurissol Cavalheiro, Engenheiro Anhaia Mello e Arquiteto Nelson Brotto, benditos sejam! Santo Expedito, mil vezes Bendito seja!

terça-feira, 28 de julho de 2015

SEMANA EUCLIDES DA CUNHA

A crônica deste mês é sobre a Semana Euclides da Cunha, que se realiza, todos os anos, no mês de agosto, em São Jose do Rio Pardo, homenageando o grande escritor e sua famosa obra literária OS SERTÕES.

Esse acontecimento atrai brasileiros e estrangeiros, admiradores de Euclides da Cunha e de seu livro, traduzido em todos os idiomas do mundo.

A cada ano, a Semana é enriquecida, pois veem à luz, sobre o magno evento, novos temas, diálogos, críticas, discussões, discursos, conferências, filmes, etc... que somam à já grandiosa literatura sobre o apaixonante assunto. O leitor, naturalmente curioso, perguntará: Por que a Semana ser realizada em São José do Rio Pardo, sendo Euclides da Cunha fluminense, nascido no município de Cantagalo?

Antes de responder, quero dar a notícia de que a bela cidade de São José do Rio Pardo é terra natal do nosso amigo Maj. Dércio Chiconello, brilhante jornalista, redator do nosso “Clarinadas da Tabatinguera”.

Vamos aos fatos. Euclides da Cunha desligou-se do Exército, em fins do século XIX, onde servira como 1.º Tenente. Mudou-se para São Paulo, sendo contratado para ir à Bahia, como correspondente do jornal “O Estado de São Paulo”, para cobrir toda a Guerra de Canudos (1897).

Essa Guerra ou Campanha deveu-se a Antônio Conselheiro e seus jagunços. Pensava-se, na ocasião, que o Conselheiro fosse o chefe de outra Rebelião, para derrubar a Novel República, assustadas que permaneciam as autoridades federais com a Revolta da Armada de 1893, cujos líderes desejavam a volta de D. Pedro II. O Conselheiro e seu Bando sempre repetiam o nome do Imperador nas frequentes procissões de cunho religioso.

Suas primeiras vitórias carrearam à região milhares de nordestinos, fanatizados pelo novo Messias, que pregava a luta até a morte, porque no Paraíso os rios são de leite e os barrancos de rapadura. Com essa crença mística, os simples jagunços se tornaram guerrilheiros incomparáveis, enfrentando os canhões e rajadas de metralhadoras das tropas governistas, convictos de que, morrendo, teriam a recompensa divina.



A OBRA


OS SERTÕES, obra de imenso valor, foi traduzido em todos ou quase todos os idiomas do mundo, projetando o nome do Brasil e de seu grande escritor Euclides da Cunha.

Em março de 1897, escreveu o seu primeiro artigo para o jornal O Estado de São Paulo, intitulado “A Nossa Vendéia”, relacionado com a campanha de Canudos. Comparou Antônio Conselheiro e seus jagunços aos camponeses católicos da região da França (Vendéia), fieis ao Rei Luiz XVI, contra os jacobinos da Revolução Francesa de 1789. Escreveu outros artigos, guardou-os para um futuro livro. 

Em 1899, Euclides vai a São José do Rio Pardo para, como engenheiro, reconstruir uma ponte metálica, caída durante uma enchente. Levou consigo toda documentação sobre Canudos, todo o seu diário de campanha. À beira do Rio Pardo construiu uma cabana, cobertura de zinco e, nas horas de folga e de inspiração, escreveu a monumental obra que foi lançada em 1902 com grande êxito de críticas e vendas.

O livro foi estruturado em 3 partes: A Terra, O Homem e A Luta.


A TERRA


É a descrição da terra, feita pelo grande escritor, detalhando todas as características da região, sua geografia e sua geologia. Descreveu, com maestria, o solo, a flora e a fauna, enfocando a seca como a maior das calamidades para os nordestinos.

Ele praguejou a terra, barbaramente estéril, exaltando-a como maravilhosamente exuberante quando, com um pouco de chuva, aquele deserto medonho se transformava, as matas se cobrindo de verde, alegrando a alma do sertanejo.


O HOMEM


“O sertanejo é, antes de tudo, um forte. Não tem o raquitismo exaustivo dos mestiços neurastênicos do litoral...”

Neste capítulo, Euclides da Cunha foi um sociólogo e um antropólogo. Descreveu o sertanejo e sua relação com a terra, com o meio, sua gênese, seu comportamento, crença, uso e costume. Sobre Antônio Conselheiro, o líder das caatingas, apresentou o seu passado, o seu caráter e como era a sua vida nas andanças místicas. 

As duas partes A TERRA E O HOMEM, minuciosamente descritas, são o grande palco onde entrarão os personagens para o grande espetáculo, a guerra que não devia ter acontecido, verdadeiramente um genocídio.


A LUTA


Em 1893, o governo da Bahia mandou uma Companhia para limpar a região, pois o pregador já atemorizava os moradores das caatingas. Conselheiro e seus homens desbarataram a tropa do Cap. Vergílio Pereira de Almeida, da Força Pública baiana.

O governo federal, preocupado com a ordem social ameaçada e o perigo de restauração da Monarquia, organizou uma expedição militar para vencer os amotinados. Essa expedição é derrotada. Mais duas, a 2.ª e 3.ª expedições também são derrotadas, ficando todo o material bélico em poder dos jagunços. 

Somente a 4.ª expedição logrou êxito.



Vejamos a constituição dessas quatro expedições militares:


Em 1896 – 1.ª Expedição – do Exército, comandada pelo 1.º Ten. Pires Ferreira – efetivo 107 praças. Foi completamente desbaratada e todo o armamento ficou em poder dos jagunços.

Em 1897 – 2.ª Expedição – do Exército e Força Pública da Bahia, comandada pelo Maj. Febrônio de Brito – efetivo 506 homens munidos de metralhadoras e dois canhões Krupp – completamente vencida e todo o armamento apreendido.

Em 1897 – 3.ª Expedição, mês de março – do Exército e Força Pública da Bahia – composta de Infantaria, Cavalaria e Artilharia – comandada pelo Cel. Moreira César – efetivo 1.300 homens – completamente batida – idem quanto ao material bélico.

Em 1897 – 4.ª Expedição – do Exército e Forças Públicas de vários Estados (de São Paulo, o 1.º BI – hoje 1.º BPM/M “Tobias de Aguiar”) – efetivo 14.000 homens das Três Armas, comando do Gen. Arthur Oscar.

O Arraial de Canudos foi completamente destroçado, mas foi triste o balanço da Guerra: 25.000 mortos (Legalistas e Revoltosos). A Campanha foi um episódio glorioso da Nação ou foi um erro, um genocídio? O próprio Euclides da Cunha, que chegou à região deflagrada, dando Vivas à República e morte a Antônio Conselheiro, se convenceu depois que a guerra não deveria ter acontecido contra aqueles pobres nordestinos, sofridos nos campos áridos daqueles sertões.

Como vimos, na 4.ª Expedição, o nosso 1.º Batalhão de Infantaria (hoje o 1º. BPM/M) lutou heroicamente. Vejamos o desempenho da tropa paulista, extraído dos escritos de Euclides da Cunha e da sua obra Os Sertões:

“A 1º de agosto de 1897, o 1.º Batalhão de Infantaria, da então Força Pública, rumou às terras da Bahia, fazendo o trajeto até Santos por via férrea. De Santos a Salvador a bordo do Vapor Itaituba.

A chegada à capital baiana deu-se a 7 de agosto e a partida, para o requeimado sertão no dia 9, percorrendo o Batalhão o itinerário Salvador-Queimadas, Queimadas-Monte Santo e Monte Santo-Canudos.

Em Monte Santo, chegou a 23 de agosto, desfilando garbosamente pelas ruas da cidade, ao som de marchas militares, surpreendendo autoridades e o povo, pois a apresentação era impecável, em que pesassem 100 quilômetros de deslocamento estafantes.

Incorporado às Forças em operação, recebeu a missão de escoltar até Canudos um comboio de víveres e munições, mais ainda dezenas de muares e 700 cabeças de gado para o abastecimento da tropa. Nenhuma dessas caravanas tinha conseguido chegar intacta ao Arraial de Antônio Conselheiro, pois os fanáticos atacavam sempre, desbaratando-as e apoderando-se da preciosa carga“.



Euclides da Cunha, numa reportagem de 2 de setembro, assim se referiu:


“O Batalhão Paulista, escoltando um comboio, foi atacado nas proximidades de Canudos. Repeliu o inimigo, sem perder um só homem e sem deixar extraviar uma só rez ou muar do rebanho. Foi recebido com entusiasmo pelas forças em operação.

O Batalhão era perfeito na disciplina. Cumpria todas as ordens que recebia, rigorosamente, e estritamente com uma precisão verdadeiramente militar; arriscadíssimas e sérias foram muitas vezes as posições que ocupou e não abandonou.

Mas não era a primeira vez que os Paulistas se aventuraram a arrancadas nos sertões. O Batalhão de São Paulo, heróico e desassombrado no combate, fez reviver, por um momento, numa página da história do presente, todo o vigor guerreiro e toda a índole varonil dos valentes Bandeirantes.

No dia 25 de agosto, o Batalhão entrou em operação de guerra, tomando parte em violentos combates. A 9 de setembro, duas Companhias foram destacadas para guarnecer a estrada do Calumbi, posição chave para as comunicações da linha de frente com a retaguarda, ponto vital de concentração do material bélico e de boca.

Os jagunços esperavam no Calumbi a chegada da expedição do Gen. Arthur Oscar, pois o terreno favorecia o assalto. A estrada ladeada pelas montanhas de Calumbi a Cachamingó, tendo um trecho de mais de 3 quilômetros em desfiladeiro, cortado pelos rios Sargento e Caraíbas. A tropa paulista repeliu valentemente o inimigo, apesar de suas cutilantes investidas.

A 25 de setembro, o Maj. José Pedro de Oliveira, comandando uma ala do Batalhão, recebeu ordens de atacar um grupo de trincheiras inimigas, na bifurcação da estrada de Uauá com Canudos. Foi um embate cruento de longas horas, tendo as tropas do Conselheiro batido em retirada, não resistindo às cargas cerradas, deixando dezenas de mortos e copioso material bélico.

Nesse combate os paulistas tiveram 6 mortos e muitos feridos, entre os quais o valente Maj. José Pedro de Oliveira que, mal refeito dos ferimentos, tomou parte com o Batalhão, a 30 de setembro, no combate decisivo contra Conselheiro e seus homens.

No assalto final ao reduto de Canudos, que só terminou a 5 de outubro, nas cargas e no corpo a corpo, o Batalhão Paulista perdeu mais 6 homens, lutando heroicamente, ao lado dos efetivos do Exército Nacional e das Forças Públicas da Bahia, Pará e Amazonas”.

O lendário Batalhão Paulista regressou a São Paulo, aqui chegando com dezenas de feridos a 26 de outubro, sendo recebido entusiasticamente pelas autoridades e pelo povo. A Bandeira Nacional, que defendeu na dura refrega, se encontra no Salão de Honra do Quartel da Luz, em cujo pátio se ergue, majestoso, o monumento em mármore, onde estão esculpidos os nomes dos 12 mortos paulistas na cruenta guerra.



EUCLIDES DA CUNHA


Euclides da Cunha nasceu a 20 de janeiro de 1866, no município de Cantagalo, Estado do Rio de Janeiro. Assentou praça na Escola Militar em 1886, visando a engenharia militar, tendo sido aluno de Benjamim Constant, que pregava, aos seus discípulos, o positivismo e o ideal republicano.

Em dezembro de 1888, foi desligado da Escola Militar e do Exército, por ter cometido grave falta disciplinar, ao atirar seu sabre ao chão, numa ofensa ao Ministro da Guerra, que visitava os cadetes, para desmobilizá-los de participação na propaganda republicana.

Quando era acirrada na capital federal a luta para a Proclamação da República, Euclides da Cunha mudou-se para São Paulo, onde escreve veementes artigos no jornal “A Província de São Paulo” contra a Monarquia.

No dia 16 de novembro 1889 vai ao Rio, para participar das comemorações pela vitória republicana, na casa do Maj. Sólon Ribeiro. Nessa noite enamorou-se da filha do anfitrião.

A 19 de novembro foi reintegrado ao Exército e promovido a 2º. Tenente. No ano seguinte casou-se com Ana Sólon Ribeiro. Em 1892 , já 1º. Tenente foi eleito membro da Academia Brasileira de Letras e do Instituto Geográfico e Histórico do Rio de Janeiro.

Em 1904 foi nomeado, pelo Itamarati, chefe da Comissão de Fronteiras, na Amazônia, regressando dois anos depois, sendo efetivado no Ministério do Barão do Rio Branco. Publicou livros: O Alto Purus, Contrastes e Confrontos e Peru Versus Bolívia.

Em 1909 foi nomeado professor de Lógica no Colégio D. Pedro II, marcando a tragédia de Piedade.

No dia 15 de agosto, um domingo chuvoso, no bairro carioca de Piedade, numa troca de tiros com o Cadete Dilermando de Assis, amante de sua esposa, morre Euclides da Cunha. Velado na Academia Brasileira de Letras, sepultado no dia 16, no Cemitério São João Batista, em Botafogo, no Rio de Janeiro.

Anos mais tarde, seu filho, Euclides da Cunha Filho, o Quindinho, Aspirante a Oficial, quis vingar a morte do pai. Também foi morto pelo Cap. Dilermando.

No dia 15 de agosto de 1982, os restos mortais de pai e filho foram trasladados para o mausoléu, em São José do Rio Pardo, à beira do rio, ao lado da cabana, onde veio a luz a extraordinária obra OS SERTÕES. 

terça-feira, 9 de junho de 2015

CURIOSIDADES


A Saudade

(Crônica de Guilherme de Almeida escrita a bordo do Navio “Siqueira Campos” que levava os exilados para Portugal)


Não há mulheres a bordo? Há! Viaja conosco uma passageira clandestina, de volta a Portugal, seu país de origem. Vive toda e sempre escondida. Nem a oficialidade, nem o pessoal de bordo, nem os agentes de polícia que nos espiam, nem a escolta que nos inveja – ninguém, ninguém notou ainda a sua presença entre nós, na prisão flutuante.

E, no entanto, ela está por toda a parte. E ela divide, a clandestinidade, por todos nós, o seu carinho santo, com a piedade generosa de um irmã de caridade. Vai, de cabine em cabine, de mesa em mesa, de pensamento em pensamento. Senta-se no beliche, maternalmente, à cabeceira daquele que a insônia atormenta, e repete o gesto antigo que cobriu como numa asa, o nosso berço; apoia-se como uma cruz suavíssima, ao ombro daquele que, sentado num rolo de cordas da popa, finge olhar o crepúsculo exangue; debruça-se sobre o que escreve ou o que lê, e conduz a mão sobre o papel, ou volta às páginas do livro.

Quando ela veio de Portugal, era loira e leve: parecia a “velida” de D. Diniz, a “bem talhada”, a “delgada”, a “muito alongada da gente”, bailando “solo verde ramo florido...mas aqui, nos trópicos americanos, queimou-se de sol e amolentou-se no balanço das redes e das palmas.

E eis, agora, regressa mais lânguida e mais humana à sua pátria...

Viaja conosco uma passageira clandestina de volta a Portugal, seu país de origem. Ela é a Saudade!



Sete de Setembro

Dia da Independência
“Adversários, mas não inimigos”


Às sete horas de uma fulva manhã, estava todo o nosso QG nos esporões do Morro do Canhão. A Bandeira Brasileira foi hasteada no centro e no ponto mais alto das linhas. Um pelotão de combatentes subiu em cima das trincheiras na posição mais exposta ao fogo inimigo. Ao lado, formaram, em continência, todos os oficiais do comando.

O inimigo emudeceu como uma onça magnetizada por um foco de luz. Depois, atônito, impulsionado por uma por uma ordem irresistível, se pôs também de pé, no alto de suas posições, ao longe.

Enquanto isso a bandeira subia e os clarins cantavam.

Os seis quilômetros que podíamos ver de nossas linhas alçaram-se nas cristas e uma ordem geral que ninguém deu, mas todos ouviram e obedeceram. As trincheira ficaram de pé, ao sol!

E a Mantiqueira viu dois exércitos adversários interromperem a batalha e a prestar continência à mesma Bandeira que só um deles desfraldou. O Pavilhão chegou ao alto, tremulando. Os clarins pararam. O Capitão Saldanha deu a voz de descansar armas, mas o inimigo, voltado a si, quis comemorara liberdade a seu modo. Uma rajada grunhiu ao longe e assoviou sobre o nosso grupo, ainda no alto das trincheiras.