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domingo, 25 de novembro de 2012

120 anos - Dois de Ouro - 2º BPM/M "Cel. Herculano de Carvalho e Silva"

Dia 09 de novembro p.p, aconteceu na Academia de Polícia Militar do Barro Branco, a solenidade de formatura de 89 tenentes do curso superior de Tecnólogo de Administração Policial Militar, presidida pelo Cel. PM Roberval Ferreira França, digno Comandante Geral da Corporação. Estavam presentes o Cel. Luis Eduardo Pesce de Arruda, diretor de Ensino e Cultura, o Major Olímpio Gomes, nosso deputado da Assembleia Legislativa, o desembargador Lazarini, os juízes de nosso Tribunal Militar, Ceis. Avivaldi e Santinon, o Cel. Ventura, presidente do MMDC, o Comandante da Academia, Cel. PM José Maurício Weisshaupt Peres, vários oficias superiores e demais oficiais e praças da PM, além dos familiares dos novos tenentes.
Tive a honra de ser o paraninfo da turma "120 anos - 2 de Ouro - 2º BPM/M - Cel. Herculano de Carvalho e Silva". Na minha oratória, homenageando os dignos formandos, congratulei-me com eles pela feliz escolha de batismo da Turma. Falei também de minha emoção por recordar que há 68 anos eu recebia a Espada de Aspirante, naquele pátio sagrado da antiga e querida Força Pública de São Paulo. Senti naquele momento que uma "ilusão gemia em cada canto e chorava em cada canto uma saudade"

Por quê 120 anos?
Com o advento da República, São Paulo crescia a passos largos, movimentado pelo General Café. Era urgente uma reforma, uma atualização do Corpo Policial Permanente. Em 1891, a denominação passou a ser "Força Pública Estadual", com quatro Corpos Militares de Polícia. Os dois primeiros foram os atuais 1º BPM/M Tobias de Aguiar, a ROTA e o 2º BPM/M Cel. Herculano de Carvalho e Silva, instalados na Avenida Tiradentes, a 1º de dezembro de 1892, portanto há 120 anos. O Quartel do Corpo Policial Permanente foi o primeiro andar da Ordem dos Carmelitas, hoje o prédio da Secretaria da Fazenda Estadual.

Por quê Dois de Ouro?
Em 1893, a nossa Marinha de Guerra sublevou-se contra o Presidente da República Floriano Peixoto. Era a Revolta da Armada, chefiada pelos Almirantes Custódio José de Melo e Saldanha da Gama, que desejavam derrubar a jovem república e repor o governo do Brasil onde estava a 15 de novembro de 1889, emprestando então, a esse movimento revolucionário, um cunho monarquista, a volta de Pedro II.
Ao mesmo tempo, Gumercindo Saraiva arregimentou forças gaúchas - Revolução Federalista - empreendendo a marcha ao Rio de Janeiro para juntar-se à Marinha, na ilusão de uma vitória.
Suas tropas estacionaram no Paraná sendo derrotadas pelos batalhões da legalidade, entre eles, o nosso 2º Batalhão de Infantaria, que libertou Paranaguá e Curitiba em poder dos Federalistas. Nessa ocasião foi apelidado pela imprensa local de Dois de Ouro, desfilando pelas ruas atapetadas de flores da capital paranaense.

Por quê Herculano de Carvalho e Silva?
Ele é um dos ícones da história militar paulista, guerreiro e lutador nas Revoluções de 1922 (Os 18 do Forte de Copacabana), em 1924 (Revolução de Isidoro Dias Lopes e Miguel Costa), na perseguição em 1926 da Coluna comandada pelo Gen. Miguel Costa e, em 1930 defendendo a legalidade contra Getúlio Vargas.
Em 1932, o Cel. Herculano comandava o 2º Batalhão de Caçadores, o Dois de Ouro, seguindo para a frente de combate, enfrentando a Força Pública de Minas Gerais, em duros e  cruentos combates, na região do Túnel da Serra da Mantiqueira. Com a morte de Júlio Marcondes Salgado, a 23 de julho foi ele nomeado Comandante Geral da Força Pública. O fronte agora, não era somente a batalha do Túnel, era quase todo o Brasil contra São Paulo, esse Brasil que não entendeu o patriotismo dos paulistas, não entendeu que um país não pode ter um ditador que rasgou a Constituição brasileira, a nossa carta magna. Infelizmente São Paulo foi derrotado.
O Marechal Foch, comandante supremo dos exércitos aliados, contra a Alemanha, em 1918, comandando 1 milhão de homens, depois da vitória expressou o seguinte: "O Presidente Wilson dos EUA proclamou: Nós ganhamos a Guerra! O 1º Ministro da Inglaterra, Lorde George reclamou vitória para sua pátria e Clemenceau, ministro da França, falou mais alto, elegendo os gauleses como vitoriosos. Esquecido na sua modéstia, o grande marechal confidenciou: "Se perdêssemos a guerra todos eles procurariam um traidor, um Judas e esse traidor, esse Judas seria eu".
O mesmo aconteceu com o Cel. Herculano de Carvalho e Silva. Ele escreveu: Se São Paulo vencesse a sublime revolução constitucionalista, de 1932, os vitoriosos seriam: Pedro de Toledo, Gen. Isidoro Dias Lopes, Gen. Bertholdo Klinger ou o Gen. Euclides Figueireido! Como perdemos, procurou-se um traidor, procurou-se um Judas e esse traidor, esse Judas fui eu!
No fim de meu discurso, tornei a agradecer aos jovens tenentes a honra de ser paraninfo. Lembrei-lhes da gravidade do momento, a gloriosa corporação enfrentando uma guerrilha de bandidos, com o sangue derramado de dezenas de nossos heróis. Lembrei-lhes também que eles, além de suas funções administrativas, certamente seriam convocados nessa dura refrega e por fim, sugeri ao Cel. Roberval, o nosso comandante, que se for preciso convoque os veteranos da gloriosa PM para a luta.


6 comentários:

  1. Belo texto Comandante.
    Bonita homenagem.

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  2. Belas palavras Cmte.
    Meu 2 de Ouro querido, onde deixei sangue e suor com muito orgulho.

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  3. Cada um que serviu no Dois de Ouro sabe o valor que esse Batalhão tem e ali serviram com orgulho e dedicação, viva o Dois de Ouro!!!!!

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  4. Cada um que serviu no Dois de Ouro sabe o valor que esse Batalhão tem e ali serviram com orgulho e dedicação, viva o Dois de Ouro!!!!!

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  5. Veteranos:
    Passei por esse QUARTEL em 1977, durante o 1º semestre da ultima Escola de Sargentos ali instalada.Ali voltei no ano seguinte integrando o 2º BPChq por 6 meses, indo em seguida para a Casa Militar. Saudades.
    Solicitei exoneração da Corporação em 1983. Desde então, sou jornalista, editor, publicitário, bacharel em direito. Tenho orgulho de registrar essa fase de minha vida, que, inclusive, estou registrando em minhas memórias em breve publicadas.

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