Boa leitura!

segunda-feira, 19 de setembro de 2016

O SOLAR DA TABATINGUERA

Em 1980 recebi um telefonema do meu saudoso amigo Coronel Nelson Simões Schaeffer de Oliveira, candidato à Presidente do então Clube dos Oficiais da Reserva e Reformados da PM (CORRPM), convidando-me para tomar parte em sua chapa eleitoral, no cargo de Suplente da Diretoria, para o biênio 1981/82.

À princípio hesitei no atendimento do honroso convite, pois estava atarefado nas funções de Diretor do nosso Museu Militar, recebendo e catalogando relíquias sobre o passado heróico da PM, também empenhado na escrita do meu segundo livro “O Salto na Amazônia”. Acumulei também as funções de Diretor do Museu de Aeronáutica da Fundação Santos Dumont.

Depois de muito diálogo, ponderações, prós e contras, resolvi atender ao chamamento do amigo, que me garantiu ser a função de Suplente algo simbólico, que não me obrigaria a presença no Clube e que eu somente assumiria a Presidência se ele, Coronel Schaeffer, se o 1.º Vice Coronel Dr. Erlindo Salzano e se a 2.ª Vice Coronel Hilda Macedo também morresse.

Mas, na destinação de nossas vidas há algo inusitado, estranho e misterioso. No decorrer do mandato, o Presidente Nelson Schaeffer teve um problema, requerendo uma licença para tratamento de saúde. O Coronel Salzano, em seguido submeteu-se a uma cirurgia delicada, licenciando-se por um ano e a Coronel Hilda Macedo também adoeceu e se licenciou.

Essas três figuras notáveis e amigas, apressadas, nos deixaram muitas saudades e habitam agora os páramos divinos. Então, surpreso e receoso com tamanha responsabilidade, assumi a Presidência do CORRPM, em agosto de 1982.

Achei o visual do Clube muito acanhado, um terreno baldio em frente à guisa de estacionamento, comportando apenas 18 carros. No fundo um vetusto prédio, necessitando de reformas, não oferecendo conforto para os associados, carente de Enfermaria, Barbearia, Salão de Beleza, Manicure, Pedicure, Podóloga, Sauna, Academia de Ginástica e Orquestra para os bailes... No entanto, num esforço de conjunto, conseguimos dotar tudo isso para a Entidade, no decorrer do tempo. Fundamos um Coral, vozes lindas e afinadas, até hoje o cartão de visita da Associação.

Fui recebido pelos Diretores, Conselheiros e funcionários, com muita simpatia. O Diretor Tesoureiro me colocou ao par de todos os problemas de sua pasta, assustando-me quando me cientificou que a Tesouraria não tinha numerário para pagar os empregados, com 4 meses de atraso e que havia também títulos protestados.

Fiquei inteiramente aturdido! E confesso que tive medo e a preocupação tomou conta de mim. O que fazer?!!!

Como na ocasião a Ação entre Amigos (rifa) era comum em nossa Capital, apesar de proibida, tomei a peito a tarefa, comprando em consignação um automóvel, motocicleta, geladeira, máquina de lavar e uma bicicleta, os cinco prêmios que seriam sorteados pela loteria federal no último sábado do mês de novembro de 1982.

Trabalhamos arduamente, Diretores, Conselheiros e Funcionários, com muito entusiasmo, conseguindo, em pouco tempo, vender quase todos os carnês. O dinheiro ia entrando e íamos saldando os compromissos, pagando os títulos protestados, os salários atrasados dos nossos empregados e os cinco prêmios em consignação.

Que sorte! O bilhete do 1.º prêmio, o automóvel, um Ford de último tipo zerinho, zerinho, não tinha sido vendido. Alegria, alegria, o carrão saiu para o Clube, uso do Presidente.

Era fim de ano e fim de mandato; nessa altura na minha querência de vida, foi acrescida mais uma paixão, o Solar da Tabatinguera, o nosso Último Quartel!

Mais seis mandatos eu haveria de cumprir, eleito quatro vezes e aclamado três. Conseguimos muitas vitórias, criamos muitas Regionais (só havia uma em Taubaté), para as quais construímos ou compramos belas e funcionais Sedes em Taubaté, Santos, Campinas, Sorocaba, Bauru, Ribeirão Preto e Jacareí.

Em todos os Governos, com ajuda das Associações de Classes Co-Irmãs e Entidades da Polícia Civil, obtivemos razoáveis aumentos de vencimentos, sendo a grande conquista no Governo Fleury, 119,5%. Fleury, bendito seja!

Inspirado por Deus construímos a nova Sede moderna e funcional, trazendo conforto e orgulho para todos nós, dando um colorido especial, destacando-se e embelezando a tradicional e histórica Rua da Tabatinguera.

Com muito orgulho destaco que nasceram em nossa Entidade a Cooperativa da Polícia Militar (COOPMIL) e a Associação dos Deficientes físicos (ADFPM) que ficaram conosco alguns anos e que hoje são maravilhosas Organizações, dois cartões de visita da Tropa de Piratininga.

Nasceram também e agasalhamos por algum tempo a Associação das Policiais Femininas e a dos Médicos e Dentistas. Em todos os nossos sete mandatos houve muita compreensão, paz e amizade, todos valorizando o Solar da Tabatinguera, a nossa Grande Família.

Na Colônia de Férias de Itanhaém, “Mares do Sul”, lotamos todos os apartamentos de interfones, conseguimos construir 50 garagens cobertas, duas piscinas e a Sabesp nos atendeu, fornecendo água limpa, substituindo os poços artesianos, condutores de água suja e salobra. Conseguimos também da Prefeitura o asfalto da rua que começa na Rodovia Pedro Taques até a nossa Sede.

É oportuno registrar a gratidão, e o faço com desmedido orgulho, aos leais companheiros, diretores e conselheiros, que nos animaram nas duras lidas com os homens de mando, às vezes indiferentes ou hostis, convencendo-os a tornarem realidades os nossos sonhos.

Foi assim que conquistamos duas vitórias maravilhosas, a aprovação dos Artigos 29 e 30 das Disposições Provisórias da Constituição Estadual de 1989. Outra de igual e sublime magnitude foi o Ato Normativo, decretado pelo Governador Fleury, em 1992, conquistando nesses dois acontecimentos históricos a promoção de milhares de Oficiais, grande parte associados da então AORRPM, a Jóia da Tabatinguera.

Com esses leais companheiros, estivemos em Brasília, percorrendo corredores atapetados da Câmara dos Deputados e do Senado, quando nuvens negras prenunciavam tempestades sobre as guardiães da Pátria, as heróicas Polícias Militares dos Estados Brasileiros, ameaçadas de extinção pela desastrada proposta de Mário Covas.

Finalmente quero felicitar a Diretoria da nossa Entidade pela feliz ideia de editar um livro histórico e estórico, escrito pelos associados do nosso Solar da Tabatinguera.

segunda-feira, 29 de agosto de 2016

APRESENTAÇÃO

Nossa gloriosa Polícia Militar, que o Brigadeiro Rafael Tobias de Aguiar plantou no sagrado chão de Piratininga, nos seus 185 anos de vida, sempre se norteou, heroicamente, para servir a São Paulo e ao Brasil, cumprindo aquela legenda sagrada que alicerça o Brasão do nosso Estado-PRÓ BRASILIA FIANT EXIMIA (Para o Brasil façam-se grandes coisas). É oportuno lembrar que os duzentos anos se aproximam.

É deveras esplêndida a contribuição paulista na segurança da nossa Terra, pois, em todos os momentos críticos da nacionalidade brasileira, nos distúrbios sociais ou políticos, revoltas, revoluções ou guerras, São Paulo esteve sempre presente, com a sua Bandeira das Treze Listras tremulando, altaneira e majestosa, protegendo o ideal do nosso povo, honrando os ditames de sua heráldica - DE DIA E DE NOITE OS PAULISTAS DEFENDEM O BRASIL EM TODAS AS DIREÇÕES MESMO COM O SACRIFÍCIO DA PRÓPRIA VIDA. É o paulista com o Brasil no seu Brasão, na sua Bandeira e no seu coração.

Já no alvorecer da nossa história, os guerreiros vicentinos, com um pequeno exército tupiniquim, repeliram o invasor espanhol, alertando a Corte Portuguesa do valor imenso da terra de Santa Cruz e do perigo de invasão de Nações Européias, que já namoravam a Terra dos Papagaios e do Pau Brasil.

O Termo da Vila de São Vicente de 1542, provocou uma ordem régia, já em 1548, na qual o Soberano de Portugal, preocupado com a segurança da nova Colônia, determinou às Capitanias Hereditárias, que todas elas tivessem peças de artilharia, pólvora necessária, arcabuzes, catapultas, lanças, espingardas e espadas.

Portugal já havia arregimentado suas Tropas, em Lisboa, equipando-as, armando-as e treinando-as, à moda dos exércitos europeus, que já tinham se despojado das armas, das técnicas e táticas medievais.

Toda essa estrutura Portugal transferiu ao Brasil, iniciando o ciclo das Tropas de 1.ª Linha, que recebiam soldo; de 2.ª Linha, Milícias ou Auxiliares; 3.ª Linha, as Ordenanças, que são as raízes das Polícias Militares dos estados brasileiros.

Os Regimentos ou Terços dessas Tropas de Linha lutaram, bravamente, no sul do nosso País, contra os castelhanos de Buenos Aires e de Assunção, pois as guerras freqüentes entre Portugal e Espanha refletiam na Colônia, só terminando quando a Cisplatina se tornou a Nação Uruguaia. Não nos esqueçamos de destacar a atuação das Companhias de Ordenanças, na Praça de Iguatemi – o Cemitério dos Paulistas – no sul de Mato Grosso, pois a Coroa temia a invasão dos paraguaios, atraídos pelo ouro das Minas Gerais.

As Tropas de Primeira e Segunda Linhas são o Exército Nacional de hoje, desde 1824 e as Milícias e as Ordenanças foram extintas, pelo Padre Diogo Antonio Feijó, quando Ministro da Justiça da Regência Trina, em 1831, o qual, com a mesma pena criou a Guarda Nacional (a Milícia Cidadã que prestou grandes serviços à Nação, sendo desmobilizada em setembro de 1922) e os Permanentes da Corte, recomendando aos Presidentes das Províncias igual providência. Assim, pois, foi criada a Guarda Municipal Permanente em nossa Província, pelo então Coronel de Milícia Rafael Tobias de Aguiar. É o nome de batismo da nossa Corporação, a qual, no decorrer dos anos foi denominada Corpo Policial Permanente, Corpo Policial Provisório, Força Pública Estadual, Força Policial e Força Pública que, na fusão com a Guarda Civil em 1970, tomou a denominação de Polícia Militar, em cujo Brasão resplandecem 18 Estrelas, na bordadura do Escudo, representantes dos marcos históricos da Corporação.

No Brasão destaca-se, à direita, a figura do bandeirante Domingos Jorge Velho, o vencedor do Quilombo dos Palmares. Está na posição de sentido, com bacamarte e espada, representando a epopéia dos Homens de botas de sete léguas, que chutaram as linhas das Tordesilhas para as bandas do oceano pacífico, triplicando a extensão da América Portuguesa, o milagre Brasil, gigante pela própria natureza.

Estão, pois, expostas neste Artigo os fatos da fibra castrense dos Paulistas, não restando dúvidas de que ajudamos, e muito, a consolidação da América Portuguesa, um quadro vivo, que explica o Brasil uno, territorial e sentimentalmente.
          
                                                                                        
  
         

segunda-feira, 25 de julho de 2016

Coronel Guilherme Mendes – Um Herói

Guilherme Mendes era 3.º Sargento do nosso 1.º Batalhão de Caçadores, quando estourou a Revolução de São Paulo em 1924.
Cumprindo ordens ele participou da Coluna Revolucionária Miguel Costa-Prestes durante quase 3 anos, lutando em guerrilhas contra as Tropas fieis ao Governo. Esse feito é considerado como a maior marcha militar do planeta.
Os rebeldes, em inferioridade asilaram-se na Bolívia, os chefes maiores demandaram Buenos Aires. O nosso herói Guilherme Mendes, da Bolívia enfrentou sozinho a volta ao Brasil, percorrendo a pé enorme distância, sofrendo privações e provações até alcançar o nosso Estado.
Depois de alguns meses, apresenta-se ao Comando da Força Pública, que o acolheu, reconhecendo o seu posto de Oficial. Em outubro de 1930 defende o Poder Constituído, lutando contra as tropas de Getúlio Vargas.
Em 1931 casa-se com dona Elza Mendes, nascendo desse casamento dois filhos, o senhor Guilherme Mendes Filho e dona Icléia  Mendes.
Em 1932, nos duros combates do Túnel na Serra da Mantiqueira, defendeu o ideal de São Paulo, a volta da Constituição Brasileira, usurpada desde 1930 pelo ditador Getúlio Vargas.
Na década de 40 foi nomeado, como Capitão, Comandante da Guarda Civil de São Paulo.
Coronel Guilherme Mendes faleceu em 10 de agosto de 1999 e dona Elza, em 09 de maio de 2006.
Esse breve relato foi a minha contribuição homenageando o grande e saudoso amigo, coronel Guilherme Mendes e agora tem o seu túmulo no Mausoléu do Ibirapuera.                                                           

sexta-feira, 15 de julho de 2016

IMPROVISO NO PALACIO DA JUSTICA – MMDC


Recordemos... no dia 23 de maio de 1932, o Interventor Federal Dr. Pedro de Toledo, reconquistou a sua autoridade, liderando toda a consciência no povo bandeirante, nomeando o secretariado paulista.
A multidão que se comprimia nas adjacências e nos jardins do Palácio do Governo exultou, orgulhando de seu governo que, nesse dia, reafirmando a fibra brasileira e o ânimo dos filhos de Piratininga.
Dando evasão a essa grande conquista para os seus brios, o povo se dirigiu para o centro da cidade e ao passar pela Praça da República esquina com a rua Barão de Itapetininga, é metralhado por elementos da legião política que guarneciam a sede do PPP (Partido Popular Paulista).
Consulmou-se então, a tragédia que sensibilizou todas as consciências livres e marcou o calendário cívico da nossa terra. São os símbolos de 23 de maio: Euclides Miragaia, Mário Martins de Almeida, Dráusio Marcondes de Sousa e Antônio Camargo de Andrade. Dias depois faleceu Orlando Alvarenga, sorocabano, mas a sigla MMDC já estava consagrada.
A ditadura de Getúlio Vargas, foi acusada pelo crime nessa ocasião. Houve um processo na Secretaria de Segurança Pública de São Paulo para desvendar o problema,mas não foi apontado o ou os responsáveis pelo crime e o processo foi arquivado. Tentou-se em 1954, levantar o problema, mas não prosperou.


No dia 08 pp improvisou-se um júri simulado. Para esse julgamento participaram estudantes de diversas faculdades de SP, sob a presidência da juíza Maria Isabel do Prado, da 5ª Vara Federal Criminal de SP. Todos os participantes, inclusive pelotões da nossa PM com fardamentos da época e os demais vestidos à caráter.
Os participantes foram treinados durante 06 meses, por professores de faculdades de direito sob a orientação do Dr. Aleksander Sanchez, sendo o coordenador dos trabalhos do júri simulado o advogado Sidney Lobo Pedroso.
Depois de mais de 4h de debate houve a votação, havendo o empate (6 votaram a favor da condenação da ditadura e os outros 6 contra). E a presidente usando do princípio “In Dubio pro Reu”, absolveu a Ditadura Vargas.




Foto extraídas do site: http://jota.uol.com.br/em-juri-simulado-sobre-m-m-d-c-ditadura-e-absolvida-no-tj-de-sao-paulo 
Crédito:Gedeão Dias / TJ - SP

IMPROVISO NO PALACIO DA JUSTICA – MMDC


Recordemos... no dia 23 de maio de 1932, o Interventor Federal Dr. Pedro de Toledo, reconquistou a sua autoridade, liderando toda a consciência no povo bandeirante, nomeando o secretariado paulista.
A multidão que se comprimia nas adjacências e nos jardins do Palácio do Governo exultou, orgulhando de seu governo que, nesse dia, reafirmando a fibra brasileira e o ânimo dos filhos de Piratininga.
Dando evasão a essa grande conquista para os seus brios, o povo se dirigiu para o centro da cidade e ao passar pela Praça da República esquina com a rua Barão de Itapetininga, é metralhado por elementos da legião política que guarneciam a sede do PPP (Partido Popular Paulista).
Consulmou-se então, a tragédia que sensibilizou todas as consciências livres e marcou o calendário cívico da nossa terra. São os símbolos de 23 de maio: Euclides Miragaia, Mário Martins de Almeida, Dráusio Marcondes de Sousa e Antônio Camargo de Andrade. Dias depois faleceu Orlando Alvarenga, sorocabano, mas a sigla MMDC já estava consagrada.
A ditadura de Getúlio Vargas, foi acusada pelo crime nessa ocasião. Houve um processo na Secretaria de Segurança Pública de São Paulo para desvendar o problema,mas não foi apontado o ou os responsáveis pelo crime e o processo foi arquivado. Tentou-se em 1954, levantar o problema, mas não prosperou.


No dia 08 pp improvisou-se um júri simulado. Para esse julgamento participaram estudantes de diversas faculdades de SP, sob a presidência da juíza Maria Isabel do Prado, da 5ª Vara Federal Criminal de SP. Todos os participantes, inclusive pelotões da nossa PM com fardamentos da época e os demais vestidos à caráter.
Os participantes foram treinados durante 06 meses, por professores de faculdades de direito sob a orientação do Dr. Aleksander Sanchez, sendo o coordenador dos trabalhos do júri simulado o advogado Sidney Lobo Pedroso.
Depois de mais de 4h de debate houve a votação, havendo o empate (6 votaram a favor da condenação da ditadura e os outros 6 contra). E a presidente usando do princípio “In Dubio pro Reu”, absolveu a Ditadura Vargas.




Foto extraídas do site: http://jota.uol.com.br/em-juri-simulado-sobre-m-m-d-c-ditadura-e-absolvida-no-tj-de-sao-paulo 
Crédito: Gedeão Dias / TJ-SP

quarta-feira, 1 de junho de 2016

ESPADIM 2016

         Dia muito feliz para mim e minha família, pois três jovens cadetes da Academia de polícia Militar do Barro Branco, Jacqueline Silva, Rhuan Muniz e Edson Junqueira vieram em nossa residência, convidar-nos para a solenidade de entrega de espadim para a Turma (Tenente Antonio Pereira Lima), composta de 248 Alunos do primeiro ano do Curso de Bacharelado em Ciências Policiais de Segurança realizada no dia 24 de maio, dia consagrado aos 150 anos da Batalha de Tuiuti, vencida pelo nosso General Osório.
         Mais felizes e orgulhosos ficamos quando os jovens Cadetes nos contaram que eu tinha sido apontado para Paraninfo da Turma.
         Está reproduzido neste Blog, página por página, o honroso convite. No próximo artigo do blog publicaremos a notícia da solenidade do dia 24, inclusive o meu discurso, homenageando os meus afilhados.


PATRONO
Tenente PM – Antonio Pereira de Lima

           Sua história na PM se inicia com o seu ingresso na corporação como Soldado da FP, vindo a romper inúmeras barreiras sociais. Em uma sociedade ainda com resquícios da extinta escravidão, o já então Sargento FP Pereira Lima, negro, superou barreiras e ingressou no Curso Especial Militar, atual CFO da APMBB, com matrícula em 01 de janeiro de 1925, na graduação de praça especial (Aspirante); além, de na mesma data, também ter sido matriculado no curso de pilotos da Instituição. 
            Em 1º de março de 1925, o referido policial veio a consagrar seu nome na História da Aviação Nacional, pois se tornou o primeiro paraquedista militar brasileiro, fato que se concretizou após um salto sobre o aeroporto Campo de Marte, na cidade São Paulo. Cabe destacar que no ano de 1926, em missão de combate a Coluna Miguel Costa – Prestes, durante a chamada Campanha de Goiás, um acidente aéreo veio a vitimar mortalmente o Tenente Aviador FP Chantre, considerado o primeiro mártir da Aviação Militar Paulista; e o então Tenente FP Antônio Pereira de Lima, co-piloto da aeronave acabou de ferindo gravemente, ficando em estado de coma por oito dias, mas abençoado por Deus conseguiu se recuperar.
         Ainda podemos evidenciar a sua total dedicação à causa pública e a valoração da humanidade, princípios constatados em sua vivência pessoal, pois já debilitado da visão, no final de sua trajetória terrena, não mediu esforços ao amparar sua esposa, que vivia debilitada em uma cama, acoimada por uma grave moléstia, atos de grande moléstia, atos de grande nobreza que nos orgulha em referenciar seu nome aos formandos do Espadim 2016.


                                                      PELOTÃO ALFA



   PELOTÃO BRAVO



 PELOTÃO CHARLIE



 PELOTÃO DELTA



 PELOTÃO ECO



 PELOTÃO FOX



 PELOTÃO GOLF



PELOTÃO HOTEL







quarta-feira, 6 de abril de 2016

OFICIAIS DA FUMAÇA E OFICIAIS 501

            Já escrevi várias vezes que a política, na década de 20, foi muito conturbada em nosso país. Começou com o Tenentismo na Revolução de 1922, conhecida como os “18 do Forte de Copacabana”.   
           O Tenentismo continuou na Revolução de São Paulo, em 1924, tornando-se mais intenso quando a Coluna Revolucionária, em 1925, comandada pelo Gen. Miguel Costa, percorreu 30.000 Kms, pelo interior do Brasil, pregando um novo idealismo, até agosto de 1927, quando os remanescentes rebeldes se exilaram na Bolívia.
            Por algum tempo houve uma certa estabilidade política, quando, em março de 1930, foi eleito Presidente da República o Dr. Júlio Prestes de Albuquerque, paulista de Itapetininga, para o quatriênio 1930/34.
           Mas (em tudo na vida existe um “mas”) ressurgiu o Tenentismo, vigoroso e vingativo que, em apenas 21 dias venceu, na revolução de 1930, os Legalistas de Washington Luis, anulando a posse de Júlio Prestes e colocando, na Curul Presidencial, o Dr. Getúlio Vargas, que governou o Brasil por 20 anos.
      Um dos esteios da revolução vitoriosa de Vargas foi Miguel Costa, que não acompanhou o novo Chefe da Nação, ao Rio de Janeiro, preferindo ficar em São Paulo, comandando uma Brigada da 2.a Região Militar, assumindo também o cargo de Secretário da Segurança Pública e, a 28 de abril de 1931, acumulando mais uma nobre função, o Comando Geral da Força Pública.
          Nesse dia, reuniu-se no páteo do quartel do então 1.o BC (hoje 1.o BPM/M “Tobias de Aguiar”, a Rota) uma centena de Oficiais, a grande maioria Tenentes, contrários a João Alberto Lins de Barros, nomeado Interventor Federal em São Paulo, pelo ditador Getúlio Vargas.
         Esse fato histórico é conhecido como ABRILADA, o primeiro grito revolucionário, que apaixonaria, até o “Julho da Clarinada”, como uma bola de neve, os líderes e a opinião pública de São Paulo, inconformados com o Tenente Interventor.
       Houve, na época, uma cisão dentro da Força Pública: oficiais simpáticos à Miguel Costa e oficiais fiéis ao Presidente derrotado Julio Prestes.
        Miguel Costa, herói todo poderoso, premiou os seus fiéis revolucionários com uma chuva de promoções, como dizemos hoje “O Trem da Alegria”. Homens valentes de sua confiança envergavam, após outubro de 1930, o galão e o talabarte de oficial. A princípio eram tratados como inferiores e tiveram o batismo de Oficiais da Fumaça, uma conotação um tanto pejorativa.
         Com o tempo, os ressentimentos mútuos foram se diluindo, ensejando a fundação, em 17 de outubro de 1931, da Liga de Esportes da Força Pública, raiz da vibrante e combativa AOPM, que chamamos carinhosamente de O Clube da Ativa.
         Um detalhe lamentável foi a Liga de Esportes não aceitar oficiais reformados, como associados, propiciando o surgimento de figuras exponenciais, como o Ten. Cel. Azarias Silva, Maj. Faria e Souza, Cap. Antônio Pietscher, Cap. João Guedes da Cunha, Cap. Manoel Cravo (lutou em Canudos) e o Ten. José Caboclo, heróis de tantas revoluções, que se reuniram nos bancos do Jardim da Luz, onde redigiram uma ATA, em 25 de março de 1935, elegendo o Maj. Médico Arlindo Carvalho Pinto, o primeiro Presidente da novel Entidade.
          Nasceu então a nossa querida Associação dos Oficiais da Reserva e Reformados da Polícia Militar, que já completou 81 anos  de existência, lutando com desassombro pelas suas gentes e defendendo os nobres ideais da Tropa do Brigadeiro Tobias de Aguiar.

 OFICIAIS 501

         Título estranho esse que, para explicá-lo, temos que nos lembrar do Dr. Adhemar Pereira de Barros, que governou São Paulo por três vezes, a primeira como Interventor e outras duas como Governador e, diga-se de passagem que,  em 1950, poderia ter sido eleito Presidente da República, pois o cavalo estava arriado e arretado mas ele não montou... coisas da vida política.
        Em 1947 foi promulgada, por ele, uma Lei que promovia a 2.º Tenente os 1.º Sargentos da Força Pública, ao passarem à inatividade, extensiva ao posto correspondente na Guarda Civil.
           Um número apreciável, desses novos tenentes, não conseguiu associar-se ao Clube dos Oficiais da Força Pública, porque eram Oficiais 501, um preconceito injustificável, não eram acadêmicos, repetindo aquela atitude lamentável da Diretoria da Liga de Esportes, em 1931.
           Também houve expoentes como os Majores Raul, Ezequiel, Vaz, Figueiredo, Cabral e tantos outros saudosos amigos, que reagiram e fundaram o Clube dos Tenentes, cuja maior obra foi a construção da Colônia de Férias de Itanhaém, hoje pertencente ao Solar da Tabatinguera.
        A fusão da Força Pública, com a Guarda Civil, em 1970 propiciou ao Clube dos Tenentes unir-se à Associação dos Inativos da Guarda Civil, formando o Círculo dos Oficiais da Polícia Militar, o qual, em 1973, fundiu com o CORPM, o nosso Clube dos Oficiais da Reserva e Reformados da Polícia Militar, hoje a nossa notável AORRPM.
       Por um lapso, a Lei 501 esqueceu dos sub-tenentes, forçando uma nova Lei, promulgada às pressas, com uma redação falha, propiciando aos tenentes, já promovidos pela 501, a oportunidade de mais uma promoção.
           Como na época estava em vigor na Corporação mais duas promoções – Revolução Constitucionalista de 32 e a Lei de Guerra -, aconteceu um fato que foge à lógica, os sub-tenentes promovidos a Capitão e aqueles Primeiros Sargentos promovidos a Major.


sábado, 27 de fevereiro de 2016

TRÊS ESTÓRIAS

A fábula de La Fontaine, A Cigarra e a Formiga. É lógico que todos os leitores sabem da estória, principalmente do seu fundo moral, que enaltece o trabalho e desdenha a ociosidade.
Mas esta estória, da Cigarra e da Formiga, será contada às avessas, menosprezando, chutando o conteúdo moral, o ensinamento ou a mensagem:


“A Formiga trabalhou, trabalhou, trabalhou nas três estações do ano, armazenando na sua “casinha” todos os alimentos para passar o inverno rigoroso. Estava feliz, confortável, arrumando todas as coisa do lar, quando um luxuoso Mercedes Benz estacionou em frente, buzinando, fazendo um verdadeiro escarcéu. A motorista era a Cigarra, toda enfeitada, maquiada, vestida de veludo e um casaco de vison, com anéis de ouro e brilhantes, colares de diamante, de pérolas, etc. O carrão tinha aquecimento interno, televisão, adega, geladeira bem sortida, enfim todo o conforto possível.
A Cigarra buzinou mais vezes e acordando a comadre Formiga falou:
- Comadre Formiga, eu vim ver você para me despedir,  porque eu estou noiva e vou a Paris para me casar com um príncipe muito rico. Tudo isto, que a comadre está vendo foi presente dele.
A Formiga olhou o reluzente Mercedes Benz, todo aquele aparato, a Cigarra bonita, esplendorosa, encapotada, esbanjando todo o conforto de uma princesa.  Não se conformou, e desabafou:
Comadre Cigarra! 
Você falou que vai a Paris para casar com um príncipe, não é? Então comadre, se você encontrar lá um senhor que se chama La Fontaine, mande ele pra P.Q.P., viu?...


SEGUNDO CONTO

Não é piada, é um fato simples que aconteceu na Academia do Barro Branco, numa aula prática de Tática de Infantaria, e eu estava lá.
A Força Pública era muito belicosa. A ordem que tinha o Comando era a instrução militar muito severa, pois a Corporação tinha sido convocada para a guerra em 1943, para a defesa das Nações Unidas. A nossa vibração era extremada, lutar na Itália, derrotar o nazi-fascismo, libertar a França, morrer defendendo a honra a Pátria; arroubos da juventude! Que saudades...
No campo, a simulação era perfeita, trincheiras, Pelotões para o ataque, Artilharia a postos, a Cavalaria pronta para a carga, fuzilaria, rajadas de metralhadoras (festim). Em meio àquela confusão toda, um cadete, aturdido, desorientado, desgarrado de seu Pelotão, em meio às explosões de bombas, suando às bicas, sangrando (arranhões de espinhos), fardamento aos farrapos, eis que chega, a galope, o major Diretor de Ensino da Academia, comandante do ataque ao “inimigo” que esbravejou:

- Cadete, onde está o seu Pelotão?
- Cadete viva a situação de guerra. Cadete viva a situação.
E o cadete nada, inerte, não falava, não reagia, assustado  com a “guerra”, ainda mais com a figura espartana do Comandante.

-CADETE VIVA A SITUAÇÃO !!! 
-VIVA A SITUAÇÃO CADETE!!!
Aí, o cadete, ainda confuso mas eufórico, enche o peito e grita:
- VIVA SEU MAJOR! VIVA SEU MAJOR! VIVA SEU MAJOR!


A PONTE

Um fazendeiro muito rico, já velho,  pai de dois filhos, dividiu suas terras equitativamente. Cada filho herdou a sua gleba, com suas benfeitorias, suas aguadas, seus rebanhos, suas cabeças de gado, tudo, tudo,  tudo como o falecido pai desejou, harmoniosamente.
Mas um deles, genioso, achou que alguns pormenores não estavam certos e aí começaram discussões entre eles. O irmão de boa índole atendia às reclamações, às vezes com perdas, para honrar a memória do pai, mas o outro, de índole má, queria mais e mais. 
Resolveu então, o bom irmão, para não agravar a situação, mandar fazer um muro, nas divisas, isolando as duas glebas. Pensava que, com o muro alto não haveria mais contatos, mais confusões, mais dissabores com o ingrato irmão.
Procurou um pedreiro para a construção do muro. Apresentou-se um homem, nos seus 30 anos, cabelos e barbas compridos, olhar sereno, a fala como a candura dos anjos e o acordo foi feito.
O bom irmão viajou por uma semana e, quando voltou, a obra já estava pronta mas não era o muro, era uma ponte. Quando ia chamar a atenção do pedreiro, que não cumprira o acordo, eis que, o irmão a passos largos, irradiando felicidade, atravessou a ponte dizendo: meu irmão, pensei que você ia se separar de mim, mas você mandou fazer a ponte para que eu viesse abraçá-lo e pedir perdão pelas minhas malvadezas. A reconciliação foi divina!
O pedreiro a tudo assistia com um sorriso nos lábios. Os dois irmãos pediram que continuasse com eles, pois as duas fazendas precisavam de um bom pedreiro mas Ele declinou dos convites, dizendo: eu vou continuar a caminhada neste mundo, pois há muitas pontes para eu construir...


terça-feira, 5 de janeiro de 2016

O TRIBUNO IBRAHIM NOBRE

          Vinte e três de maio de 1932! Os brasileiros de São Paulo exigiam uma Constituição, pois, desde Outubro de 1930, com a queda da 1.ª República, o nosso Congresso havia emudecido, sob o guante do ditador Getúlio Vargas.
          Nesse dia, no meio da multidão, inflamada e enfurecida, na Praça da República, 4 estudantes morreram, em holocausto ao idealismo pela Constituinte: MARTINS, MIRAGAIA, DRAUSIO E CAMARGO formaram a sigla MMDC (o 5° herói, ALVARENGA morreu meses depois), a mola propulsora da Revolução Constitucionalista, que explodiria a 9 de julho.
          IBRAHIM NOBRE, o grande tribuno da Revolução, anos mais tarde, na inauguração do Banco do Estado (Banespa), desiludido, envergonhado pelos desvios de antigos companheiros, combatentes da arrancada bandeirante, que tinham aderido ao ditador, assomando à sacada do último andar do maravilhoso edifício, em meio ao mundo oficial presente, e a pedido do Governador Dr. Adhemar de Barros, proferiu de improviso, as seguintes palavras:

“CLAMAI SILÊNCIO!
OLHAI A BELEZA QUE DAQUI SE AVISTA
A TERRA, QUEM SABE AINDA É SÃO PAULO
MAS O POVO NÃO É MAIS PAULISTA.”

            Os restos mortais do grande tribuno repousam no Ibirapuera, ao lado dos heróis que morreram cedo para viver sempre, como escreveu o poeta.
            Sua estátua é um hino de brasilidade, ele, naquela postura firme, exaltando os homens de São Paulo a combaterem os inimigos da Lei e da Constituinte  da Pátria.
             Há poucas semanas, a memória de IBRAHIM NOBRE foi manchada, seriamente ofendida, pois em torno de seu vulto varonil, mil homens e cem mulheres, completamente nus, se exibiam, num quadro melancólico e aviltante, num culto da vulgaridade. Mil homens e cem mulheres amontoados, desgarrados do curral dos Deuses (Fernando Pessoa) conspurcando a memória paulista. São palavras do príncipe dos poetas paulistas Paulo Bonfim: os moços que morreram nos idos de 32 e repousam no Mausoléu de Ibirapuera, “contemplando” o quadro daqueles corpos nus, em frente da última trincheira, certamente reclamarão: “Mas  foi por essa liberdade que morremos?” E o eco repetindo as palavras de Ibrahim Nobre:

“Minha Terra, Minha Terra, Minha Pobre Terra!”



domingo, 6 de dezembro de 2015

O CONSELHO DO GOVERNADOR

          Conta-se que certo Governador recebeu, em seu Palácio, um parente, que pretendia seguir a carreira política. Trouxe do interior uma carta de apresentação do Presidente do Partido, recomendando, ao Chefe do Governo, que o indicasse candidato a Vereador na Capital, nas próximas eleições.
         Acolheu o moço carinhosamente, perguntou de seu pai, primo e amigo, também de sua mãe e conversaram durante horas sobre diversos assuntos, até que, lendo aquela missiva, encarou o rapaz e, num tom muito sério esclareceu não ter condições de entrar na carreira política, por uma questão grave, seu pai era um bêbado, sem-vergonha e ladrão e sua mãe não tinha boa conduta moral, constando ter vários amantes, e foi por aí afora, com sua linguagem amarga contra a família de seu primo.
         O rapaz, brioso, não aguentou tantos desaforos, avançando furiosamente contra o Governador, tentando esbofeteá-lo, mas os ajudantes de ordem, prevenidos carregaram-no para uma sala ao lado.
         Passadas algumas horas, foi trazido ao gabinete, assustando-se quando o Governador o abraçou efusivamente, dizendo-lhe: “Meu querido sobrinho, você não pode ser político, porque nós temos que ouvir todas essas imprecações, todo esse desaforos, acusando-nos uma hora de ladrão, outro de homem traído (corno), ou o que é pior, de gay. Meu menino me perdoe, sua mãe é uma santa, seu pai é honesto, conduta ilibada, é um varão de alta linhagem. Volte para sua terra, recomende-me aos seus pais, meus caríssimos primos e escute o meu conselho: Escolha uma outra destinação, outro objetivo e conte comigo, farei tudo para ajudá-lo, agora, para política você não serve”.