Boa leitura!

segunda-feira, 25 de julho de 2016

Coronel Guilherme Mendes – Um Herói

Guilherme Mendes era 3.º Sargento do nosso 1.º Batalhão de Caçadores, quando estourou a Revolução de São Paulo em 1924.
Cumprindo ordens ele participou da Coluna Revolucionária Miguel Costa-Prestes durante quase 3 anos, lutando em guerrilhas contra as Tropas fieis ao Governo. Esse feito é considerado como a maior marcha militar do planeta.
Os rebeldes, em inferioridade asilaram-se na Bolívia, os chefes maiores demandaram Buenos Aires. O nosso herói Guilherme Mendes, da Bolívia enfrentou sozinho a volta ao Brasil, percorrendo a pé enorme distância, sofrendo privações e provações até alcançar o nosso Estado.
Depois de alguns meses, apresenta-se ao Comando da Força Pública, que o acolheu, reconhecendo o seu posto de Oficial. Em outubro de 1930 defende o Poder Constituído, lutando contra as tropas de Getúlio Vargas.
Em 1931 casa-se com dona Elza Mendes, nascendo desse casamento dois filhos, o senhor Guilherme Mendes Filho e dona Icléia  Mendes.
Em 1932, nos duros combates do Túnel na Serra da Mantiqueira, defendeu o ideal de São Paulo, a volta da Constituição Brasileira, usurpada desde 1930 pelo ditador Getúlio Vargas.
Na década de 40 foi nomeado, como Capitão, Comandante da Guarda Civil de São Paulo.
Coronel Guilherme Mendes faleceu em 10 de agosto de 1999 e dona Elza, em 09 de maio de 2006.
Esse breve relato foi a minha contribuição homenageando o grande e saudoso amigo, coronel Guilherme Mendes e agora tem o seu túmulo no Mausoléu do Ibirapuera.                                                           

sexta-feira, 15 de julho de 2016

IMPROVISO NO PALACIO DA JUSTICA – MMDC


Recordemos... no dia 23 de maio de 1932, o Interventor Federal Dr. Pedro de Toledo, reconquistou a sua autoridade, liderando toda a consciência no povo bandeirante, nomeando o secretariado paulista.
A multidão que se comprimia nas adjacências e nos jardins do Palácio do Governo exultou, orgulhando de seu governo que, nesse dia, reafirmando a fibra brasileira e o ânimo dos filhos de Piratininga.
Dando evasão a essa grande conquista para os seus brios, o povo se dirigiu para o centro da cidade e ao passar pela Praça da República esquina com a rua Barão de Itapetininga, é metralhado por elementos da legião política que guarneciam a sede do PPP (Partido Popular Paulista).
Consulmou-se então, a tragédia que sensibilizou todas as consciências livres e marcou o calendário cívico da nossa terra. São os símbolos de 23 de maio: Euclides Miragaia, Mário Martins de Almeida, Dráusio Marcondes de Sousa e Antônio Camargo de Andrade. Dias depois faleceu Orlando Alvarenga, sorocabano, mas a sigla MMDC já estava consagrada.
A ditadura de Getúlio Vargas, foi acusada pelo crime nessa ocasião. Houve um processo na Secretaria de Segurança Pública de São Paulo para desvendar o problema,mas não foi apontado o ou os responsáveis pelo crime e o processo foi arquivado. Tentou-se em 1954, levantar o problema, mas não prosperou.


No dia 08 pp improvisou-se um júri simulado. Para esse julgamento participaram estudantes de diversas faculdades de SP, sob a presidência da juíza Maria Isabel do Prado, da 5ª Vara Federal Criminal de SP. Todos os participantes, inclusive pelotões da nossa PM com fardamentos da época e os demais vestidos à caráter.
Os participantes foram treinados durante 06 meses, por professores de faculdades de direito sob a orientação do Dr. Aleksander Sanchez, sendo o coordenador dos trabalhos do júri simulado o advogado Sidney Lobo Pedroso.
Depois de mais de 4h de debate houve a votação, havendo o empate (6 votaram a favor da condenação da ditadura e os outros 6 contra). E a presidente usando do princípio “In Dubio pro Reu”, absolveu a Ditadura Vargas.




Foto extraídas do site: http://jota.uol.com.br/em-juri-simulado-sobre-m-m-d-c-ditadura-e-absolvida-no-tj-de-sao-paulo 
Crédito:Gedeão Dias / TJ - SP

IMPROVISO NO PALACIO DA JUSTICA – MMDC


Recordemos... no dia 23 de maio de 1932, o Interventor Federal Dr. Pedro de Toledo, reconquistou a sua autoridade, liderando toda a consciência no povo bandeirante, nomeando o secretariado paulista.
A multidão que se comprimia nas adjacências e nos jardins do Palácio do Governo exultou, orgulhando de seu governo que, nesse dia, reafirmando a fibra brasileira e o ânimo dos filhos de Piratininga.
Dando evasão a essa grande conquista para os seus brios, o povo se dirigiu para o centro da cidade e ao passar pela Praça da República esquina com a rua Barão de Itapetininga, é metralhado por elementos da legião política que guarneciam a sede do PPP (Partido Popular Paulista).
Consulmou-se então, a tragédia que sensibilizou todas as consciências livres e marcou o calendário cívico da nossa terra. São os símbolos de 23 de maio: Euclides Miragaia, Mário Martins de Almeida, Dráusio Marcondes de Sousa e Antônio Camargo de Andrade. Dias depois faleceu Orlando Alvarenga, sorocabano, mas a sigla MMDC já estava consagrada.
A ditadura de Getúlio Vargas, foi acusada pelo crime nessa ocasião. Houve um processo na Secretaria de Segurança Pública de São Paulo para desvendar o problema,mas não foi apontado o ou os responsáveis pelo crime e o processo foi arquivado. Tentou-se em 1954, levantar o problema, mas não prosperou.


No dia 08 pp improvisou-se um júri simulado. Para esse julgamento participaram estudantes de diversas faculdades de SP, sob a presidência da juíza Maria Isabel do Prado, da 5ª Vara Federal Criminal de SP. Todos os participantes, inclusive pelotões da nossa PM com fardamentos da época e os demais vestidos à caráter.
Os participantes foram treinados durante 06 meses, por professores de faculdades de direito sob a orientação do Dr. Aleksander Sanchez, sendo o coordenador dos trabalhos do júri simulado o advogado Sidney Lobo Pedroso.
Depois de mais de 4h de debate houve a votação, havendo o empate (6 votaram a favor da condenação da ditadura e os outros 6 contra). E a presidente usando do princípio “In Dubio pro Reu”, absolveu a Ditadura Vargas.




Foto extraídas do site: http://jota.uol.com.br/em-juri-simulado-sobre-m-m-d-c-ditadura-e-absolvida-no-tj-de-sao-paulo 
Crédito: Gedeão Dias / TJ-SP

quarta-feira, 1 de junho de 2016

ESPADIM 2016

         Dia muito feliz para mim e minha família, pois três jovens cadetes da Academia de polícia Militar do Barro Branco, Jacqueline Silva, Rhuan Muniz e Edson Junqueira vieram em nossa residência, convidar-nos para a solenidade de entrega de espadim para a Turma (Tenente Antonio Pereira Lima), composta de 248 Alunos do primeiro ano do Curso de Bacharelado em Ciências Policiais de Segurança realizada no dia 24 de maio, dia consagrado aos 150 anos da Batalha de Tuiuti, vencida pelo nosso General Osório.
         Mais felizes e orgulhosos ficamos quando os jovens Cadetes nos contaram que eu tinha sido apontado para Paraninfo da Turma.
         Está reproduzido neste Blog, página por página, o honroso convite. No próximo artigo do blog publicaremos a notícia da solenidade do dia 24, inclusive o meu discurso, homenageando os meus afilhados.


PATRONO
Tenente PM – Antonio Pereira de Lima

           Sua história na PM se inicia com o seu ingresso na corporação como Soldado da FP, vindo a romper inúmeras barreiras sociais. Em uma sociedade ainda com resquícios da extinta escravidão, o já então Sargento FP Pereira Lima, negro, superou barreiras e ingressou no Curso Especial Militar, atual CFO da APMBB, com matrícula em 01 de janeiro de 1925, na graduação de praça especial (Aspirante); além, de na mesma data, também ter sido matriculado no curso de pilotos da Instituição. 
            Em 1º de março de 1925, o referido policial veio a consagrar seu nome na História da Aviação Nacional, pois se tornou o primeiro paraquedista militar brasileiro, fato que se concretizou após um salto sobre o aeroporto Campo de Marte, na cidade São Paulo. Cabe destacar que no ano de 1926, em missão de combate a Coluna Miguel Costa – Prestes, durante a chamada Campanha de Goiás, um acidente aéreo veio a vitimar mortalmente o Tenente Aviador FP Chantre, considerado o primeiro mártir da Aviação Militar Paulista; e o então Tenente FP Antônio Pereira de Lima, co-piloto da aeronave acabou de ferindo gravemente, ficando em estado de coma por oito dias, mas abençoado por Deus conseguiu se recuperar.
         Ainda podemos evidenciar a sua total dedicação à causa pública e a valoração da humanidade, princípios constatados em sua vivência pessoal, pois já debilitado da visão, no final de sua trajetória terrena, não mediu esforços ao amparar sua esposa, que vivia debilitada em uma cama, acoimada por uma grave moléstia, atos de grande moléstia, atos de grande nobreza que nos orgulha em referenciar seu nome aos formandos do Espadim 2016.


                                                      PELOTÃO ALFA



   PELOTÃO BRAVO



 PELOTÃO CHARLIE



 PELOTÃO DELTA



 PELOTÃO ECO



 PELOTÃO FOX



 PELOTÃO GOLF



PELOTÃO HOTEL







quarta-feira, 6 de abril de 2016

OFICIAIS DA FUMAÇA E OFICIAIS 501

            Já escrevi várias vezes que a política, na década de 20, foi muito conturbada em nosso país. Começou com o Tenentismo na Revolução de 1922, conhecida como os “18 do Forte de Copacabana”.   
           O Tenentismo continuou na Revolução de São Paulo, em 1924, tornando-se mais intenso quando a Coluna Revolucionária, em 1925, comandada pelo Gen. Miguel Costa, percorreu 30.000 Kms, pelo interior do Brasil, pregando um novo idealismo, até agosto de 1927, quando os remanescentes rebeldes se exilaram na Bolívia.
            Por algum tempo houve uma certa estabilidade política, quando, em março de 1930, foi eleito Presidente da República o Dr. Júlio Prestes de Albuquerque, paulista de Itapetininga, para o quatriênio 1930/34.
           Mas (em tudo na vida existe um “mas”) ressurgiu o Tenentismo, vigoroso e vingativo que, em apenas 21 dias venceu, na revolução de 1930, os Legalistas de Washington Luis, anulando a posse de Júlio Prestes e colocando, na Curul Presidencial, o Dr. Getúlio Vargas, que governou o Brasil por 20 anos.
      Um dos esteios da revolução vitoriosa de Vargas foi Miguel Costa, que não acompanhou o novo Chefe da Nação, ao Rio de Janeiro, preferindo ficar em São Paulo, comandando uma Brigada da 2.a Região Militar, assumindo também o cargo de Secretário da Segurança Pública e, a 28 de abril de 1931, acumulando mais uma nobre função, o Comando Geral da Força Pública.
          Nesse dia, reuniu-se no páteo do quartel do então 1.o BC (hoje 1.o BPM/M “Tobias de Aguiar”, a Rota) uma centena de Oficiais, a grande maioria Tenentes, contrários a João Alberto Lins de Barros, nomeado Interventor Federal em São Paulo, pelo ditador Getúlio Vargas.
         Esse fato histórico é conhecido como ABRILADA, o primeiro grito revolucionário, que apaixonaria, até o “Julho da Clarinada”, como uma bola de neve, os líderes e a opinião pública de São Paulo, inconformados com o Tenente Interventor.
       Houve, na época, uma cisão dentro da Força Pública: oficiais simpáticos à Miguel Costa e oficiais fiéis ao Presidente derrotado Julio Prestes.
        Miguel Costa, herói todo poderoso, premiou os seus fiéis revolucionários com uma chuva de promoções, como dizemos hoje “O Trem da Alegria”. Homens valentes de sua confiança envergavam, após outubro de 1930, o galão e o talabarte de oficial. A princípio eram tratados como inferiores e tiveram o batismo de Oficiais da Fumaça, uma conotação um tanto pejorativa.
         Com o tempo, os ressentimentos mútuos foram se diluindo, ensejando a fundação, em 17 de outubro de 1931, da Liga de Esportes da Força Pública, raiz da vibrante e combativa AOPM, que chamamos carinhosamente de O Clube da Ativa.
         Um detalhe lamentável foi a Liga de Esportes não aceitar oficiais reformados, como associados, propiciando o surgimento de figuras exponenciais, como o Ten. Cel. Azarias Silva, Maj. Faria e Souza, Cap. Antônio Pietscher, Cap. João Guedes da Cunha, Cap. Manoel Cravo (lutou em Canudos) e o Ten. José Caboclo, heróis de tantas revoluções, que se reuniram nos bancos do Jardim da Luz, onde redigiram uma ATA, em 25 de março de 1935, elegendo o Maj. Médico Arlindo Carvalho Pinto, o primeiro Presidente da novel Entidade.
          Nasceu então a nossa querida Associação dos Oficiais da Reserva e Reformados da Polícia Militar, que já completou 81 anos  de existência, lutando com desassombro pelas suas gentes e defendendo os nobres ideais da Tropa do Brigadeiro Tobias de Aguiar.

 OFICIAIS 501

         Título estranho esse que, para explicá-lo, temos que nos lembrar do Dr. Adhemar Pereira de Barros, que governou São Paulo por três vezes, a primeira como Interventor e outras duas como Governador e, diga-se de passagem que,  em 1950, poderia ter sido eleito Presidente da República, pois o cavalo estava arriado e arretado mas ele não montou... coisas da vida política.
        Em 1947 foi promulgada, por ele, uma Lei que promovia a 2.º Tenente os 1.º Sargentos da Força Pública, ao passarem à inatividade, extensiva ao posto correspondente na Guarda Civil.
           Um número apreciável, desses novos tenentes, não conseguiu associar-se ao Clube dos Oficiais da Força Pública, porque eram Oficiais 501, um preconceito injustificável, não eram acadêmicos, repetindo aquela atitude lamentável da Diretoria da Liga de Esportes, em 1931.
           Também houve expoentes como os Majores Raul, Ezequiel, Vaz, Figueiredo, Cabral e tantos outros saudosos amigos, que reagiram e fundaram o Clube dos Tenentes, cuja maior obra foi a construção da Colônia de Férias de Itanhaém, hoje pertencente ao Solar da Tabatinguera.
        A fusão da Força Pública, com a Guarda Civil, em 1970 propiciou ao Clube dos Tenentes unir-se à Associação dos Inativos da Guarda Civil, formando o Círculo dos Oficiais da Polícia Militar, o qual, em 1973, fundiu com o CORPM, o nosso Clube dos Oficiais da Reserva e Reformados da Polícia Militar, hoje a nossa notável AORRPM.
       Por um lapso, a Lei 501 esqueceu dos sub-tenentes, forçando uma nova Lei, promulgada às pressas, com uma redação falha, propiciando aos tenentes, já promovidos pela 501, a oportunidade de mais uma promoção.
           Como na época estava em vigor na Corporação mais duas promoções – Revolução Constitucionalista de 32 e a Lei de Guerra -, aconteceu um fato que foge à lógica, os sub-tenentes promovidos a Capitão e aqueles Primeiros Sargentos promovidos a Major.


sábado, 27 de fevereiro de 2016

TRÊS ESTÓRIAS

A fábula de La Fontaine, A Cigarra e a Formiga. É lógico que todos os leitores sabem da estória, principalmente do seu fundo moral, que enaltece o trabalho e desdenha a ociosidade.
Mas esta estória, da Cigarra e da Formiga, será contada às avessas, menosprezando, chutando o conteúdo moral, o ensinamento ou a mensagem:


“A Formiga trabalhou, trabalhou, trabalhou nas três estações do ano, armazenando na sua “casinha” todos os alimentos para passar o inverno rigoroso. Estava feliz, confortável, arrumando todas as coisa do lar, quando um luxuoso Mercedes Benz estacionou em frente, buzinando, fazendo um verdadeiro escarcéu. A motorista era a Cigarra, toda enfeitada, maquiada, vestida de veludo e um casaco de vison, com anéis de ouro e brilhantes, colares de diamante, de pérolas, etc. O carrão tinha aquecimento interno, televisão, adega, geladeira bem sortida, enfim todo o conforto possível.
A Cigarra buzinou mais vezes e acordando a comadre Formiga falou:
- Comadre Formiga, eu vim ver você para me despedir,  porque eu estou noiva e vou a Paris para me casar com um príncipe muito rico. Tudo isto, que a comadre está vendo foi presente dele.
A Formiga olhou o reluzente Mercedes Benz, todo aquele aparato, a Cigarra bonita, esplendorosa, encapotada, esbanjando todo o conforto de uma princesa.  Não se conformou, e desabafou:
Comadre Cigarra! 
Você falou que vai a Paris para casar com um príncipe, não é? Então comadre, se você encontrar lá um senhor que se chama La Fontaine, mande ele pra P.Q.P., viu?...


SEGUNDO CONTO

Não é piada, é um fato simples que aconteceu na Academia do Barro Branco, numa aula prática de Tática de Infantaria, e eu estava lá.
A Força Pública era muito belicosa. A ordem que tinha o Comando era a instrução militar muito severa, pois a Corporação tinha sido convocada para a guerra em 1943, para a defesa das Nações Unidas. A nossa vibração era extremada, lutar na Itália, derrotar o nazi-fascismo, libertar a França, morrer defendendo a honra a Pátria; arroubos da juventude! Que saudades...
No campo, a simulação era perfeita, trincheiras, Pelotões para o ataque, Artilharia a postos, a Cavalaria pronta para a carga, fuzilaria, rajadas de metralhadoras (festim). Em meio àquela confusão toda, um cadete, aturdido, desorientado, desgarrado de seu Pelotão, em meio às explosões de bombas, suando às bicas, sangrando (arranhões de espinhos), fardamento aos farrapos, eis que chega, a galope, o major Diretor de Ensino da Academia, comandante do ataque ao “inimigo” que esbravejou:

- Cadete, onde está o seu Pelotão?
- Cadete viva a situação de guerra. Cadete viva a situação.
E o cadete nada, inerte, não falava, não reagia, assustado  com a “guerra”, ainda mais com a figura espartana do Comandante.

-CADETE VIVA A SITUAÇÃO !!! 
-VIVA A SITUAÇÃO CADETE!!!
Aí, o cadete, ainda confuso mas eufórico, enche o peito e grita:
- VIVA SEU MAJOR! VIVA SEU MAJOR! VIVA SEU MAJOR!


A PONTE

Um fazendeiro muito rico, já velho,  pai de dois filhos, dividiu suas terras equitativamente. Cada filho herdou a sua gleba, com suas benfeitorias, suas aguadas, seus rebanhos, suas cabeças de gado, tudo, tudo,  tudo como o falecido pai desejou, harmoniosamente.
Mas um deles, genioso, achou que alguns pormenores não estavam certos e aí começaram discussões entre eles. O irmão de boa índole atendia às reclamações, às vezes com perdas, para honrar a memória do pai, mas o outro, de índole má, queria mais e mais. 
Resolveu então, o bom irmão, para não agravar a situação, mandar fazer um muro, nas divisas, isolando as duas glebas. Pensava que, com o muro alto não haveria mais contatos, mais confusões, mais dissabores com o ingrato irmão.
Procurou um pedreiro para a construção do muro. Apresentou-se um homem, nos seus 30 anos, cabelos e barbas compridos, olhar sereno, a fala como a candura dos anjos e o acordo foi feito.
O bom irmão viajou por uma semana e, quando voltou, a obra já estava pronta mas não era o muro, era uma ponte. Quando ia chamar a atenção do pedreiro, que não cumprira o acordo, eis que, o irmão a passos largos, irradiando felicidade, atravessou a ponte dizendo: meu irmão, pensei que você ia se separar de mim, mas você mandou fazer a ponte para que eu viesse abraçá-lo e pedir perdão pelas minhas malvadezas. A reconciliação foi divina!
O pedreiro a tudo assistia com um sorriso nos lábios. Os dois irmãos pediram que continuasse com eles, pois as duas fazendas precisavam de um bom pedreiro mas Ele declinou dos convites, dizendo: eu vou continuar a caminhada neste mundo, pois há muitas pontes para eu construir...


terça-feira, 5 de janeiro de 2016

O TRIBUNO IBRAHIM NOBRE

          Vinte e três de maio de 1932! Os brasileiros de São Paulo exigiam uma Constituição, pois, desde Outubro de 1930, com a queda da 1.ª República, o nosso Congresso havia emudecido, sob o guante do ditador Getúlio Vargas.
          Nesse dia, no meio da multidão, inflamada e enfurecida, na Praça da República, 4 estudantes morreram, em holocausto ao idealismo pela Constituinte: MARTINS, MIRAGAIA, DRAUSIO E CAMARGO formaram a sigla MMDC (o 5° herói, ALVARENGA morreu meses depois), a mola propulsora da Revolução Constitucionalista, que explodiria a 9 de julho.
          IBRAHIM NOBRE, o grande tribuno da Revolução, anos mais tarde, na inauguração do Banco do Estado (Banespa), desiludido, envergonhado pelos desvios de antigos companheiros, combatentes da arrancada bandeirante, que tinham aderido ao ditador, assomando à sacada do último andar do maravilhoso edifício, em meio ao mundo oficial presente, e a pedido do Governador Dr. Adhemar de Barros, proferiu de improviso, as seguintes palavras:

“CLAMAI SILÊNCIO!
OLHAI A BELEZA QUE DAQUI SE AVISTA
A TERRA, QUEM SABE AINDA É SÃO PAULO
MAS O POVO NÃO É MAIS PAULISTA.”

            Os restos mortais do grande tribuno repousam no Ibirapuera, ao lado dos heróis que morreram cedo para viver sempre, como escreveu o poeta.
            Sua estátua é um hino de brasilidade, ele, naquela postura firme, exaltando os homens de São Paulo a combaterem os inimigos da Lei e da Constituinte  da Pátria.
             Há poucas semanas, a memória de IBRAHIM NOBRE foi manchada, seriamente ofendida, pois em torno de seu vulto varonil, mil homens e cem mulheres, completamente nus, se exibiam, num quadro melancólico e aviltante, num culto da vulgaridade. Mil homens e cem mulheres amontoados, desgarrados do curral dos Deuses (Fernando Pessoa) conspurcando a memória paulista. São palavras do príncipe dos poetas paulistas Paulo Bonfim: os moços que morreram nos idos de 32 e repousam no Mausoléu de Ibirapuera, “contemplando” o quadro daqueles corpos nus, em frente da última trincheira, certamente reclamarão: “Mas  foi por essa liberdade que morremos?” E o eco repetindo as palavras de Ibrahim Nobre:

“Minha Terra, Minha Terra, Minha Pobre Terra!”



domingo, 6 de dezembro de 2015

O CONSELHO DO GOVERNADOR

          Conta-se que certo Governador recebeu, em seu Palácio, um parente, que pretendia seguir a carreira política. Trouxe do interior uma carta de apresentação do Presidente do Partido, recomendando, ao Chefe do Governo, que o indicasse candidato a Vereador na Capital, nas próximas eleições.
         Acolheu o moço carinhosamente, perguntou de seu pai, primo e amigo, também de sua mãe e conversaram durante horas sobre diversos assuntos, até que, lendo aquela missiva, encarou o rapaz e, num tom muito sério esclareceu não ter condições de entrar na carreira política, por uma questão grave, seu pai era um bêbado, sem-vergonha e ladrão e sua mãe não tinha boa conduta moral, constando ter vários amantes, e foi por aí afora, com sua linguagem amarga contra a família de seu primo.
         O rapaz, brioso, não aguentou tantos desaforos, avançando furiosamente contra o Governador, tentando esbofeteá-lo, mas os ajudantes de ordem, prevenidos carregaram-no para uma sala ao lado.
         Passadas algumas horas, foi trazido ao gabinete, assustando-se quando o Governador o abraçou efusivamente, dizendo-lhe: “Meu querido sobrinho, você não pode ser político, porque nós temos que ouvir todas essas imprecações, todo esse desaforos, acusando-nos uma hora de ladrão, outro de homem traído (corno), ou o que é pior, de gay. Meu menino me perdoe, sua mãe é uma santa, seu pai é honesto, conduta ilibada, é um varão de alta linhagem. Volte para sua terra, recomende-me aos seus pais, meus caríssimos primos e escute o meu conselho: Escolha uma outra destinação, outro objetivo e conte comigo, farei tudo para ajudá-lo, agora, para política você não serve”.



quinta-feira, 26 de novembro de 2015

ROCAM


No último dia 24 de Agosto a Câmara Municipal e Associação Comercial de São Paulo comemoraram o Dia Internacional do Motociclista. Para tanto, numa cerimônia ocorrida na própria Câmara, foi homenageado o Coronel PM Pedro Rezende de Oliveira Mello como digno representante dessa classe notável de pessoas mundo afora.
O Coronel Mello em 1990, como comandante da escolta de Batedores do Palácio do Governo de São Paulo, iniciou uma cruzada no sentido de levar para o policiamento ostensivo, a motocicleta como veículo de patrulhamento, assim como era empregada em inúmeros países do mundo.
Após três anos de várias tentativas com o apoio de seu comandante Coronel Vianna, conseguiu apresentar seu projeto com o tipo de motocicletas e motociclistas em questão ao Exmo. Sr. Governador de Estado, que de imediato aprovou a ideia e deu aval para a criação desta especialidade.
Nesta época, eclodiu em São Paulo, enorme atividade de roubo a bancos, dificilíssimo de combater pelo trânsito caótico da capital, fator este que exigiria veículo de perseguição que não sofresse os congestionamentos do trânsito e a moto é o veículo ideal para circulação neste caso.
O Coronel Mello iniciou esse trabalho com a seleção por aptidão vocacional do efetivo que comporia a ROCAM nome escolhido pelo comando da PM para este órgão.
Enquanto se instalava o processo de aquisição de 100 motocicletas e 10 viaturas de apoio, foi dado o início ao mais intensivo curso teórico policial e prático motociclístico em várias modalidades como patrulhamento, escolta, esportivo de motovelocidade, moto cross e trial, para habilitar seus condutores com as técnicas mais modernas de pilotagem, para melhor desempenho e segurança dos mesmos. Isto foi possível porque o Coronel Mello competia em todas estas modalidades. Este curso, o mais longo efetuado na Polícia Militar, durou três meses. Foi tão perfeito que por quase um ano não houve acidentes com estes PMs.
Esta formação foi fundamental para que décadas depois a Corporação, no Estado inteiro, tenha recebido este serviço, sendo hoje a segunda maior frota do policiamento e que provavelmente assuma em algum tempo, pelo seu custo-benefício e sucesso na atividade-fim, venha se tornar, a base do rádio patrulhamento em São Paulo e até em outros estados.
Por isso o Coronel Mello foi agraciado com o Marco Mundial da Paz e com o diploma referente a data pela Câmara Municipal e Associação Comercial.
Como se percebe o mundo da motocicleta, ainda pouco explorado em diversas atividades profissionais, pode trazer ótimos resultados para a sociedade. Só resta imaginar quantas vidas salvas e meliantes encarcerados a ROCAM providenciou, o que, de certa forma, justifica este maravilhoso reconhecimento da sociedade.


NOTA: Esta transcrição me emociona! Parabéns meu querido filho, você sempre carreou, para seu pai, momentos de alegrias e incontido orgulho.

domingo, 8 de novembro de 2015

SANTO EXPEDITO. BENDITO SEJA!

Em plena Segunda Grande Guerra Mundial, foi criada a Capelania Militar da antiga Força Pública, pioneira no Brasil, sendo nomeado primeiro Capelão o padre Paulo Aurissol Cavalheiro Freire, ostentando, orgulhosamente, no ombro, sobre a batina preta, o galão de 2º. Tenente.

Pensou, o Tenente Aurissol, o que fazer? Era urgente ter um templo, uma igreja, uma capela, um espaço material para consolidar a grandeza da obra espiritual.

De pronto, apresentaram-se ao Capelão um Engenheiro e um Arquiteto, este o então Tenente Nelson Brotto e aquele, o Doutor Ignácio de Anhaia Mello, que imediatamente lançaram a pedra fundamental da sonhada igreja, que seria batizada de “Santo Expedito”, homenageando o Centurião Romano, Comandante da Cavalaria Expedita dos Exércitos de Julio César.

Ao Tenente Nelson Brotto coube a execução da obra, mas não havia verba para tal. O que fez então o nosso arquiteto Brotto? Conseguiu de seus colegas do Instituto de Engenharia, centena deles, a doação de todas as sobras de material de suas construções (tijolos, telhas, madeirames, material elétrico, tubulações, enfim tudo o que interessava para a construção do templo).

A mão de obra conseguiu com o Diretor da Casa de Detenção, na época situada na Avenida Tiradentes. Todas as manhãs, pessoalmente, o Tenente Brotto “escoltava”, sozinho, uma vintena de detentos, capacitados em todas as modalidades de construção. No fim da tarde era a volta para o corretivo penal, sempre acompanhado pelo nosso tenente, que granjeou amizade e a admiração dos presos. Nesse exercício diário, por meses a fio, talvez anos, muitos presidiários se regeneraram e adotaram Cristo em seus corações.

Imponente, aí está a nossa Capelania Santo Expedito, obra do Dr. Anhaia Mello, já falecido há muitos anos, o padre Aurissol também. O Tenente Brotto faleceu recentemente, sendo absolutamente certo que todos eles estão na Eternidade, na bemaventurança de Deus.
Na missa de 7ª. Dia de meu amigo Coronel Brotto, meu irmão, meu colega da Academia de Policia Militar do Barro Branco, lembrei que ele era uma referência, figura emblemática em nossa querida Corporação. Homem inteligente, com invejável cultura geral e profissional, eclético por excelência. Seu coração era bondoso com os homens e com os animais.
Discípulo de São Francisco de Assis, recolhia, das ruas, cachorros, gatos e outros animais famintos e doentes, levava-os para a sua casa para alimentá-los e curar suas feridas. Tinha uma paixão especial para com os cavalos, repetindo sempre, em todos os livros que escreveu, e foram muitos, que todos os animais são suspiros de Deus mas, o cavalo é o seu devaneio.


Padre Aurissol Cavalheiro, Engenheiro Anhaia Mello e Arquiteto Nelson Brotto, benditos sejam! Santo Expedito, mil vezes Bendito seja!