Boa leitura!

domingo, 20 de maio de 2012

CAPITÃO HELIO LOURENÇO CAMILLI




CAPITÃO HELIO LOURENÇO CAMILLI




“Nós, muitas vezes, não entendemos os
  desígnios  de Deus, mas bendito seja Deus”.



Estivemos, há poucos dias, no sepultamento do nosso amigo Helio Lourenço Camilli, no Campo Santo da Quarta Parada, onde carros do Corpo de Bombeiros, dezenas de veículos oficiais e outras tantas viaturas particulares atravancavam todo o pátio daquele chão sagrado, em meio a ondas e ondas de homens, mulheres e jovens, que se acotovelavam para chegar ao ilustre varão, agora no sono eterno, para a despedida, o último adeus.                 
Dois jovens coroneis, Hudson e Helson, expoentes da nossa Polícia Militar, velavam o amigo de todas as horas. Cumprimentei-os com as minhas sentidas condolências, ressaltando a dedicação e amor de ambos, ao querido pai, em toda a vida, nas horas tristes e alegres, principalmente nesses últimos meses, até que o jequitibá tombasse e fechasse os olhos para sempre, combalido de tantas emoções e sofrimentos. É certo que, escoltado pelos anjos e arcanjos, o Capitão Helio já habita a Casa do Pai, repousando numa de suas galáxias.            
Sentei-me ao lado do ilustre morto e, por algum tempo, pensando na beleza da vida e na beleza da morte, reflexões voaram à minha mente e numa delas, em delicada e velada censura, falei ao amigo: Helio, não era a sua vez da promoção à Eternidade, você é cristão, católico praticante, você merece mas era minha essa promoção aos meus 92 janeiros. Você, apressado, não cumpriu o combinado e voou para o andar de cima (plágio nesta expressão). Helio, com todo o respeito que você sempre mereceu, vou falar baixinho ao seu ouvido, numa linguagem nossa, franca e castrense, você me deu cangalha!
Ainda jovem, vindo da bela cidade de Jaú, o  destino de Helio Lourenço Camilli foi a Guarda Civil de São Paulo, para qual  dedicou toda a sua mocidade, abnegação ao serviço árduo, ajudando a proteger a gente bandeirante, enfrentando as intempéries do tempo e as frias madrugadas da Pauliceia Desvairada.          
Apaixonado pelas motocicletas, formou e comandou o pelotão de 50 “Harlley Davidson”, empregando-as na segurança das ruas, antecipando as pujantes motos da Rocam de hoje. Numa fase heróica, como Classe Distinta, Helio foi nomeado Auxiliar de alta autoridade federal, que presidia o escritório de pesquisas atômicas na capital.                          
Dedicou-se o nosso amigo Helio, em suas horas de folga, a prestar seus excelentes serviços à Associação Desportiva da Guarda Civil, a qual com a fusão das duas Corporações- GC e FP- se tornou um dos melhores Clubes da capital paulista. Durante décadas foi Diretor de Relações Públicas, Social e de Cultura, sendo responsável pelas maravilhosas festas, inúmeras competições de modalidades esportivas, formaturas, noites havaianas, italianas e árabes, também forrós, presidindo, com muita elegância, noites de sambas, valsas, boleros e tangos, não deixando também de presidir outras tantas manifestações de alegria, como concursos de beleza e desfiles de modas, que marcaram época na história da ADPM de seu tempo.                          
Na Polícia Militar, a partir de março de 1970, foi classificado no Quartel General, servindo exemplarmente como Secretário de vários Comandantes Gerais, dos quais recebeu inúmeros elogios, conquistando suas amizades.           
Bendita fusão das duas Corporações, das quais a PM herdou suas virtudes. Graças a essa fusão, quantos amigos conquistamos, excelentes amigos, entre as quais a figura impoluta de Helio Lourenço Camilli. Não fosse ela, certamente nós não estaríamos aqui, neste templo cristão do Centurião Santo Expedito, para essa sagrada missa pela alma de Helio Camilli, o valente e virtuoso Capitão.                        
Na Associação dos Oficiais da Reserva e Reformado, Helio foi Diretor de Relações Públicas em vários mandatos, empregando todos os seus conhecimentos trazidos da ADPM, inundando de luz romance e poesia, com sua figura carismática, o Solar da Tabatinguera, o nosso último Quartel. Foi também Diretor do Clube da Ativa, na Diretoria presidida pelo saudoso Cel. Delfim Cerqueira Neves.                       
Helio Lourenço era um seresteiro, um poeta, um romântico! Cultor das músicas do seu tempo ou melhor, do nosso tempo, cantava-as, dedilhando no seu violão, do qual era mestre, as inesquecíveis composições de Orlando Silva, Francisco Alves, Silvio Caldas, Nelson Gonçalves, Gastão Formenti, Vicente Celestino, Carlos Gardel e tantos outros, não esquecendo as canções sertanejas que valorizaram seu repertório.                      
Bom amigo Helio você foi um iluminado nessa vida! Grande empresário, homem de visão, pragmático, inteligente e culto, você, num passe de mágica, transformou um modesto projeto de amigos na maior Cooperativa do planeta.
Seus filhos e netos, enfim, todos da família sentirão muita  sua ausência, tenho certeza que rezarão sempre para o conforto de sua alma. Seus incontáveis amigos também. Descanse em paz virtuoso Capitão!


                                                     

domingo, 1 de abril de 2012

Curiosidades

- De 24 para 25 de dezembro de 1924, o 2º Batalhão, então em operações de guerra no Estado do Paraná, tomou parte no combate de "Rocinha". Seus elementos receberam nesse dia, como alimentação, unicamente uma colher de açúcar (manhã) e uma caneca de café (à noite). Depois, somente no dia 25, às 2 horas da tarde,é que lhes foi distribuído o almoço, composto de feijão e carne seca - Que Natal...

- O Cel. João Negrão, como tenente, integrou a primeira equipe de aviadores brasileiros que atravessou o Atlântico Sul, hidroavião "Jahu", em 1927;

- A nossa Polícia Militar é detentora do recorde de cinco vitórias na corrida de São Silvestre;

- A Caixa Beneficente foi a primeira organização a praticar a previdência social no Brasil;

- A Escola de Educação Física da Polícia Militar é a terceira na América do Sul (depois do Chile e Argentina) e a pioneira no Brasil;

- O Pelotão de Escolta da Polícia Militar, conhecido como a Escolta do Governador, além de suas funções normais, participa também de competições esportivas, como corridas e motocross. Uma curiosidade dessas competições é a chamada Curva do Sargento no autódromo de Interlagos, nome decorrente de uma queda que ali sofreu, em 1952, o Sargento Paulo Sebastião, integrante do Pelotão de Escolta, durante a prova das 24 horas de motocicletas.


À MARGEM

Estas duas palavras foram, em fins do século passado, o terror dos oficiais da nossa Polícia Militar. Mesmo depois de proclamada a República, os direitos do oficial eram poucos e mesmo assim, burlados pela expressão tenebrosa... À Margem.
Ficar o oficial à margem era a perda total de todas as regalias, pois ficaria sem vencimentos e sem uniforme. Excluído!!! À guisa de consolação, o Governo mandava pagar-lhe três meses de vencimentos.
A aplicação da medida era simples. Ao organizar a Lei Orçamentária para cada ano, o Poder Executivo estava já de posse dos nomes dos oficiais que, poe qualquer motivo, haviam caído em desgraça. Diminuía, então, uns tantos postos na Lei de organização, atingindo, portanto, aqueles coitados que não eram da "panelinha", sujeitos às reviravoltas da política ou ao capricho dos poderosos do momento.
Um dos artigos do Regulamento de 1887, estabelecia: "O Presidente da Província poderá demitir o comandante, fiscal, cirurgião e outros oficiais do Corpo Policial Permanente, quando entender que assim o exige o bem do serviço público."
Em 1892, a Lei nº. 97-A trouxe alguma proteção ao nosso oficial, pois estabelecia que aqueles que tivessem mais de cinco anos de serviço, só perderiam seus postos por sentença condenatória a mais de um ano, ou por mau comportamento provado em Conselho de Disciplina. Esse dispositivo foi revogado em 1896 restabelecido no ano seguinte (Lei nº. 437) e confirmado pela Lei nº. 916-B, de dois de agosto de 1904.
O Oficial que ficava, pois, à margem, além de perder os vencimentos e os uniformes, também não podia entrar nos quartéis, havendo casos de o oficial apresentar-se para o serviço e ser surpreendido pela alarmante notícia. Passava então, pelo vexame de ter que se vestir à paisana e sair do quartel sob os olhares da tropa que o via despojado de todos os privilégios. Ia para a rua da amargura!
Esse À Margem vigorou até 1900 e, já na fixação para 1901, as leis protegiam, como até os dias de hoje, a carreira do oficial e sua estabilidade.

sábado, 24 de março de 2012

O caráter Paulista

Derrotado o movimento liberal - Revolução de 1842 - o padre Feijó, já muito doente, foi detido por Caxias em Sorocaba.

Rafael Tobias de Aguiar viu-se abandonado das forças rebeldes, que desapareceram como por encanto. Deu-se em Sorocaba o mesmo que aconteceu em Itu, Capivari, Porto Feliz e Itapetininga. Ao passo que desapareciam os revolucionários, chegavam os influentes do partido legalista, que até então se achavam foragidos. Pretendeu ainda Rafael Tobias de Aguiar reunir a tropa dispersa na Fábrica de Ferro Ipanema, mas não teve outro recurso, senão a fuga, quando soube que Caxias se aproximava e já havia destacado força para efetuar sua prisão.

Alguns dias permaneceu na vizinhança de Sorocaba e depois, em marchas forçadas, resolveu procurar a Província do Rio Grande do Sul. A marcha não podia, porém, ser como ele desejava, porquanto era de perto seguido pela escolta enviada para prendê-lo, guiada por pessoas conhecedoras da zona, e que, como sói acontecer em tais ocasiões, se apresentaram para auxiliar o inimigo de ontem.

Com grande dificuldade conseguiu chegar a Itapetininga, onde se demorou, julgando estar livre de seus perseguidores, entretanto, avisado de que sua presença ali se havia divulgado, deixou a cidade em direção da Fazenda Bom Retiro, de propriedade de Joaquim José de Oliveira, que na ocasião se encontrava ausente. Sua esposa porém, recebeu o ilustre foragido, dispensando-lhe fidalga hospitalidade.

Alta noite, os escravos vieram prevenir a esposa de Joaquim José de Oliveira que a fazenda estava cercada por soldados. Imediatamente a distinta dama paulista ordenou ao capataz, de nome Agostinho, que se encarregasse de proteger e impedir, por todos os meios, a prisão do ilustre hóspede.

Agostinho, depois de verificar que todos os pastos ao redor da fazenda estavam cercados por tropas de Caxias, escondeu-se com Rafael Tobias no engenho de cana, debaixo de uma queda d'água que alimentava a moenda.

Nesse ponto haviam crescido plantas aquáticas que caíam em festões emaranhados, tão densas que serviram para ocultar Agostinho e o ilustre político.

Diversas vezes os soldados imperiais passaram junto ao engenho, esquadrinhando todo o terreno, subindo aos telhados, aos forros e só se retirando depois de horas e horas de busca inútil.

Um fato deve ser aqui consignado: Joaquim José de Oliveira um dos ricos proprietários daquela zona possuía mais de 200 escravos, que sabiam que ali se achava oculto um homem, entretanto não denunciaram sua presença apesar das inquirições ameaçadoras dos homens da escolta.

Quando o dono da fazenda voltou e teve conhecimento do que sua esposa praticara, aplaudiu o seu procedimento. O curioso era que Joaquim José de Oliveira pertencia à corrente política contrária a Rafael Tobias de Aguiar, adversário portanto do chefe foragido. Eis um traço do caráter paulista.

Retirando-se a escolta, foi Tobias conduzido por vaqueanos da fazenda para lugares bem seguros, até que depois de passados muitos dias e muitas dificuldades, seguiu marcha à procura das fronteiras do Sul, atravessando extensas regiões que hoje constituem o território do Estado do Paraná, na época a 5ª Comarca de São Paulo.

Vencendo numerosos obstáculos, meses depois, Rafael Tobias atravessava os campos de Vacaria, quando foi aprisionado por Caxias que, depois de ter pacificado São Paulo e Minas, havia seguido no comando das forças legais que combatiam os rebeldes gaúchos.

Neste interessante relato, extraído do livro de Aureliano Leite, merecem ser sublinhados dois trechos que não podemos esquecer. O primeiro mostra a toda luz o cavalheirismo dos paulistas desse tempo. Tobias escondeu-se na fazenda de um seu adversário, ali encontrando fidalga hospitalidade.

O segundo trecho destaca Tobias como um valente, pois ele não fugiu por fugir, para escapar a um perigo.

Empreendeu uma retirada, já que a luta estava perdida em São Paulo, para ligar-se aos revolucionários do Rio Grande do Sul. O grande paulista tinha intenção de voltar para continuar a luta do partido Liberal.

quarta-feira, 7 de março de 2012

Brigadeiro Rafael Tobias de Aguiar - criador da Polícia Militar



O Brigadeiro Rafael Tobias de Aguiar, além de político e militar, era também rico fazendeiro em Sorocaba. A ele se deve a criação daqueles vistosos cavalos, pelagem de duas cores, conhecidos como pampas.
Quando de sua retirada para o Rio Grande do Sul, no remate doloroso da Revolução Liberal de Sorocaba, em 1842, presenteou certo fazendeiro gaúcho de Cruz Alta com alguns desses cavalos, que se reproduziram e espalharam até o Rio do Prata, formando uma raça cavalar que tomou o nome do criador sorocabano - Raça Tobiana.


A retirada do chefe revoltoso ficou registrada no ponteado das violas dos cantadores:

"O nosso Rafael Tobias,
Querendo se escapá
Passou por Campo Largo
De chilena e cherripá
Tobias quando fugiu
Na hora de incerteza,
Abraçou os seus filhinhos
E casou com a Marquesa"

Da união do Brigadeiro Tobias com a Marquesa de Santos nasceram:

- Rafael Tobias de Aguiar
- João Tobias de Aguiar e Castro
- Antônio Francisco de Aguiar e Castro
- Brasílio de Aguiar e Castro
- Gertrudes de Aguiar e Castro e
- Heitor de Aguiar e Castro.

Maria Domitila de Castro Canto e Melo - a Marquesa de Santos - tem seu túmulo no cemitério da Consolação ao lado da Capela Central.

"Servir São Paulo é, sobretudo, antes de tudo e acima de tudo, servir ao Brasil!' Este era o lema do Brigadeiro Tobias que, ao morrer, a 7 de outubro de 1857, a bordo do vapor Piratininga, quando, na qualidade de parlamentar, se dirigia à Corte Imperial, despedindo-se de seus entes queridos, assim se expressou:

"Meus filhos, continuem por mim a
não poupar sacrifícios por São Paulo".

Seus restos mortais jazem na Igreja da Ordem 3ª, ao lado da Faculdade de Direito Largo São Francisco.

domingo, 12 de fevereiro de 2012

Cel. João Áureo Campanhã

Minha turma de Aspirante à Oficial foi a primeira a se formar na atual Academia de Polícia Militar do Barro Branco, em 1944. Os primeiros anos, foram no Centro de Instrução Militar (CIM), situado na Avenida Tiradentes, esquina com a Rua Ribeiro de Lima, vetusto e acanhado prédio ao lado da antiga Casa de Detenção de São Paulo, depois Banespa, Caixa Econômica e hoje Banco do Brasil.
Éramos 38 formandos no começo da lida, e hoje somos apenas 4, entre estes, o meu amigo Cel. João Áureo Campanhã, pois, muitos de nossos colegas, ficaram à beira do caminho, seguiram outros destinos e a grande maioria já ultrapassou o Portal da Eternidade, como dizem Boldrim e
Datena: "Apressados esses amigos subiram ao andar de cima".
É bom ressaltar que três maravilhosos colegas morreram tragicamente: 
Benedito Neto: paulista de São Simão que, numa ocorrência policial, caiu fulminado com uma bala no crânio;
Waldir Alves de Siqueira, capixaba de Cachoeiro do Itapemirim, morto covardemente por um bandido, cinco tiros à queima roupa; e
José da Silva Bueno, paulistano da Pompeia, pescador de alto-mar, desapareceu misteriosamente do barco. Eram cinco horas, Bueno, timoneiro, passou a direção a um companheiro indo para o descanso, antes porém, prometeu fazer um cafezinho para todos. As xícaras permaneceram no tombadilho e horas e horas se passaram... Alarme geral, os pescadores levantaram suas redes, bombeiros em ação, helicópteros nos céus, vasculhando o mar e mais horas e horas se passaram, horas de agonia. Nada, nada na região dos Alcatrazes.
O que teria acontecido? Um ET o teria abduzido para Marte ou outro planeta? Ao lavar as xícaras no tombadilho do barco, teria caído ao mar e devorado por tubarões? As correntes marítimas teriam levado Bueno para longe, talvez para África? Ou uma sereia apaixonada o teria raptado, carregando-o para as profundezas dos mares?
Minha escrita agora é sobre o João Áureo Campanhã e com ele dois episódios, duas estórias que orgulham e enobrecem a figura humana.
Dezembro de 1944!!!, aquele açodamento para sabermos quais os três primeiros classificados da turma, uma vez que esses eleitos receberiam, além de elogios, honrarias e prêmios.
Solenemente, nosso Capitão Otávio Gomes de Oliveira (militar de excelsas virtudes), em frente à Cia, fez a leitura dos premiados, ressaltando os pontos de cada um:
1º) Aspirante a Oficial João Áureo Campanhã;
2º) Aspirante a Oficial Ari José Mercadante; e
3º) Aspirante a Oficial Urbano Lopes Fonseca.
Com aquela nobreza de espírito, escravo de sua consciência, João Áureo Campanhã informou ao Capitão Otávio que havia um engano nessa classificação, pois, pelos seus cálculos, somadas todas as anotações durante o Curso, o primeiro lugar não lhe caberia.
Suspense!!! A Secretaria, a toque de caixa, revendo toda a documentação dos três jovens aspirantes, chegou à conclusão que, de fato, Campanhã estava certo, certíssimo.
É necessário que se diga que o nosso amigo Campanhã era minucioso em seus apontamentos, amigo dos detalhes, anotando tudo, tudo, as notas de exames, sabatinas, chamadas orais, pontos ganhos, pontos perdidos...essa figura altaneira assombrou seus superiores e colegas pela grandeza de sua alma, abdicando do primeiro lugar. Enfaticamente ele declarou: Meu lugar é o terceiro e não o primeiro.
Não bastasse esse fato existe, ainda mais um outro, que é uma aula de civismo, coragem e altruísmo. Vejamos:
Os anos passaram, estamos agora em 1967, Governador do Estado Dr. Laudo Natel, sendo seu Secretário de Estado da Casa Militar, o nosso valente Coronel João Áureo Campanhã.
Atendendo aos apelos de todas as Associações de Classe da Polícia Militar, Campanhã prometeu lutar pelas nossas reivindicações, sendo o fiel da balança de nossos problemas, principalmente o aumento de vencimentos, já que governos anteriores não nos tinham atendido, esquecendo do alto valor da tropa bandeirante, obreira da segurança da sociedade paulista.
O nosso pedido era justo, queríamos apenas a reposição da inflação, na época em torno de 32%.
Laudo Natel negou. O brioso Coronel Campanhã, num gesto temeroso mas digno, pediu demissão da alta investidura de Chefe da Casa Militar. Apelos surgiram de todos os lados, aconselhando-o a renuncia de seu ato, mas todos eles não surtiram efeito, pois sua decisão era inabalável, irrevogável.
O Comandante Geral da Força Pública, o Coronel João Batista de Oliveira Figueireido, o "órfão de pai vivo", considerou grave falta disciplinar e Campanhã foi preso por 25 dias, recolhido ao Quartel do 5º Batalhão de Taubaté. Diga-se, de passagem, que o Governador Laudo Natel visitou seu amigo em Taubaté por duas vezes.
Meus amigos, estamos diante de dois fatos que revelam o valor do homem, o Homem de H maiúsculo, pleno de virtudes, homem simples do interior paulista (Jaboticabal), exemplo de coragem, escravo de ideais nobres.
Campanhã, um abraço de seu amigo e admirador, coronel Edilberto.


quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Os balões e os mangrulhos na Guerra do Paraguai

No livro "A História da Força Aérea Brasileira" do Ten. Brig. do Ar Nelson Freire Lavanere Wanderley, há uma referência ao balão usado por Caxias, na Guerra do Paraguai:
"Ele foi o primeiro emprego militar da Aeronáutica na América do Sul e a semente daquilo, que muito anos mais tarde, veio transformar-se na Força Aérea Brasileira".

Na Guerra de Sesseção dos EUA, na mesma época da Guerra do Paraguai (1865-70),  o norte contra o sul, resultando a abolição dos escravos, as hostis guerreiras usaram o balão para a observação das posições inimigas.

Na Guerra do Paraguai, nossas tropas lutando em várias planícies, não tinham vistas sob o campo inimigo, posição de suas trincheiras e a movimentação de tropas de Solano Lopes. Rusticamente, usavam os mangrulhos, formato de torres de madeira, de aproximadamente de 15 metros de altura, como medida preventiva aos ataques.


Gravura um mangrulho no acampamento de Caxias de Tuyu – Cuê , próximo de Humaitá. (Fonte: História do Exército Brasileiro...(Rio de Janeiro: EME,1972.v.2,p.644).

O grande Caxias, então, conseguiu a compra de dois balões da potência do norte, equipados de aparelhos para fabricar hidrogênio, contratando dois balonistas americanos, os irmãos James e Ezra Allen para instrutores dos nossos oficiais do Exército em operações de Guerra.


Os pilotos brasileiros foram os capitães Francisco César da Silva Amaral, Cursino Amarante, Jacó Niemeyer e Antônio Sena Madureira.


Alegoria sobre a 1a ascensão de um balão, em 25 set.1867 em Tuiu - Cuê, na obra História da Força Aérea Brasileira. (1975,2ed,p.23) do Tenente Brigadeiro do Ar Nelson Freire Lavanére – Wanderley, atual Patrono do CAN. 

Depois de meses em operações com os balões que alcançando a altura de 140m, os nossos pilotos tornaram realidade os reconhecimentos das tropas inimigas, possibilitando as vitórias sobre o Humaitá, Curupaiti e outros combates.

Duque de Caxias foi, então, o precursor da Aeronáutica Militar Brasileira.




Fonte: ahimtb.org.br/caxiasaerost.htm


quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Cel. Odilon Aquino de Oliveira




Todos sabemos que a antiga Força Pública foi muito guerreira, estando sempre presente em todos os momentos críticos da Nação, em guerras, revoluções, convulsões sociais ou políticas, etc, etc. Citemos as guerras de Canudos, Farrapos, Paraguai, 2ª Guerra Mundial, Revolução de Sorocaba, Protocolos, Armada, Chibata, as de 22, 24, 26, 30 e 32. Não esqueçamos da Greve de 1917 e da Guerrilha contra Lamarca, que revelou nosso herói-mártir Alberto Mendes Jr.

O apogeu do militarismo foi a contratação da Missão Militar Francesa, que deixou a Corporação conhecida como o Pequeno Exército Paulista, com a sua Infantaria, Cavalaria, Aviação Militar e Artilharia em pé de guerra.

Esse aparato marcial também se justificava, devido a conflitos políticos, o Governo Federal ameaçando e intervindo em alguns Estados da Federação. Ameaça a São Paulo se desvaneceu frente à fortaleza da nossa heróica Forca Pública.

Finda a 2ª Guerra Mundial, em 1945, continuou a Força Pública com tropas aquarteladas, a maior parte do tempo, preocupada com os exercícios militares - maneabilidade, construção de trincheiras, manuseio de material bélico em ofensiva ou defensiva, marchas diurnas e noturnas, sobrevivência na selva, golpes de mão de vai e vem, etc, etc -, a grande maioria de oficiais contaminados com a cultura guerreira.

Em boa hora, o cel. Odilon Aquino de Oliveira, na Chefia do Estado Maior, mudou a roupagem da querida Força Pública em 1947 tornando-a guerrilheira em vez de guerreira, para o enfrentamento aos conflitos urbanos e no campo. Criou as Companhias de Trânsito, de Policiamento, de Choque, os alicerces dos Batalhões da capital e do interior, não esquecendo do Regimento de Cavalaria, não mais dando a carga aos inimigos, e sim, ao passo, ao trote ou a galope a serviço da segurança da sociedade paulista.

O Cel. Odilon enfrentou campanhas surdas, carreando para si muitos "inimigos guerreiros", mas... o tempo passou, a cultura mudou e hoje temos 100 mil homens integrados para a defesa e segurança do Estado e de seu povo. No entanto continuou obediente ao Governo Federal, como Reserva do Exército Brasileiro, sentinela da Pátria.

Cel. Odilon Aquino de Oliveira, o senhor foi o divisor de águas. Na década de 40 tentou, no governo de Adhemar de Barros, a fusão com a Guarda Civil. Não conseguiu, mas a semente lançada criou raízes e a planta desabrochou, em abril de 1970, unindo as duas Corporações.

O Cel. Odilon Aquino de Oliveira foi aluno da Missão Militar Francesa, foi herói de tantas Revoluções, agigantando-se na Revolução Constitucionalista de 32, enfrentando Getúlio Vargas nas trincheiras.

Escreveu com o cel. Heliodoro Tenório da Rocha Marques o livro: "São Paulo contra a Ditadura", o que lhes valeu a expulsão das fileiras da tropa Bandeirante. Anos mais tarde, obtiveram na Justiça o retorno à querida Força Pública. Odilon terminou a carreira nas altas funções de Juiz e Presidente do Tribunal de Justiça Militar.

domingo, 4 de dezembro de 2011

Consciência Negra

A Câmara Municipal de Itapetininga engalanou-se para comemorar o 20 de novembro, o Dia da Consciência Negra em nossa terra.
Dia 20 de novembro de 1695 foi a morte de Zumbi, o libertador dos escravos. Nasceu Zumbi em 1655, aos 9 anos foi sequestrado no Quilombo dos Palmares por tropas portuguesas, criado por um padre e batizado com o nome de Francisco teve, durante 6 anos, lições de latim e português e ajudava o padre nas cerimônias religiosas.
Aos 15 anos fugiu, voltando para Palmares, na Serra da Barriga em Alagoas, que na época pertencia à Capitania de Pernambuco. No Quilombo encontrou sua avó, a princesa Aqualtune e seu tio Ganga Zuma.
Zumbi desentendeu-se com o tio e assumiu o comando do quilombo, que a essa altura, em 1680, já contava com 30 mil homens, a maioria de negros fugidos, tendo também muitos índios e brancos pobres. A Capitania de Pernambuco, depois de muita luta e de muitos revezes contrar Zumbi, contratou Domingos Jorge Velho, bandeirante paulista, que organizou um exército muito forte, tendo até artilharia para arrasar o Quilombo Palmerino.
Zumbi era o chefe da República dos Palmares e comandou a resistência contra as tropas aguerridas de Jorge Velho. Os negros tinham uma desvantagem, pois estavam cercados no alto do morro, enquanto os atacantes podiam conseguir reforços e farta munição. Os Qilombolas encontravam-se em situação precária, sem munição de boca e de guerra.
Famintos e sem poder de fogo, muitos negros fugiram para o sertão, outros se suicidaram ou renderam-se aos atacantes vitoriosos.
Quando a derradeira trincheira foi batida, Zumbi correu ao ponto mais alto da Serra e viu, lá de cima, o seu reino desmoronado e saqueado. Brandiu então, a sua espada reluzente e saltou para o abismo, acompanhado de seus fieis amigos.
Sua cabeça cortada foi levada para Recife, onde foi exposta em praça pública, no alto de um mastro, para servir de exemplo para outros escravos. Era o dia 20 de novembro de 1695. Em homenagem ao Rei dos Palmares, essa data passsou a ser chamada o Dia da Consciência Negra e Zumbi, oficialmente reconhecido como heróí nacional.
Finda essa primeira cerimônia, a Sociedade dos Veteranos de 32/MMDC Paulistas de Itapetininga! Às Armas!! também prestou homenagem a um herói negro na Revolução Constitucionalista de São Paulo, nascido na terra de Venâncio Ayres.
O Diploma de Honta ao Mérito que transcrevemos, exalta a figura heróica do Cabo Blindado Durvalino de Toledo, veterano de 32:


Noite maravilhosa para mim. Matar a saudade da minha terra, minha querida Itapetininga, onde passei os anos dourados de minha vida e receber o Diploma de Honra ao Mérito Cabo Blindado Durvalino de Toledo, que pertenceu as fileiras do 8º Batalhão de Caçadores da gloriosa Força Pública de São Paulo.





domingo, 27 de novembro de 2011

ROCAM

O Quartel da rua Jorge Miranda, em frente ao nosso Museu de Polícia Militar (antigo hospital da Força Pública) foi Convento dos Agostinianos no século XIX, sendo comprado pelo Estado, em princípio do século XX, para sediar o 2º Batalhão de Infataria, o "Dois de Ouro", vitorioso na Campanha do Paraná.
No decorrer dos anos aquartelou várias Unidades da Corporação e atualmente é ocupado pelo 2º Batalhão de Choque, comandado pelo Cel. Saviolli.
Neste blog é meu desejo ressaltar a figura espartana do Cel. Pedro Resende de Oliveira Mello, o criador das Rondas Ostensivas Com o Apoio de Motoclicletas, que teve a honra de ter o seu nome batizando a Sala de Instrução, que agasalha as maravilhosas máquinas e os maravilhosos pilotos da ROCAM.



O Cel. Mello, como Tenente Comandante da Escolta do Governador  mantinha contato com a Honda e Hyamaha, através de seus representantes em São Paulo, ocasião em que tomou conhecimento do emprego de motoclicletas, pela polícia nipônica, em ocorrências policiais (70% das viaturas, em Tókio, são motocicletas). 



Adquiriu, então, várias revistas especializadas no assunto, aprimorando seus conhecimentos sobre a importante matéria, obtendo também preciosas informações no consulado daquele país.
No posto de Major, em 1988, apresentou o projeto bem detalhado ao Sr. Comandante Geral, obtendo a sua aprovação, recebendo dele a determinação para preparar os pilotos para a nova e nobre missão.



A ROCAM, esplêndida realidade, com a mobilidade de suas motos e capacidade de seus pilotos, presta relevantes serviços ao Estado, pois são os primeiros que assistem aos feridos no caótico trânsito da Paulicéia Desvairada, também os primeiros a enfrentar a fúria e a maldade dos inimigos da lei.
Nessa homenagem, confesso que fui tomado de grande emoção, ao cumprimentar e abraçar o meu querido filho, quando as nossas lágrimas se cruzaram...